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Alta global da ureia com a guerra no Oriente Médio ameaça encarecer alimentos; Brasil depende do insumo

A guerra no Oriente Médio não está abalando apenas os mercados de hidrocarbonetos. Ela também está causando impacto em um setor menos visível, mas igualmente essencial: o de fertilizantes agrícolas — um tema sensível para o Brasil, que em 2025 importou 100% da ureia que consumiu e depende de rotas e fornecedores da região. Produzido a partir de gás natural, este fertilizate é particulamente afetado.

6 mar 2026 - 14h21
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Desde o início do conflito, o preço da ureia disparou nos mercados internacionais. No Egito, por exemplo, segundo Michaël Sebag, comerciante de fertilizantes da Orcom em Genebra, o preço por tonelada saltou de US$ 490 para US$ 660 em dez dias, um aumento de mais de 30%.

Um agricultor francês espalha fertilizante em uma lavoura de trigo. Imagem ilustrativa
Um agricultor francês espalha fertilizante em uma lavoura de trigo. Imagem ilustrativa
Foto: Getty Images/Bernard Jaubert / RFI

O Oriente Médio é um ator fundamental no mercado desse fertilizante, essencial para a agricultura. A região sozinha responde por quase 30% das exportações globais, com Irã, Catar e Arábia Saudita na liderança.

Do ponto de vista brasileiro, a vulnerabilidade é significativa: em 2025, o país importou 100% da ureia que consumiu; em 2024, 39,3% da ureia importada pelo Brasil veio do Oriente Médio (Irã, Catar, Arábia Saudita e Barein).

Com o fechamento do Estreito de Ormuz e as ameaças iranianas contra navios mercantes, o tráfego marítimo praticamente parou no Golfo Pérsico. Como resultado, quase nenhum navio cargueiro transportando fertilizantes está entrando ou saindo da região, o que faz com que os preços disparem.

Em 2026, 41% de toda a ureia importada pelo Brasil passou pelo Estreito de Ormuz. Essas três frentes — dependência total do insumo, concentração de fornecedores e exposição a uma rota estratégica — ampliam o risco de alta de custos e de pressões futuras sobre os alimentos.

Mas as interrupções não se limitam ao transporte; elas também afetam a produção. Ataques à infraestrutura energética estão interrompendo o fornecimento de gás natural, matéria-prima crucial para a produção de ureia. No Catar, a maior fábrica do insumo do mundo — operada pela Qatar Energy — suspendeu a produção na segunda-feira (2), após ataques com drones.

Preocupações dos importadores

A menor produção e a menor circulação de ureia são motivo de preocupação para os importadores, principalmente na Ásia, onde os agricultores se preparam para o plantio de cereais. A Índia é atualmente o maior cliente do Oriente Médio em fertilizantes, com aproximadamente 40% de suas importações de ureia e fertilizantes fosfatados provenientes dessa região.

Em fevereiro, Nova Délhi firmou um acordo para o fornecimento de 1,3 milhão de toneladas de ureia, das quais quase metade viria do Oriente Médio. No entanto, com a guerra em curso, as autoridades já temem atrasos nas entregas. Por isso, estão buscando fornecedores alternativos, como produtores no Egito e na Nigéria.

Temido efeito dominó nos preços dos alimentos

As restrições de oferta estão elevando os preços em todo o mundo. Menos ureia disponível significa maior concorrência entre os compradores e, consequentemente, preços mais altos. O preço na Nigéria subiu 30% desde o início da guerra no Oriente Médio.

Segundo Mounir Halim, presidente da Afriqom, uma empresa de pesquisa de mercado especializada em fertilizantes, os preços subiram de US$ 465 para aproximadamente US$ 655 por tonelada.

Analistas temem um efeito dominó: se os fertilizantes ficarem mais caros, os custos de produção agrícola também aumentarão, podendo levar a preços mais altos dos alimentos em todo o mundo.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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