Irã volta a fechar Estreito de Ormuz e ameaça "derrotas amargas" aos EUA
Autoridades afirmam que controle continuará até que EUA suspendam bloqueio naval aos portos iranianos
O clima de tensão no Oriente Médio sofreu uma nova escalada neste sábado, 18. Após um breve período de abertura, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, restabelecendo um controle militar rigoroso sobre a rota marítima vital para o comércio global de petróleo. A decisão ocorre em retaliação ao bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
De acordo com informações da agência de notícias Reuters, a reabertura havia sido sinalizada na sexta-feira, 17, mas a trégua durou pouco. Relatos indicam que embarcações que tentavam navegar pela região foram abordadas pela Guarda Revolucionária, com registros de disparos de tiros.
Comboio e recuo estratégico
A agência Reuters informou que registros de navegação chegaram a mostrar um comboio de oito navios-tanque transitando pelo estreito nas primeiras horas do dia. Este foi o primeiro grande movimento comercial desde o início do conflito entre o Irã e a coalizão formada por Estados Unidos e Israel, que já dura sete semanas.
Entretanto, o governo iraniano recuou da decisão de liberação, citando o que chamou de "atos de pirataria" e violações por parte de Washington. Antes da guerra, o Estreito de Ormuz era o canal de passagem para cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
"Novas e amargas derrotas"
O tom de desafio subiu com a manifestação do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Em mensagem publicada em seu canal oficial no Telegram, ele afirmou que a marinha do país está preparada para infligir "novas e amargas derrotas" aos seus adversários.
"O comando das forças armadas afirmou que o trânsito retornou ao estado de estrito controle militar devido às contínuas ações dos EUA", destacou a Reuters sobre o posicionamento oficial de Teerã.
O fator Donald Trump e o cessar-fogo
Horas antes do fechamento, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a citar "boas notícias" vindas da região, embora sem especificar detalhes. Contudo, o republicano manteve a linha dura ao alertar que os combates podem ser retomados caso um acordo de paz definitivo não seja selado até a próxima quarta-feira, data em que expira o atual cessar-fogo de duas semanas.
O Irã alega que havia concordado com a passagem de um número limitado de navios "de boa fé" após mediações, mas que a manutenção do bloqueio naval americano aos seus portos tornou a medida insustentável. Até o momento, o governo dos Estados Unidos não comentou oficialmente o novo fechamento da rota.
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