Júri do caso Sarah é dissolvido após impasse entre defesa e acusação em Porto Alegre
Julgamento dos acusados pela morte da estudante da UFRGS Sarah Domingues e do comerciante Valdir Pereira foi interrompido após divergências processuais
O Tribunal do Júri que julgava três acusados pelo assassinato da estudante da UFRGS Sarah Domingues e do comerciante Valdir Pereira foi dissolvido em Porto Alegre após impasses entre defesa e acusação. O crime ocorreu em janeiro de 2024, quando Sarah fazia pesquisas para o TCC e foi atingida por disparos direcionados a Valdir, que contrariava o tráfico local. Presos desde fevereiro daquele ano, os réus respondem por homicídio qualificado e aguardam a Justiça remarcar uma nova data para o júri.
O Tribunal do Júri dos três acusados pela morte da estudante de Arquitetura da UFRGS Sarah Silva Domingues, de 28 anos, e do comerciante Valdir dos Santos Pereira, de 53 anos, foi dissolvido nesta quinta-feira (17), no Foro Central de Porto Alegre. A interrupção ocorreu após um impasse envolvendo a defesa de um dos réus e questões processuais discutidas durante a sessão. Com a decisão, o julgamento precisará ser remarcado pela Justiça.
O júri havia começado pela manhã e analisaria a participação de Leonardo da Silva Mallet, Irineo Lopes Kaiper e Jessé Gonçalves Kaiper no duplo homicídio ocorrido em janeiro de 2024, na Ilha das Flores. Os três respondem por homicídio qualificado e estão presos desde fevereiro daquele ano.
Antes mesmo do início dos depoimentos, o advogado de um dos acusados apresentou questionamentos relacionados ao prazo concedido para a preparação da defesa. O pedido inicial não foi acolhido pelo juiz responsável, e a sessão prosseguiu. Entretanto, ao longo do dia, as discussões processuais acabaram levando à dissolução do conselho de sentença e à interrupção do julgamento.
Mãe de Sarah pediu justiça durante depoimento
Antes da suspensão dos trabalhos, a mãe da estudante, Maria Marta da Silva Domingues, foi ouvida como primeira testemunha do processo.
Em um dos momentos mais emocionantes da sessão, ela relatou o impacto da perda da filha para a família.
"Não tenho vida, eu sobrevivo depois da morte da minha filha", afirmou durante o depoimento.
A mãe também lembrou os planos interrompidos pela morte de Sarah, incluindo o casamento que a jovem planejava e a conclusão da graduação em Arquitetura e Urbanismo.
Familiares, amigos e integrantes de movimentos estudantis realizaram manifestações em frente ao Foro Central pedindo justiça pelas vítimas.
Estudante fazia pesquisa para o TCC quando foi morta
Sarah Domingues foi assassinada em 23 de janeiro de 2024 enquanto realizava entrevistas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Ilha das Flores, em Porto Alegre.
Segundo a investigação, ela pesquisava os impactos das enchentes e as condições de vida da comunidade local quando foi atingida por disparos efetuados contra o comerciante Valdir Pereira, apontado como o verdadeiro alvo do ataque.
O Ministério Público sustenta que Valdir era perseguido por se opor à atuação do tráfico de drogas na região onde vivia. Sarah teria sido atingida porque estava próxima ao comerciante no momento da execução.
As investigações apontaram que os criminosos passaram pelo local em uma motocicleta e efetuaram ao menos 18 disparos de pistola calibre 9 milímetros. O ataque teria durado cerca de 20 segundos.
Caso segue sem definição
Inicialmente, quatro pessoas chegaram a ser denunciadas pelo Ministério Público. Posteriormente, uma mulher apontada como intermediária da ação criminosa foi impronunciada pela Justiça e retirada do processo. Assim, apenas três réus foram submetidos ao julgamento.
Com a dissolução do júri, o processo retorna para nova organização judicial. Caberá ao Tribunal de Justiça definir uma nova data para que os acusados sejam novamente levados a julgamento popular.
Até que o júri seja realizado, permanecem válidas as acusações formuladas pelo Ministério Público, sem que haja decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos réus.
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