Premiê pró-UE vence eleição na Armênia
Nikol Pashinyan, que tenta reduzir dependência da ex-república soviética de Moscou e se aproxima da União Europeia, obtém maioria no parlamento.O partido governista pró-Ocidente do primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, saiu vitorioso nas eleições parlamentares do país, segundo os resultados finais divulgados nesta segunda-feira (08/06), após a votação neste domingo.
Segundo a comissão eleitoral, 49,8% dos armênios votaram no partido Contrato Civil, de Pashinyan, que conquistou 61 das 105 cadeiras no parlamento armênio. Na eleição anterior, ele havia obtido 54% dos votos.
Três partidos pró-Rússia obtiveram resultado acima do esperado e alcançaram juntos cerca de 37% dos votos.
A participação dos eleitores foi de 59%, índice significativamente superior ao registrado nas eleições parlamentares anteriores, em 2021.
Pashinyan tem buscado reduzir a dependência da ex-república soviética de Moscou, ao mesmo tempo em que estreita laços com a União Europeia e o Ocidente.
A votação de domingo foi a primeira eleição geral na Armênia desde uma derrota militar esmagadora para o Azerbaijão em 2023, após anos de conflito e turbulência política.
Apesar da vitória, Pashinyan não conseguiu obter a maioria de dois terços no Parlamento necessária para aprovar emendas constitucionais exigidas pelo Azerbaijão como condição para um tratado de paz definitivo e para normalizar as relações com a Turquia, um aliado fundamental do Azerbaijão.
Oposição pró-Rússia
O partido pró-Rússia Armênia Forte, liderado pelo bilionário Samvel Karapetyan, ficou em segundo lugar, com 23,3%.
O ex-presidente Robert Kocharyan, que teria excelentes relações com o presidente russo, Vladimir Putin, ficou em terceiro lugar com sua aliança Armênia, que obteve 9,9% dos votos.
O partido pró-Rússia Armênia Próspera também deve entrar no parlamento, tendo conquistado 4% dos votos.
Porém, o resultado não foi suficiente para que as forças pró-Moscou garantissem a maioria.
Eleição em clima de tensão
A eleição, realizada num clima de alta tensão com a Rússia, foi marcada por prisões, ameaças de bomba e trocas de acusações.
Karapetyan afirmou que mais de cem de seus apoiadores teriam sido detidos nos últimos dois dias. "Neste exato momento estão ocorrendo novas prisões de nossos apoiadores", disse ele ao votar.
Karapetyan, que também possui passaporte russo, está em prisão domiciliar há meses. As autoridades o acusam de tentar um golpe em conexão com distúrbios ocorridos no início deste ano.
O Ministério do Interior justificou as prisões realizadas por volta do dia da eleição com alegações de tentativa de compra de votos.
Em Gyumri, a segunda maior cidade do país, a polícia realizou buscas nos escritórios do Armênia Forte, segundo relatos da imprensa. Três membros de uma comissão eleitoral local também foram detidos durante a noite.
A polícia também respondeu a várias ameaças anônimas de bomba, que, segundo informações, revelaram-se falsas.
Tensões geopolíticas
As relações com a Rússia foram a questão central da eleição. As tensões entre a Rússia e a Armênia aumentaram drasticamente nos últimos meses devido à busca do governo em Erevã por laços mais estreitos com a União Europeia. Moscou impôs proibições à importação de produtos armênios e ameaçou rescindir um contrato favorável de fornecimento de gás.
Uma autoridade do governo armênio acusou Moscou de tentar comprar votos, alegando que armênios residentes na Rússia foram trazidos de volta ao país especificamente para votar em partidos pró-Rússia em troca de pagamento.
As autoridades abriram várias investigações criminais, mas o governo não apresentou provas concretas para sustentar as alegações.
As relações com o Azerbaijão também foram um tema central da campanha. Pashinyan trabalha num tratado de paz com o Azerbaijão, três anos após a Armênia ter perdido um conflito militar contra o país vizinho pela região disputada de Nagorno-Karabakh.
Mais de cem mil pessoas de origem armênia foram forçadas a fugir após a violenta conquista do território pelo Azerbaijão, com a oposição acusando Pashinyan de trair os interesses nacionais.
O primeiro-ministro recebeu apoio do governo dos EUA durante a gestão do presidente Donald Trump. O secretário de Estado Marco Rubio fez uma escala especial em Erevã para assinar um acordo de cooperação bilateral.
O governo, por sua vez, acusou setores da oposição de agirem em nome do Kremlin e ressaltou a importância da paz na região.
as/md (DPA, Reuters, AFP)
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