Mercosul e União Europeia formalizam acordo de livre comércio em Assunção
Tratado assinado neste sábado (17) integra um mercado de 720 milhões de pessoas e estabelece a redução progressiva de tarifas de exportação entre os dois blocos econômicos
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e representantes do Mercosul oficializaram, neste sábado (17), a assinatura do acordo de livre comércio entre os blocos. A cerimônia ocorreu em Assunção, no Paraguai. Em seu pronunciamento, Von der Leyen afirmou que a medida prioriza o comércio em detrimento de barreiras tarifárias e busca estabelecer uma cooperação voltada a resultados para as populações envolvidas.
O tratado, cujas negociações foram iniciadas em 1999, une economias que somam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões. As cláusulas estabelecem cronogramas distintos para a abertura de mercado:
-
Mercosul: Comprometimento em eliminar tarifas sobre 91% das mercadorias oriundas da União Europeia em um prazo de 15 anos.
-
União Europeia: Previsão de retirada progressiva de impostos sobre 92% dos produtos exportados pelo Mercosul em até 10 anos.
Além do aspecto comercial, o documento prevê a criação de mecanismos para o diálogo sobre temas geopolíticos. Entre os pontos citados estão a proteção ambiental e a reestruturação de instituições internacionais.
De acordo com projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil apresenta o maior potencial de ganho econômico com a medida. O estudo indica um impacto positivo de 0,46% no PIB brasileiro (equivalente a US$ 9,3 bilhões) até o ano de 2040. Para o bloco do Mercosul, a estimativa de crescimento é de 0,2%, enquanto para a União Europeia o índice projetado é de 0,06%.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, atual ocupante da presidência temporária do Mercosul, conduziu a abertura do evento. Em seu discurso, Peña mencionou a colaboração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para a conclusão do tratado.
O Brasil foi representado na cerimônia pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A ausência do chefe do Executivo brasileiro foi registrada, mantendo-se a representação por meio do corpo diplomático do Itamaraty durante o ato em Assunção.