Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em sete dias em troca de condições para cessar guerra
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma proposta para reabrir, em sete dias, o Estreito de Ormuz, via marítima estratégica no epicentro do conflito entre os dois países, enquanto o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdelrahmane al-Thani, se reuniu nesta sexta-feira (25) com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, à margem da Assembleia Geral da ONU, em um esforço para reduzir as tensões e criar condições para o diálogo.
O Irã propôs reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias caso os EUA aceitem exigências para cessar a guerra, como a suspensão de hostilidades no Oriente Médio, o desbloqueio de US$ 12 bilhões em ativos e o fim das sanções ao petróleo e do bloqueio naval americano. A iniciativa de Teerã, mediada pelo Catar e apoiada pela China, busca retomar o diálogo após o fracasso de um acordo assinado em junho e já provocou a queda nos preços globais do petróleo, enquanto Teerã aguarda uma resposta de Washington.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar, al-Thani e Pezeshkian discutiram "os esforços empreendidos para reduzir as tensões e criar condições propícias ao diálogo".
O Catar atua como mediador no conflito no Oriente Médio. A proposta iraniana foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que afirmou ter comunicado as condições de Teerã ao enviado americano Steve Witkoff.
Araghchi, que está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, afirmou que havia transmitido na terça-feira a Witkoff as condições do Irã para a reabertura do estreito. "Se certas condições forem atendidas, o estreito será aberto dentro de sete dias e as negociações começarão", disse o ministro a diversos veículos de imprensa estrangeiros, incluindo os jornais The New York Times e The Guardian.
A proposta fez os preços do petróleo recuarem nesta sexta-feira, depois de terem disparado na véspera. O barril de Brent do Mar do Norte, com entrega prevista para novembro, caía 1,31% às 9h45 GMT (6h45 em Brasília), cotado a US$ 105,20 (R$ 544,82), enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 1,93%, para US$ 92,78 (R$ 480,49).
Na terça-feira, a agência de notícias japonesa Kyodo, citando uma autoridade iraniana, foi a primeira a informar sobre a proposta de Teerã. A imprensa iraniana, no entanto, negou então a informação.
Condições para reabertura
O Irã afirma ter apresentado sete condições para o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz. Segundo Araghchi, citado pelo The New York Times, a proposta prevê uma cessação, durante sete dias, de todas as hostilidades no Oriente Médio, incluindo no Líbano; o desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões (R$ 62,1 bilhões); o levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano; e o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã.
No sétimo e último dia, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Araghchi afirmou estar aguardando uma resposta de Washington e garantiu que a China, cujo presidente está atualmente em visita oficial aos Estados Unidos, apoia a proposta.
Em entrevista exclusiva à AFP na terça-feira, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, também mencionou o fim das hostilidades no Iêmen entre as condições apresentadas pelo Irã.
O presidente americano, Donald Trump, e o iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram em junho um acordo protocolar com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz e, posteriormente, iniciar negociações sobre a delicada questão do programa nuclear iraniano.
No entanto, o texto foi alvo de interpretações diferentes pelas duas partes, o que levou à retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz.
O Irã exige que os navios que desejam transitar pelo estreito obtenham sua autorização, alegando razões de segurança e soberania. Navios que não cumprem essa exigência são regularmente atacados, enquanto os Estados Unidos bombardeiam esporadicamente a costa iraniana.
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