Lula acusa Nikolas de usar fake news do Pix para "defender crime organizado"; PT pede prisão do deputado
O presidente Luiz InácioLula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (28) que declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) espalharam desinformação sobre o Pix e serviram para "defender o crime organizado".
Segundo o chefe do Executivo, a acusação de que o governo planejava taxar o sistema de pagamentos digitais criou instabilidade e abriu espaço para empresas ligadas ao PCC. "Tem um deputado que fez campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs. E, agora, está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado", disse Lula, em entrevista concedida à Rádio Itatiaia.
A polêmica ganhou força no início do ano, quando um vídeo com a denúncia circulou nas redes. Embora o presidente não tenha citado o parlamentar nominalmente em sua fala, as declarações foram direcionadas a ele. Lula acrescentou que a apuração "vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país".
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, declarou que a propagação das notícias falsas prejudicou a fiscalização sobre fintechs. Essas empresas, de acordo com investigações, foram usadas em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. "Essas fake news foram tão fortes, que, apesar de todo o esforço da Receita Federal, nós não conseguimos seguir essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava", afirmou após as operações deflagradas ontem contra a atuação do Primeiro Comando da Capital em atividades da economia formal.
Deputado do PT pede à PGR a prisão de Nikolas Ferreira
A ofensiva deflagrada nesta quinta-feira pela Receita e pela Polícia Federal mirou um sistema de ocultação de patrimônio que teria movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Foram identificados mais de mil postos de combustíveis, fintechs atuando como "bancos paralelos" e cerca de 40 fundos de investimento usados para mascarar valores ilícitos.
A investigação apontou que parte da rede criminosa se aproveitou da revogação de uma norma da Receita, derrubada após pressão popular gerada pelo vídeo de Nikolas. O dispositivo previa monitoramento mais rígido sobre operações digitais.
Enquanto isso, no Congresso, o deputado Reimont (PT-RJ) protocolou um pedido na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o órgão investigue Nikolas. No documento, o parlamentar solicita ainda que seja avaliada a decretação da prisão preventiva do bolsonarista.
Reimont citou no ofício que a desinformação em torno do Pix ajudou a enfraquecer a fiscalização sobre fintechs. Também mencionou que, em maio, um primo de Nikolas foi preso com 30 quilos de maconha no carro. Para ele, há necessidade de verificar "possíveis vínculos" entre o deputado e o parente detido.