Mitos e verdades sobre transplante capilar: o que realmente importa antes de decidir pela cirurgia
Com alta na procura no Brasil, especialista explica o que é fato, o que é exagero. E por que a técnica sem raspagem ganha espaço, especialmente entre mulheres
O transplante capilar vive um momento de expansão no Brasil e também de questionamento. O aumento da demanda, impulsionado por novas tecnologias e pela entrada de públicos mais jovens e femininos, vem acompanhado de dúvidas sobre custos, dor, recuperação e resultados reais. Ao mesmo tempo, o crescimento do procedimento é consistente: a busca aumentou mais de 250% nos últimos 11 anos, segundo a Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC), refletindo a popularização da cirurgia e a ampliação do acesso.
A mudança no perfil do público é outro fator relevante. Dados da International Society of Hair Restoration Surgery (ISHRS) mostram aumento de 16,5% na procura feminina entre 2021 e 2024. Estudos epidemiológicos indicam que a procura das mulheres se justifica: metade delas pode apresentar algum grau de queda ou afinamento capilar genéticos ao longo da vida, frequentemente associado a fatores hormonais, estresse, doenças e alterações metabólicas. Já a alopécia fibrosante frontal, doença estigmatizante majoritariamente feminina que compromete a testa e as sobrancelhas, destruindo os folículos internamente de forma definitiva, cresce em todo o mundo em curva epidêmica. Ela é considerada a única urgência da tricologia médica, já que a melhor chance de tratamento das pacientes ocorre quando o diagnóstico é precoce.
Crescimento e novo perfil de público
Para o cirurgião plástico Marcelo Pitchon, referência mundial em transplante capilar, o avanço da procura exige mais informação qualificada. "Existe hoje um descompasso entre a sofisticação da técnica e a banalização dos riscos e limitações, além da forma imprecisa como o procedimento é muitas vezes divulgado. Transplante capilar não é só cirurgia: envolve escuta apurada do paciente, diagnóstico preciso, planejamento estético de longo prazo, alinhamento de expectativas, e acompanhamento pós-operatório por no mínimo 12 meses. Quando nada disso é levado em consideração, podem surgir sequelas e frustrações", afirma.
Nesse cenário, a tecnologia que evita a raspagem dos fios e permite a visualização imediata do resultado com uso de fios longos ganham relevância, sobretudo por reduzir barreiras estéticas e sociais que historicamente afastaram o público feminino.
Inovação técnica e o público feminino
Pitchon é um dos especialistas que atua nessa linha. Foi ele quem desenvolveu a metodologia do transplante com fios longos sem raspagem da cabeça, batizado de Preview Long Hair. A técnica permite visualizar o resultado no mesmo dia, sem necessidade de raspar a cabeça, e o verdadeiro luxo de se poder retornar imediatamente ao convívio social com discrição total e sem denotar a cirurgia, evidenciando apenas uma imagem melhorada com mais volume, - fator decisivo para muitas mulheres.
Mitos e verdades sobre o procedimento
Todo transplante dói durante a cirurgia
Parcialmente verdade. Com paciente operado em clínica ou em hospital com alvará sanitário vigente, com a cirurgia eletiva feita por médico cirurgião e anestesista devidamente capacitados e com experiência em anestesia por sedação intravenosa, nenhum procedimento deve doer e, se doer, é por algo imponderável que pode ocorrer em qualquer ato médico, mas fora da rotina e do dia-a-dia da especialidade. Quando a cirurgia é realizada sob anestesia local, nas mesmas condições acima, pode ocorrer alguma dor apenas durante anestesia, assim como quando se faz anestesia odontológica. Essa dor é um ardor ou uma sensação de "pinicar", muito bem tolerada pela imensa maioria dos pacientes..
É preciso raspar a cabeça
Mito. Técnicas consagradas tradicionais e muito populares no mundo todo ainda exigem raspagem, mas métodos mais discretos que não evidenciam a cirurgia, como o transplante com fios longos, preservam o comprimento dos cabelos. Isso é especialmente relevante para pacientes que não querem interromper a rotina social ou profissional, como executivos, profissionais da televisão, políticos e vários outros
O resultado final demora meses para aparecer
Verdade. O crescimento completo dos fios leva meses, mas técnicas com fios longos permitem visualização imediata do resultado, por cerca de 21 dias. Isso reduz a ansiedade do paciente quanto à naturalidade do resultado conquistado pois a técnica permite ao cirurgião controle visual total dos detalhes artísticos dos fios transplantados cirurgião descobrir ainda durante o procedimento.
O transplante resolve qualquer tipo de queda
Mito. Queda ativa, distúrbios hormonais, doenças autoimunes e alterações metabólicas precisam de tratamento clínico. O transplante redistribui fios existentes, não cria novos folículos. Em casos raros, alguns pacientes podem não ter boa resposta de crescimento após o transplante.
É um procedimento simples
Mito. Apesar de minimamente invasivo, trata-se de uma cirurgia como qualquer outra. Devem ser tomados todos os cuidados médicos pré-operatórios como exames e avaliação do risco cirúrgico. Do ponto de vista artístico, é uma das mais complexas cirurgias estéticas, demandando várias horas de trabalho intenso e concentrado de equipes com 4 a 8 profissionais na sala de cirurgia, sem contar anestesista e staff da clínica ou do hospital - e o uso de equipamento eletrônicos e óticos de alta precisão, como micromotores, lupas e microscópios.
Os custos se limitam à cirurgia
Parcialmente verdade. O custo total deve ser informado previamente. Em casos raros de complicações, podem ser necessárias condutas adicionais. Medicamentos, terapias complementares e cuidados pós-operatórios de rotina devem ser previamente informados. Complicações inerentes a todo ato médico podem elevar o valor final, embora, na maioria dos casos, esses custos sejam baixos.
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