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Militares da Alemanha ajudam Polônia a reforçar defesas contra Rússia e Belarus

21 ago 2026 - 16h11
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Resumo
Com o apoio de engenheiros militares da Alemanha, a Polônia constrói o Escudo Oriental, sistema defensivo de 800 km na fronteira com a Rússia e Belarus para dissuadir agressões. Líder proporcional em gastos militares na Otan (quase 5% do PIB), o país reforça seu flanco leste em cooperação com Berlim. A iniciativa consolida a integração na defesa europeia, embora a presença militar alemã ainda enfrente resistências políticas internas decorrentes de tensões históricas.

Com apoio de engenheiros militares alemães, a Polônia está erguendo um sistema de defesa de 800 quilômetros na fronteira leste da Otan, para fazer frente a possíveis ameaças da Rússia e Belarus.Há dois anos, a Polônia vem construindo uma barreira de proteção ao longo da fronteira com Rússia e Belarus. O sistema defensivo, com cerca de 800 quilômetros de extensão, deve ajudar a proteger o país, localizado no flanco leste da Otan, de uma hipotética agressão exterior.

Soldados poloneses e alemães trabalham em conjunto para reforçar as fortificações ao longo da fronteira polonesa
Soldados poloneses e alemães trabalham em conjunto para reforçar as fortificações ao longo da fronteira polonesa
Foto: DW / Deutsche Welle

O objetivo do projeto é a "dissuasão do potencial agressor", disse o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, durante uma visita ao local, em novembro de 2024. "Este é um verdadeiro investimento na paz", enfatizou na ocasião.

A invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, abalou profundamente a sensação de segurança dos poloneses. O governo Tusk elevou os gastos com defesa para 2026 a 200 bilhões de zlotys (R$ 282 bilhões), quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Com isso, a Polônia se tornou o membro da Otan que proporcionalmente mais investe em defesa.

O governo também adquiriu armamentos de última geração, sobretudo dos Estados Unidos, e iniciou a construção de um complexo sistema de defesa na fronteira oriental, conhecido como "Escudo Oriental".

Um escudo contra a Rússia

Desde junho, cerca de 40 engenheiros militares alemães ajudam na construção das fortificações. Esses soldados da Bundeswehr, as Forças Armadas alemãs, receberam treinamento específico para dificultar o avanço de tropas inimigas. Eles atuam na região da Masúria, perto de Budry, não muito longe da fronteira com exclave russo de Kaliningrado, uma área que até 1945 fazia parte do antigo território alemão da Prússia Oriental. Do local onde trabalham, é possível avistar a cerca que marca a fronteira; apenas uma fileira de árvores em território polonês bloqueia parcialmente a visão.

Os militares alemães constroem barreiras capazes de conter o avanço de tanques de guerra. Uma retroescavadeira amarela posiciona enormes blocos de concreto, conhecidos como "ouriços tchecos", sobre o terreno lamacento. A estrutura, situada a cerca de 200 metros da fronteira, consiste em três fileiras desses obstáculos. Junto à linha fronteiriça, há ainda uma vala profunda e outra linha de barreiras. Entre as duas linhas de defesa antitanque, minas podem ser instaladas a qualquer momento, explica um oficial polonês.

"Os engenheiros alemães fizeram um trabalho excelente", elogiou o general polonês Stanislaw Czosnek durante uma inspeção das obras nesta quinta-feira (20/08).

Segundo ele, o desempenho dos colegas alemães é impressionante, uma vez que em seis semanas de atuação, eles construíram mais de um quilômetro dessas barreiras.

"Estamos prontos para lutar pela democracia e pela liberdade", afirmou o general alemão Tilo Gante, que acompanhava a visita.

Ele destacou o espírito de camaradagem entre soldados alemães e poloneses. "Estamos ombro a ombro", acrescentou. A Bundeswehr classificou oficialmente o apoio ao Escudo Oriental como uma missão. "Queremos preservar a paz por meio de uma dissuasão credível", explicou o general.

O contingente alemão permanecerá na região até outubro. Em seguida, os engenheiros militares deverão ser deslocados para outras áreas do Escudo Oriental. As obras perto de Budry devem ser concluídas já na próxima semana.

"A participação dos engenheiros alemães tem, sobretudo, um significado político e simbólico", afirma Lukasz Jasinski, analista do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais (PISM), em entrevista à DW.

Segundo ele, a Polônia quer convencer a Alemanha e outros parceiros de que sua fronteira oriental também é a fronteira externa da União Europeia e da Otan. "Nossos parceiros ocidentais deveriam tratar essa fronteira um pouco como se fosse a sua própria", afirma.

Após o fim da Guerra Fria, Polônia e Alemanha desenvolveram rapidamente a cooperação militar. A entrada da Polônia na Otan, em 1999, criou as bases políticas e institucionais para uma colaboração mais estreita. Na cidade polonesa de Estetino está sediado o Quartel-General do Corpo Multinacional Nordeste da Otan, no qual Alemanha e Polônia desempenham papel de liderança.

Em 2003, a Alemanha transferiu à Polônia os caças MiG-29 que pertenciam ao antigo Exército da Alemanha Oriental por um preço simbólico de um euro por unidade. Desde então, exercícios militares conjuntos e programas de intercâmbio entre oficiais e soldados tornaram-se rotina.

A invasão russa da Ucrânia, em 2022, provocou inicialmente tensões entre Varsóvia e Berlim devido à postura cautelosa da Alemanha. No entanto, o conflito acabou fortalecendo a cooperação entre os dois países. A Bundeswehr apoiou a defesa aérea polonesa com sistemas Patriot operados por militares alemães. Além disso, caças alemães participam da proteção do espaço aéreo da Polônia, mais recentemente no âmbito da missão da OTAN Enhanced Air Policing North (eAPN), na cidade polonesa de Malbork.

Nem todos na Polônia gostam de cooperar com alemães

As questões de cooperação militar ocuparam papel central também na declaração conjunta divulgada após as consultas governamentais entre Alemanha e Polônia, em 1º de dezembro de 2025. Um marco desse processo foi a assinatura do acordo bilateral de defesa entre os dois países, em 17 de junho de 2026.

Mas essa aproximação militar não agrada a todas as forças políticas polonesas. As lembranças das feridas deixadas pela Segunda Guerra Mundialcontinuam presentes na sociedade e são frequentemente exploradas pelo partido conservador Lei e Justiça (PiS), atualmente na oposição ao governo Tusk, para estimular sentimentos antialemães com objetivos eleitorais.

Em 2014, o líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, afirmou não desejar a presença de soldados alemães em território polonês.

"Será preciso esperar pelo menos sete gerações para que isso seja aceitável", declarou na época.

Quando o governo alemão ofereceu, no fim de 2022, enviar duas baterias Patriot à Polônia após um incidente envolvendo um míssil ucraniano desviado de rota, o então governo do PiS bloqueou a iniciativa.

"O comportamento da Alemanha até agora não dá motivos para acreditar que ela estaria disposta a atirar contra mísseis russos", justificou Kaczynski.

Em março, o presidente polonês, Karol Nawrocki, apoiado pelo PiS, bloqueou um crédito europeu para defesa no valor de quase 44 bilhões de euros destinado à Polônia, alegando que os recursos poderiam beneficiar também empresas alemãs do setor bélico.

EUA continuam sendo o principal aliado militar

A Polônia considera os Estados Unidos o principal garantidor de sua segurança e busca manter uma relação privilegiada com Washington. Atualmente, cerca de 10 mil soldados americanos estão estacionados em diferentes regiões do país.

O governo polonês também tenta obter uma base militar permanente dos EUA em seu território. Por enquanto, uma parte significativa das tropas americanas atua em regime de rodízio.

Nas comemorações do Dia das Forças Armadas da Polônia, em 15 de agosto, três aeronaves alemãs participaram do evento: dois caças Eurofighter e um avião de transporte A400M. Entre os convidados de honra estava o comandante da Força Aérea Alemã, Holger Neumann.

Na parada militar, porém, marcharam soldados americanos, mas nenhum militar alemão.

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