Irã rebate proposta de paz dos EUA e Trump ameaça destruir infraestrutura vital
Teerã classifica exigências americanas como fora da realidade enquanto Washington sinaliza ultimato para evitar destruição total
O cenário de guerra entre Irã e Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão nesta segunda-feira (30). O governo iraniano manifestou publicamente seu descontentamento com os termos apresentados por Washington para um possível encerramento das hostilidades. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, as propostas enviadas pela gestão de Donald Trump carecem de equilíbrio. Ele descreveu o conteúdo das mensagens como "fora da realidade, desproporcionais e excessivas", colocando em dúvida a real intenção diplomática da Casa Branca neste momento crítico do conflito.
Críticas iranianas e a falta de diálogo direto
Baghaei enfatizou que, até agora, não houve qualquer tipo de conversa direta entre os representantes das duas nações. A comunicação tem ocorrido estritamente por meio de intermediários, o que dificulta a construção de um consenso. O porta-voz foi enfático ao declarar: "Não tivemos nenhuma negociação direta com os EUA até o momento. O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos EUA em negociar. Não sei quantos, nos EUA, levam a sério a alegada diplomacia americana! O Irã teve sua posição clara desde o início da guerra, ao contrário da outra parte. O que nos foi transmitido foram demandas excessivas e fora da realidade".
Trump eleva o tom e promete retaliação severa
Em resposta ao posicionamento de Teerã, o presidente Donald Trump utilizou suas redes sociais para enviar um ultimato agressivo ao regime iraniano. O líder norte-americano ameaçou uma destruição em larga escala caso um acordo não seja firmado em curto prazo. Trump mencionou especificamente alvos estratégicos como poços de petróleo e usinas de dessalinização. Ele afirmou que os Estados Unidos estão em conversas com o que chamou de um "novo e mais razoável regime", apesar de não existirem evidências oficiais de que uma troca de comando tenha ocorrido de fato no país persa.
Riscos econômicos e o controle da Ilha de Kharg
A ameaça de Trump foca especialmente na Ilha de Kharg, ponto nevrálgico que concentra cerca de 90% das exportações de petróleo iranianas. O presidente americano foi direto sobre as consequências de uma negativa: "Se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve — o que provavelmente acontecerá — e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente 'aberto para negócios', encerraremos nossa 'agradável' permanência no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que deliberadamente ainda não 'tocamos'". Segundo ele, tal ação seria uma resposta histórica ao que define como um longo período de terror patrocinado por Teerã.
Apesar do tom bélico, Trump havia declarado anteriormente ao jornal Financial Times que as negociações indiretas, mediadas pelo Paquistão, estavam progredindo de forma satisfatória. Ele sugeriu que um acordo poderia ser selado com rapidez, uma visão que contrasta drasticamente com a percepção de Esmail Baghaei. A guerra, que já completou seu segundo mês, permanece em uma encruzilhada perigosa entre a diplomacia de bastidores e a promessa de uma escalada militar sem precedentes no Oriente Médio.
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