Morre lenda do basquete Oscar Schmidt, aos 68 anos
Ex-atleta teve mal súbito em casa e foi levado para o hospital, mas não resistiu. Maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, "Mão Santa" lutava há 15 anos contra um câncer no cérebro.Morreu nesta sexta-feira (17/04) o ex-jogador de basquete brasileiro Oscar Schmidt, aos 68 anos. Ele estava em sua casa, no bairro de Alphaville, na Grande São Paulo, quando passou mal e foi internado às pressas no hospital.
Em nota, a família agradeceu as manifestações de solidariedade e falou da doença enfrentada pelo esportista há mais de uma década.
"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida."
"Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo", prossegue a nota.
O velório e enterro serão restritos à família e amigos.
Papel na popularização do basquete no Brasil
Conhecido pelo apelido de "Mão Santa", Oscar foi um dos maiores nomes do basquete no Brasil e no mundo.
Apesar de não ter ganhado medalha em nenhuma das cinco Olimpíadas das quais participou com a seleção brasileira, entre 1977 e 1996, foi o maior pontuador de basquete da história dos jogos, com 1.093 pontos.
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Oscar teve uma infância marcada por mudanças constantes, por ser filho de militar. Foi em Brasília, ainda adolescente, que ele encontrou o basquete. Aos 13 anos, incentivado por professores do colégio Salesiano, passou a treinar no Clube Unidade da Vizinhança, onde começou a se destacar pela facilidade para pontuar.
Aos 16 anos, mudou‑se para São Paulo, onde iniciou a carreira profissional no Palmeiras. O talento precoce abriu rapidamente as portas da seleção brasileira juvenil e, pouco depois, da equipe principal.
O momento mais emblemático de Oscar com a camisa verde‑amarela aconteceu em 1987, nos Jogos Pan‑Americanos de Indianápolis. Com 46 pontos na final, Oscar liderou uma vitória histórica sobre os Estados Unidos, que sofreram sua primeira derrota em casa no basquete masculino.
Ele protagonizou outros feitos memoráveis, como os 55 pontos contra a Espanha nos Jogos Olímpicos de Seul, 1988, recorde de uma única partida no torneio. Outro momento histórico foi quando ajudou o Brasil a conquistar o bronze no Campeonato Mundial de Basquete de 1978, nas Filipinas.
Hall da Fama
Em 1984, Oscar foi chamado para jogar por um time da liga americana, o New Jersey Nets, mas ele recusou o convite. À época, atletas da NBA não podiam defender suas seleções, e ele optou por priorizar a camisa do Brasil.
Em vez da NBA, construiu uma carreira na Europa, especialmente na Itália. Atuou por 11 temporadas no país, sobretudo pelo Juvecaserta e pelo Pavia, tornando‑se o maior pontuador estrangeiro da história do Campeonato Italiano. Também teve passagem pela Espanha antes de retornar ao Brasil nos anos finais da carreira.
Somando clubes e seleção, Oscar encerrou a carreira com 49.737 pontos. Por décadas, foi considerado o maior pontuador da história do basquete mundial, marca superada apenas recentemente pelo americano LeBron James.
O reconhecimento máximo de sua carreira veio em 2013, com sua inclusão no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, nos Estados Unidos - o mais importante espaço de honra do basquete mundial, uma espécie de "galeria dos imortais" do esporte.
Nove dias antres de morrer, Oscar entrou para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), e foi representado na cerimônia por seu filho, Felipe Schmidt.
"Hoje o mundo perde um ídolo, e eu perco meu pai. Hoje não está sendo um dia fácil. Quando as pessoas diziam que a dor de perder um pai ou uma mãe é inexplicável, elas tinham razão. Um vazio se cria dentro de você, você fica sem chão, e parece que um pedaço de você foi arrancado", publicou em suas redes sociais o filho do atleta.
sf (Agência Brasil, OTS)
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