Acidente com Concorde pôs fim a sonho de viagens supersônicas
Era caro, mas os cerca de US$ 9 mil pagos por uma passagem transatlântica de ida e volta a bordo do avião supersônico Concorde valiam a pena para quem não queria perder tempo e tinha dinheiro no bolso. No dia 25 de julho de 2000, 109 pessoas - entre passageiros e tripulantes - embarcaram no símbolo do glamour do jet-set internacional no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, em Paris, para uma viagem de apenas três horas e meia até Nova York, nos Estados Unidos. Em um avião "normal", o tempo de voo sem escalas é de aproximadamente 8 horas.
Além de cruzar o Atlântico em menos da metade do tempo, os passageiros ainda iriam desembarcar em Nova York mais cedo do que haviam deixado Paris, devido à diferença de fuso. Voando a 18 km acima da Terra e com uma velocidade máxima de 2.173 km/h, o Concorde parecia estar se consolidando como o futuro da aviação. Uma iniciativa que havia começado em 1969, quando foi realizado seu primeiro voo de prova. Em janeiro de 1976, em um projeto dos governos francês e britânico, o Concorde foi disponibilizado ao público.
No entanto, o que parecia ser mais uma vitória da tecnologia e do conhecimento humano começou a fracassar naquele julho de 2000. Já durante a decolagem, um dos motores do Concorde - até então considerado um dos aviões mais seguros do mundo - pegou fogo. Sem pista o suficiente para abortar o procedimento, os pilotos decidiram levantar voo, mesmo com a asa esquerda em chamas. Sem força, o avião cruzou uma estrada em baixa altura e começou a pender para o lado esquerdo, pois a asa estava derretendo.
O objetivo dos pilotos era pousar no aeroporto mais próximo, o Le Bourget. Faltavam apenas 3,5 km para chegar à pista. No entanto, não foi possível manter o controle do avião, que acabou se espatifando em cima de um hotel da localidade francesa de Gonesse, depois de apenas 120 segundos de voo. As caixas-pretas da aeronave ficaram completamente destruídas. Cem passageiros - a maioria deles alemães -, nove tripulantes e quatro pessoas que estavam em terra morreram.
Após dezoito meses de investigação, o Escritório de Investigação e Análise (BEA) concluiu que o acidente ocorreu porque o avião passou por cima de uma lâmina metálica perdida minutos antes por um DC-10. A peça causou o estouro de um dos pneus, e os seus restos perfuraram um dos depósitos do Concorde, que pegou fogo. A Continental Airlines, responsável pelo DC-10, afirma que o fogo começou antes do Concorde passar por cima da peça metálica. Para a empresa, a investigação foi incompleta e o Concorde tinha uma falha.
Esta é a principal linha de discussão conduzida no julgamento que começa amanhã, no Tribunal Correcional de Pontoise, nos arredores de Paris. No banco dos réus, além da Continental Airlines, estarão cinco pessoas físicas. O júri terá início quase seis anos depois do fim das atividades do Concorde. Em abril de 2003, as companhias British Airways e Air France encerraram a exploração comercial do Concorde em razão do aumento dos custos de manutenção e do insuficiente número de passageiros em seus voos.