Irã intensifica ações no Estreito de Ormuz e afeta fluxo global de petróleo
Operações militares da Guarda Revolucionária e relatos de minas navais elevam a pressão na rota por onde circula 20% do comércio mundial de óleo bruto
As forças militares do Irã ampliaram, nesta quinta-feira (12), as operações contra instalações petrolíferas e embarcações no Estreito de Ormuz. O movimento ocorre em meio a relatos de interceptações de drones e mísseis por países do Golfo e marca uma estratégia de controle sobre a via marítima, responsável pelo trânsito de um quinto do petróleo comercializado globalmente.
De acordo com a agência marítima do Reino Unido (UKMTO), seis navios foram atingidos no Golfo Pérsico entre quarta e quinta-feira. O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou em pronunciamento na televisão estatal que o fechamento do estreito é mantido como ferramenta de pressão política e econômica.
Informações de inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã iniciou a instalação de minas navais no leito do estreito. Embora fontes ligadas à defesa norte-americana afirmem que a frota de barcos lançadores de minas permanece 80% operacional, o governo de Washington divergiu internamente sobre a extensão da ameaça, declarando em outro momento a destruição de parte dessas unidades.
A UKMTO, vinculada à Marinha Real Britânica, informou que ainda não possui evidências confirmadas de detonação ou implantação desses artefatos na via. Relatórios do Congresso dos EUA estimam que o arsenal iraniano possui entre 5.000 e 6.000 minas, incluindo modelos de contato (ancoradas), de fundo e minas-lapa, fixadas manualmente em cascos.
Especialistas do Washington Institute apontam que a frota da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) mantém sua capacidade funcional após 12 dias de ataques aéreos na região. A estratégia iraniana baseia-se na guerra assimétrica, utilizando uma combinação de:
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Barcos suicidas com carga explosiva;
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Baterias de mísseis em terra;
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Drones subaquáticos.
Recentemente, a IRGC assumiu a responsabilidade por disparos contra o navio graneleiro Mayuree Naree, de bandeira tailandesa. A explosão na sala de máquinas resultou no desaparecimento de três tripulantes. Em águas iraquianas, dois petroleiros registraram incêndios durante a madrugada de quarta-feira, com o registro de uma fatalidade. O governo de Teerã atribuiu as explosões ao uso de tecnologia de drones subaquáticos.