Abbas defende na ONU autonomia palestina para decidir próprio futuro
Presidente saudou Conselho da Paz de Trump, mas disse não ver resultados
Em discurso à Assembleia Geral da ONU, o presidente palestino Mahmoud Abbas defendeu a autonomia de seu povo e a solução de dois Estados, rejeitando a ocupação e a anexação de terras por Israel. Impedido de entrar nos EUA, Abbas cobrou do presidente Donald Trump o cumprimento de promessas para barrar a transferência forçada da população e lamentou a continuidade dos letais ataques israelenses na Faixa de Gaza.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, defendeu, durante discurso por videoconferência na Assembleia Nacional das Nações Unidas, nesta quinta-feira (24), que nenhum Estado deve decidir sobre o futuro de seu povo.
"Não deixaremos nossa terra, não permitiremos que ninguém decida nosso futuro por nós; seremos nós a decidir", afirmou Abbas, que teve o visto negado pelos Estados Unidos para comparecer ao evento em Nova York. Ele reforçou ser "impossível construir uma segurança duradoura sob ocupação de outro povo [israelense] e a negação de seus direitos legítimos".
Para o líder da ANP, "salvar a Palestina é preservar seu território, sem anexação, sem ocupação militar".
"Não aceitaremos que Israel decida por nós; eles não têm este direito", frisou Abbas, citando ainda a necessidade da legitimação de dois Estados para que seu povo e a população israelense possam "viver em paz, lado a lado".
"Buscamos um Estado palestino democrático que viva em paz com Israel. É possível?", questionou.
Abbas também cobrou do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que "honre os compromissos assumidos em setembro passado: impedir a anexação de terras palestinas e rejeitar qualquer tentativa de transferência forçada da população".
"Saudamos o plano de 20 pontos do presidente Trump e o roteiro para a implementação da segunda fase do Conselho da Paz", disse ele, referindo-se à iniciativa proposta pelo republicano em 2025, que pretendia acabar com as agressões israelenses na Faixa de Gaza, retirar as forças de ocupação do enclave e iniciar sua reconstrução.
"No entanto, infelizmente, não vimos nada disso se concretizar", lamentou o líder palestino. "Ataques letais continuam a ceifar vidas de homens, mulheres e crianças em Gaza após quase um ano", acrescentou.
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