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Mercedes-Benz poderá começar a produzir armas, sugere presidente

16 mai 2026 - 18h55
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Setor armamentista é "nicho em crescimento" diante do aumento dos gastos militares nos países europeus - em contraste com o automotivo, que está em crise.A montadora alemã Mercedes-Benz está aberta para a expansão de seus negócios em direção à indústria armamentista, sugeriu o diretor-presidente do grupo, Ola Kaellenius, em uma entrevista publicada pelo jornal americano Wall Street Journal na sexta-feira (15/05).

"O mundo tornou-se mais imprevisível, e acho que está bastante claro que a Europa precisa fortalecer suas capacidades de defesa", afirmou Kaellenius. "Se pudermos desempenhar um papel positivo nessa área, estaremos prontos para fazê-lo", disse o CEO da Mercedes.

Segundo ele, os pontos fortes da Mercedes como fabricante de grande escala podem ajudar a empresa a atuar de forma mais direta no setor armamentista. "O que os fabricantes de automóveis fazem extremamente bem - e nós somos bons nisso - é a produção de máquinas de precisão de alta qualidade em grandes quantidades", declarou ao WSJ.

De acordo com o jornal, Kaellenius prevê que o setor de defesa representaria apenas uma pequena parcela dos negócios em comparação com a fabricação de carros de passeio e vans. No entanto, esse "pode ser um nicho em crescimento que também poderia contribuir para nossos resultados financeiros", disse ele. "Então, vamos ver."

Garantia de empregos, diz Mercedes-Benz

Consultada pela agência de notícias Deutsche Presse Agentur (dpa), a Mercedes-Benz, por sua vez, destacou desenvolve e produz, em princípio, veículos civis. De acordo com a montadora, as atividades no setor de segurança e defesa constituem uma área estratégica de desenvolvimento que continua a ser moldada de forma ativa e em cooperação com parceiros.

"Com veículos modificáveis para missões de segurança e defesa, há décadas reforçamos a política de defesa e segurança da Europa e da Otan - e, ao mesmo tempo, garantimos a sustentabilidade e os empregos em nossas unidades", afirmou a empresa. A Mercedes também acrescentou que, há muitos anos, também são fornecidos chassis a empresas especializadas, "que os adaptam e comercializam para aplicações militares sob sua própria responsabilidade e marca".

Indústria de armas em expansão

Diante do aumento dos gastos militares na Europa em meio à guerra na Ucrânia, a indústria de armas vem ganhando cada vez mais destaque como um possível setor de crescimento para as montadoras alemãs, que enfrentam crises com redução de empregos e uma acirrada concorrência chinesa.

No final de abril, a agência Reuters noticiou que a Volkswagen, maior montadora da Europa, estaria negociando com a empresa israelense de defesa e fabricante do Domo de Ferro de Israel, a Rafael Advanced Systems, na reconversão de uma fábrica em Osnabrück para a produção de sistemas de defesa antimísseis - o que a VW negou.

Porém, no final de março, o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, havia dito estar "em contato" com empresas do setor de defesa, particularmente aquelas envolvidas em antimísseis, para converter uma fábrica alemã para a produção de equipamentos de transporte militar.

Além disso, no início desta semana, a empresa de defesa Rheinmetall anunciou uma parceria com a Deutsche Telekom para o desenvolvimento de um escudo de defesa contra drones.

fcl (dpa, Reuters, AFP)

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