Jornal satírico revolta franceses com charge sobre morte da mãe de técnico da França
Charlie Hebdo foi duramente criticado após ironizar o falecimento da mãe do treinador da seleção francesa de futebol
O renomado jornal satírico francês Charlie Hebdo se envolveu em uma nova e grande controvérsia global nesta semana. A publicação gerou profunda indignação ao divulgar uma ilustração que ironiza diretamente a morte da mãe do técnico da seleção da França, o ex-jogador Didier Deschamps. O desenho foi publicado na última quarta-feira, apenas um dia após a confirmação oficial do falecimento da familiar do comandante técnico.
A ilustração foi produzida pelo cartunista Felix e associa a dor familiar ao sucesso esportivo do treinador. Na imagem polêmica, o técnico aparece erguendo uma urna funerária estilizada em formato de troféu, que traz a palavra mãe escrita na peça. O desenho ainda é acompanhado pela frase afirmando que Didier Deschamps traz a taça para casa, fazendo uma clara alusão ao título mundial conquistado por ele no futebol.
Charge ironiza luto de treinador francês
Por conta do acontecimento trágico e do período de luto, o treinador precisou deixar imediatamente a concentração da seleção da França. Ele viajou para acompanhar o funeral de sua mãe e prestar o último adeus. Em razão disso, o comandante não estará presente no banco de reservas para orientar a equipe no confronto marcado contra a Noruega.
A repercussão negativa tomou conta das redes sociais e do cenário político europeu de forma muito rápida. Diversos internautas franceses e autoridades públicas manifestaram repúdio ao teor da publicação, apontando uma grave falta de sensibilidade humana por parte do veículo de comunicação.
Políticos da França criticam a publicação
Muitas lideranças políticas da França fizeram questão de se posicionar publicamente de maneira firme contra a atitude do jornal satírico. O deputado Antoine Léaument utilizou as suas redes sociais para destacar o desrespeito com o momento difícil vivido pelo treinador. O parlamentar afirmou textualmente que "Este desenho não é engraçado. É preciso ser insensível à dor dos outros para rir disso. Didier Deschamps não é apenas uma pessoa pública: é um filho em luto".
No mesmo sentido, o prefeito de Saint-Ouen, Karim Bouamrane, também demonstrou forte descontentamento e classificou o trabalho do cartunista como vergonhoso para a nação. O governante local fez um desabafo contundente sobre os limites do humor e da liberdade de expressão na sociedade contemporânea.
Limites da liberdade de expressão debatidos
Em seu posicionamento oficial, o prefeito Karim Bouamrane argumentou detalhadamente sobre o ocorrido. Ele declarou que "Este desenhista, além de não ser engraçado, é uma vergonha para o nosso país. Os desvios do excesso, da vulgaridade e do desrespeito em nossa sociedade usando a liberdade de expressão como pretexto exigem uma reflexão profunda. Fui o primeiro a defender o Charlie. Sempre condenarei o desrespeito, o insulto e a vulgaridade". A fala ecoou entre os cidadãos que pedem mais respeito aos momentos de dor pessoal.
Até o presente momento, a equipe editorial do Charlie Hebdo e os representantes da Federação Francesa de Futebol decidiram não se manifestar sobre o caso. Os dois lados chegaram a ser procurados formalmente pelo veículo de imprensa Le Dauphiné Libéré, porém preferiram não emitir nenhum tipo de comentário sobre a enorme polêmica que se instalou no país.
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