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Lavagem de dinheiro e PCC: O planejamento e a integração institucional no combate ao crime organizado

6 set 2025 - 18h09
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Um dos grandes desafios do Brasil é conseguir alinhar esforços entre as diferentes esferas de governo - municipal, estadual e federal - em torno de objetivos comuns. Muitas vezes, o que se vê são disputas políticas e partidárias que, em vez de resolver problemas, paralisam o País. É como se a polarização tivesse, de uns tempos para cá, tomado conta do debate, deixando em segundo plano aquilo que realmente importa: resultados concretos para a população.

Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas
Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas
Foto: Divulgação / Perfil Brasil

Porém, quando se consegue deixar de lado as diferenças ideológicas e colocar a gestão à frente da política de confronto, os frutos aparecem. A boa governança, afinal, não depende apenas de boas intenções, mas, sim, da capacidade de integrar e de somar forças. Essa coordenação é o que transforma ações pontuais em medidas efetivas, capazes de gerar impacto real e duradouro.

Um exemplo claro disso aconteceu há poucos dias, com uma mega operação contra a lavagem de dinheiro do crime organizado. O trabalho nasceu de investigações conduzidas pelo Ministério Público (MP) de São Paulo, mas não parou por aí. O expediente foi ampliado e fortalecido, graças à integração com a Receita Federal e a Polícia Federal (PF). Essa união de esforços permitiu que a ação ultrapassasse as fronteiras de São Paulo, atingisse outros estados e desarticulasse uma rede criminosa de alcances nacional e internacional.

Vale destacar que a operação não foi fruto de improviso. Muito pelo contrário: dependeu de planejamento e de integração institucional. O MP entrou com a expertise investigativa, enquanto a Receita Federal contribuiu com Inteligência Tributária e Financeira, seguindo e monitorando o

"caminho do dinheiro ilícito".

Já a PF garantiu a execução, com direito à busca, apreensão e mandado de prisão, em vários pontos do Brasil. Em suma: cada instituição cumpriu seu papel, e todas atuaram em sinergia.

Essa soma de competências produziu um resultado que dificilmente seria alcançado se cada uma tivesse agido isoladamente: foram centenas as operações simultâneas em vários municípios, com mais de 1,4 mil agentes de Segurança e de Inteligência nas ruas. Em suma: um ataque pesado ao financiamento e à lavagem de dinheiro, o

"branqueamento de capital".

Esse exemplo oferece lição importante: quando o foco está no bem comum, o Brasil funciona, e funciona melhor! Assim, pouco importa quem foi o "

pai

" da operação: se foi governador, secretários, ministros, ou o presidente da República. Para o cidadão comum, que muitas vezes se sente preterido em meio a disputas políticas, o importante é o resultado.

Por isso, é preciso insistir na ideia de

"mais gestão, menos polarização"

. Não se trata de negar as diferenças políticas ou ideológicas, que são parte da Democracia, mas de compreender que, diante de incômodos reais, como a atuação de facções criminosas, a violência, a falta de infraestrutura e as desigualdades sociais (só para citar algumas), não há espaço para disputas estéreis. A população cobra soluções, e não discursos.

Se quisermos um País mais forte, justo e seguro, precisamos continuar a trilhar por esta avenida. E isso só será possível quando a Política deixar de ser palco de polarização e voltar a ser instrumento de gestão eficiente.

* Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário no curso de Direito, também é presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo, e foi prefeito de Santo André-SP, de 2017 a 2024.

Leia também: Conheça a 'Dama do Crime': a mulher por trás da lavagem de dinheiro do Comando Vermelho

Perfil Brasil
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