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Em 1º discurso na França, Papa alerta contra 'derivas autoritárias' e armamentismo

Leão XIV também pediu que sociedades não tratem guerra como 'inevitável'

25 set 2026 - 10h03
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Resumo
Em visita à França, o papa Leão XIV discursou no Palácio do Eliseu alertando contra derivas autoritárias decorrentes da falta de proteção à diversidade e criticou a corrida armamentista, defendendo o diálogo para a paz. O pontífice também condenou práticas como a eutanásia e o suicídio assistido e celebrou a reconstrução da Catedral de Notre-Dame. Ao seu lado, o presidente Emmanuel Macron reforçou o compromisso com o multilateralismo e defendeu a laicidade com respeito à liberdade religiosa.

O papa Leão XIV alertou nesta sexta-feira (25), primeiro dia de sua viagem à França, que sociedades que não protegem a diversidade abrem caminho para derivas autoritárias e criticou a corrida armamentista no mundo, afirmando que "a paz não é um equilíbrio de forças".

    "Uma sociedade autenticamente livre não impõe uniformidade, mas protege a diversidade de consciências, prevenindo derivas autoritárias e promovendo um diálogo que enriquece o tecido social", declarou o Papa em pronunciamento para autoridades políticas e diplomáticas no Palácio do Eliseu, sede da Presidência, em Paris.

    "Este diálogo é ainda mais urgente no contexto da França de hoje, onde pessoas de diferentes origens culturais e religiosas são chamadas a viver juntas e a dar sua contribuição para a construção da sociedade", acrescentou.

    Leão XIV também dedicou parte central de sua fala ao cenário internacional. "Exorto-vos a nunca vos resignardes à perspectiva de uma guerra, considerando-a 'inevitável', mas a promover incansavelmente o diálogo e a diplomacia, a fim de preservar sociedades pacíficas, respeitadoras da dignidade e dos direitos da pessoa e dos povos", afirmou Robert Prevost, ressaltando que a França tem a vocação de ser "artífice da paz e do multilateralismo" diante "das crises multifacetadas que abalam o nosso mundo".

    Além disso, alertou contra a corrida armamentista e a "convicção errada de que a posse de armas nucleares constitui uma garantia de segurança". "Na verdade, a paz não é um equilíbrio de forças, mas constrói-se dia a dia com o diálogo e a justiça", disse.

    Morte abreviada - O Papa também criticou as práticas da eutanásia e do suicídio assistido, um mês depois de a França ter promulgado uma lei que garante o direito à assistência para morrer. A medida, duramente criticada pela Igreja Católica, permite que doentes em estado terminal recebam ajuda médica para abreviar a própria vida.

    "Atualmente, existe a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos. O risco é, muitas vezes, o de cair na ilusão. Quando a ciência e a tecnologia não são orientadas pela consciência, podem propor soluções imediatas que parecem responder aos desejos e às dores dos homens e das mulheres, mas que, na realidade, podem desviá-los gravemente do bem a que aspiram profundamente", alertou.

    Segundo Prevost, os "desvios atuais das sociedades" arriscam "deturpar a ciência e a tecnologia, transformando-as em empreendimentos lucrativos que favorecem as manipulações genéticas, a maternidade de substituição, o tráfico de órgãos ou a oferta de uma morte programada".

    O pontífice também saudou a reconstrução da Catedral de Notre-Dame, devastada por um incêndio em 2019. "A reabertura da catedral não é apenas o coroamento de uma proeza técnica, mas o símbolo de uma esperança reencontrada, a prova de que aquilo que se pensava estar destruído para sempre pode renascer graças à colaboração de todos. Um resultado tão belo deve inspirar nos agentes da vida política, social e religiosa do país um novo ímpeto para trabalhar incessantemente em espírito de unidade", afirmou.

    O discurso, pronunciado em francês, foi aplaudido de pé por dois minutos. O presidente Emmanuel Macron permaneceu ao lado do Papa e lhe tomou as mãos ao final, agradecendo pelas palavras.

    Macron - O chefe de Estado da França também discursou na cerimônia e garantiu que ele e o pontífice estão "do lado da paz, do multilateralismo e do respeito ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas". "A paz não é apenas o silêncio das armas. Ela pressupõe justiça, segurança, respeito aos direitos humanos e soberania das nações", salientou.

    Macron ainda assegurou que a histórica laicidade da República Francesa não significa a "negação da religião". "A França considera um dever permitir que cada um expresse o próprio ponto de vista em cada esfera de sua existência, de acreditar ou não acreditar, desde que em respeito às leis. Conduzimos uma batalha essencial para proteger os lugares de culto", declarou.

    Leão XIV desembarcou em Paris no início da manhã, dando início a uma agenda de quatro dias que também incluirá Lourdes e Metz. Essa é a primeira visita de um papa à França em 18 anos.

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Ansa - Brasil
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