Erika Hilton reforça ações contra Ratinho e diz trabalhar por ambiente mais respeitoso com as mulheres
A deputada federal foi alvo de comentários transfóbicos do apresentador durante programa ao vivo no SBT
Erika Hilton (Psol-SP) voltou a se pronunciar na noite desta quinta-feira, 12, sobre as medidas judiciais que tomou contra Ratinho após o apresentador fazer comentários transfóbicos contra ela durante um programa ao vivo na noite anterior. A deputada federal reforçou ter entrado na Justiça contra o comunicar e ressaltou a necessidade de se criar um ambiente mais respeitoso com as mulheres na televisão brasileira.
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"O que aconteceu ontem é gravíssimo e revela uma escalada preocupante no discurso de ódio e na caricaturização de pessoas trans e travestis. Um apresentador, em plena TV aberta, se sente autorizado a ridicularizar e debochar de toda uma comunidade que já vive historicamente sob estigma e ódio", declarou.
"Não recuaremos, não desistiremos e não aceitaremos ser violentadas de forma tão baixa. Já adotamos medidas judiciais, estamos nos mobilizando nas redes e articulando uma série de iniciativas para termos um ambiente mais seguro e respeitoso para as mulheres também na televisão", completou a parlamentar.
Hilton também reforçou que conversou com Daniela Abravanel Beyruti, presidente do SBT, e recebeu um pedido de desculpas da executiva. "Enviei uma carta e entrei em contato com a presidenta do SBT, Daniela Abravanel, buscando um diálogo sobre a necessidade de medidas a serem adotadas pelas emissoras. Ela me atendeu prontamente, conversamos, e reforçou que as declarações do apresentador Ratinho não representam a opinião do SBT."
"O SBT fez parte da história de minha família. Era o canal que minha avó assistia. Eu não perdia um episódio de A Usurpadora, gostava de Chaves e Chapolin. Sempre gostei da televisão. Por isso espero que avançemos e farei tudo que estiver ao meu alcance para termos ambientes seguros para todas as mulheres em quaisquer espaços que elas estejam", concluiu a deputada.
Em nota enviada à reportagem, o SBT declarou que as falas de Ratinho não condizem com a postura da emissora e que irá tratar o caso internamente. "O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores", diz o comunicado.
O que aconteceu ontem é gravíssimo e revela uma escalada preocupante no discurso de ódio e na caricaturização de pessoas trans e travestis.
Um apresentador, em plena TV aberta, se sente autorizado a ridicularizar e debochar de toda uma comunidade que já vive historicamente sob…
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 13, 2026
Entenda o caso
Erika Hilton protocolou, nesta quinta-feira, 12, um pedido de investigação no Ministério Público Federal contra o apresentador Ratinho e o SBT por comentários transfóbicos do apresentador durante o programa ao vivo desta quarta, 11. A parlamentar pede, além do inquérito, a abertura de uma ação civil pública e a indenização de R$ 10 milhões.
O documento, ao qual o Terra teve acesso, aponta que Ratinho questionou a legitimidade da eleição de Erika como presidente da Comissão da Mulher e negou reiteradamente a identidade de gênero da parlamentar. No pedido, a parlamentar cita as falas do apresentador.
“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, falou Ratinho.
Ele ainda diz que para “ser mulher, precisa ter útero” e reforçou o discurso preconceituoso ao questionar se Erika seria “deputada ou deputado”. “Eu sou contra, devia deixar uma mulher ser presidente da comissão. Quero dizer que não tenho nada contra a deputada ou deputado, não sei. Não tenho nada contra, não me fez nada. Ela fala bem, é boa de prosa. Agora, acho que devia ser mulher”, finalizou.