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Justiça

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Conselho do MPF tem 3 a 0 para manter Gonet no caso Master e 2 a 1 contra investigação do PGR por elo com Vorcaro

Voto do relator rejeitou pedido de afastamento de Gonet e afirmou que eventual questão processual deve ser analisada no STF

25 set 2026 - 12h45
(atualizado às 14h49)
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O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) tem 3 a 0 para manter o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no comando dos procedimentos relacionados ao extinto Banco Master e 2 a 1 contra investigação do PGR por elo com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do banco. Votaram a favor de Gonet o relator do caso, subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, e o subprocurador Celso de Albuquerque Silva. A subprocuradora Janice Ascari defendeu uma apuração preliminar, mantendo o PGR no cargo.

O CSMPF é o órgão máximo de deliberação do MPF, tem 10 integrantes, incluindo o próprio Gonet, que preside o colegiado, mas não não participou da análise e votação do procedimento que trata de sua própria atuação. A sessão desta sexta-feira, 25, está sendo presidida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A maioria será formada quando uma das posições chegar ao quinto voto.

Veja como cada um votou

  • Francisco de Assis Vieira Sanseverino

Procurador-geral da República Paulo Gonet
Procurador-geral da República Paulo Gonet
Foto: Rosinei Coutinho/STF

O primeiro voto favorável a Gonet foi feito pelo relator do caso, subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino. Sanseverino dividiu a análise em diferentes pontos. No primeiro deles, tratou dos pedidos para afastar Gonet do caso por eventual impedimento ou suspeição nos procedimentos que tramitam no STF. O relator afirmou que não caberia ao Conselho decidir sobre essa questão.

Durante o voto, o relator ainda afirmou que as mensagens citando o PGR pelo ex-banqueiro do Master não podem ser “examinadas de forma isolada e descontextualizada”

"Vale dizer, nas mensagens não há comunicação direta entre o investigado Daniel Vorcaro e o PGR. Daí que se torna necessário contextualizar a questão”, declarou ao mencionar o relatório da Polícia Federal. “Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponde à realidade dos fatos”, enfatizou. 

Sanseverino também afirmou que não há na lista de contatos do celular do ex-banqueiro o registo de “Paulo Gonet” ou “Gonet”, somente menções ao procurador-geral feitas por terceiros, como o advogado Ciro Soares. Ele ainda sustentou que as referências ao PGR enfraquecem a tese de uma “amizade íntima” entre os dois.

  • Janice Agostinho Barreto Ascari

Sub-procuradora-geral da República, Janice Agostinho Barreto Ascari
Sub-procuradora-geral da República, Janice Agostinho Barreto Ascari
Foto:

No voto acompanhando o relator, a subprocuradora Ascari também disse que o tom “cordial, gentil e educado” de Gonet não indicaria proximidade com o banqueiro. Segundo a subprocuradora, o “trato delicado” é uma característica da personalidade do procurador-geral da República. De acordo com ela, essa característica seria compatível com a versão apresentada por Gonet sobre o contato.

“Efetivamente é de conhecimento de todos aqui que o Dr. Paulo Gonet é uma pessoa absolutamente gentil, cordial, educada, de um trato tão delicado com as pessoas”, afirmou a procuradora. Ainda assim, ela abriu divergência e defendeu uma apuração preliminar sobre a relação entre Gonet e Vorcaro.

  • Celso de Albuquerque Silva

Subprocurador-geral da República, Celso de Albuquerque Silva
Subprocurador-geral da República, Celso de Albuquerque Silva
Foto: Reprodução/MPF

Durante seu voto, o subprocurador-geral da República afirmou que, pelos dados obtidos pela Polícia Federal, não lhe pareceu “crível” que ambos tenham um “especial apreço” um pelo outro. Silva também abordou a ligação entre Gonet e Vorcaro, em março de 2025, intermediada por Ciro Soares. 

“Como uma simples conversa, ligação feita por um advogado, pode significar um especial apreço?”, questionou. Silva também destacou o fato de Vorcaro não ter o número de Gonet salvo em sua agenda do celular, o que provaria seu ponto. “Um amigo íntimo não ter seu número salvo? Não me pareceu crível que poderia se falar em especial apreço”, diz ao rejeitar a ideia de “amigos íntimos.”

Fonte: Portal Terra
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