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Justiça

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‘Não aponte o dedo para mim’: Mendonça e Gilmar protagonizam bate-boca em julgamento de Moraes no STF

Ministros trocaram acusações durante discussão sobre suposto viés político-eleitoral na condução de investigação do caso Master

15 set 2026 - 13h19
(atualizado às 14h36)
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Gilmar Mendes cita a Nasa e diz que ‘qualquer cidadão’ não afastaria diretor da PF; Fux rebate:

Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um bate-boca durante o julgamento para decidir a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, colega de ambos no Supremo Tribunal Federal (STF). A discussão ocorreu depois de Gilmar questionar a forma como informações relacionadas a diferentes integrantes da Corte foram reunidas e afirmar que haveria um tratamento desigual na condução das apurações.

Em sua manifestação, Gilmar criticou o que classificou como uma diferença de rigor na investigação. “E esse, a meu ver, é o verdadeiro problema institucional que se apresenta neste acordo. A pergunta não é saber se este ou aquele ministro deve ser investigado. A pergunta é se continuaremos a admitir que o rigor da perseguição penal seja distribuído conforme a identidade do investigado”, afirmou Gilmar.

O ministro então elevou o tom ao dizer que havia, em sua avaliação, um “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do caso. Gilmar citou a escolha do 7 de Setembro e acusou o processo de envolver a Corte em um contexto de disputa eleitoral. “Com toda sinceridade. Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo esta corte em campanha eleitoral”, declarou.

A afirmação provocou reação imediata de Mendonça, que conduzia o relatório do caso. O ministro classificou a fala de Gilmar como “leviana” e afirmou que a acusação havia sido feita de maneira indevida. A Presidência da sessão precisou intervir para controlar o confronto e lembrar que Mendonça aguardasse sua vez de falar.

“Vossa Excelência está sendo leviano, ministro Gilmar. De forma indevida”, respondeu Mendonça.

Na sequência, Gilmar retomou a crítica, enquanto Mendonça reagiu diretamente ao tom adotado pelo colega. “Leviano. Leviano. Vossa Excelência não tem a palavra”, disse Gilmar. 

Pouco depois, Mendonça disparou: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal”, disse Mendonça. 

“Quem não se dá respeito não merece respeito”, respondeu Gilmar. 

Gilamer Mendes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal
Gilamer Mendes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal
Foto: Divulgação/STF

O que está em análise?

O julgamento trata de um suposto elo entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e pela primeira vez na história da Corte, um ministro pode ocupar o rol dos investigados. A sessão plenária extraordinária começou às 10h. 

O Plenário da Corte avalia o relatório da Polícia Federal (PF), pedido por Mendonça, que apontou envios de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes. Entre os principais destaques do documento estão solicitações do-ex banqueiro para que o ministro atuasse junto à cúpula da corporação e à Procuradoria-Geral da República, além de questionamentos sobre o avanço da Operação Compliance Zero, para interromper as investigações relacionadas a negócios fraudulentos envolvendo o banco. 

As conversas foram extraídas do celular do ex-Master e teriam ocorrido entre 4 e 17 de novembro de 2025, período que antecedeu a primeira prisão do banqueiro. Nas mensagens, Vorcaro pergunta se deveria deixar o País para evitar a prisão e faz referências a delegados e procuradores envolvidos nas apurações. Como eram enviadas em formato de visualização única, por meio de capturas de tela, a investigação teve acesso apenas ao conteúdo encaminhado pelo banqueiro, sem recuperar as respostas de Moraes.

Também estará em discussão o pedido de nulidade apresentado pela PGR, além da possibilidade de abertura ou arquivamento de uma investigação contra Moraes. No começo do mês, a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela nulidade da apuração solicitada por Mendonça.

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Fonte: Portal Terra
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