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Irã exige indenização dos EUA para reabrir Estreito de Ormuz

9 ago 2026 - 08h51
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República islâmica endurece ainda mais condições para liberar gargalo essencial para transporte de energia mundial. País afirma que não está em negociações com os EUA.A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, neste domingo (09/08), que não reabrirá o Estreito de Ormuz, vital para a economia mundial, até que os Estados Unidos atendam às condições estabelecidas por Teerã no dia anterior, incluindo indenização financeiras pelos danos da guerra.

Estreito de Ormuz está bloqueado pelo Irã desde o início dos ataques de EUA e Israel, em fevereiro
Estreito de Ormuz está bloqueado pelo Irã desde o início dos ataques de EUA e Israel, em fevereiro
Foto: DW / Deutsche Welle

O bloqueio efetivo ao gargalo, por onde passavam 20% do transporte de energia mundial antes do conflito, foi imposto pelo Irã após os ataques de Estados Unidos e Israel, no final de fevereiro. A república islâmica pretende cobrar pedágios pela passagem de embarcações em Ormuz e vem atacando navios que acusa de tentar contornar sua rota preferencial.

Os ataques contínuos na via marítima, que era de livre trânsito antes da guerra, levaram ao colapso do cessar-fogo de abril. Os mediadores instaram ambos os lados a retornarem aos termos de um acordo posterior, assinado em junho, que traçou um caminho para as negociações de paz.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que as discussões com Omã sobre o trânsito e a gestão do estreito estavam "se aproximando das etapas finais", mas acrescentou que a reabertura do estreito "está sujeita a outras condições e à indenização pela violação" do acordo de junho. Ele negou também que Teerã estivesse negociando com Washington, acrescentando que ambos os governos estavam apenas "trocando mensagens" por meio de intermediários.

Teerã exige fim definitiva da guerra

No dia anterior, a república islâmica já havia anunciado novas exigências para a reabertura de Ormuz, incluindo a condição de que os Estados Unidos nunca mais ameacem a república islâmica. Um comunicado do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, divulgado pela mídia estatal, afirma que, para a liberação do gargalo ligando o Golfo Pérsico e o Mar Arábico, os EUA também devem pôr fim de forma definitiva à guerra - inclusive a agressões contra aliados iranianos no "Líbano, Palestina, Iêmen e no Iraque".

A entidade é o órgão máximo de tomada de decisões do Irã, liderado pelo presidente Masoud Pezeshkian e com supervisão do líder supremo Mojtaba Khamenei. No anúncio, Teerã exige ainda que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, retire as forças da região, indenize integralmente o Irã pelos danos de guerra, suspenda as sanções e libere os ativos iranianos congelados.

O Irã afirma também que não recuará nas exigências e que Washington deve demonstrar uma mudança genuína na conduta. Não houve resposta direta imediata do governo dos EUA.

Ataques a embarcações continuam

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos condenou, no sábado, o que chamou de "ataque hostil do Irã que teve como alvo um petroleiro pertencente à ADNOC (Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi) com um míssil enquanto ele transitava pelo Estreito de Ormuz, sem causar vítimas".

Mais tarde, no sábado, a Unidade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que um navio foi atingido por um projétil ao largo de Omã, no Estreito de Ormuz, causando um incêndio que foi extinto, mas sem vítimas. Não ficou claro se se referiam ao mesmo navio.

O Ministério das Relações Exteriores de Omã condenou, no sábado, "ataques repetidos contra embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz", sem citar o Irã. A pasta do país alinhado a Washington também afirmou que "as negociações em andamento sobre os acordos de navegação no Estreito de Ormuz estão ocorrendo em um ambiente positivo e construtivo" e pediu que sejam evitadas ações que possam comprometer o progresso das conversas.

O acordo anterior entre Irã e EUA - que deveria servir como ponto de partida para negociações sobre um acordo permanente - previa que a república islâmica e o Omã definiriam futuros acordos para o estreito em discussão com outros países do Golfo e "em conformidade com o direito internacional aplicável". O direito internacional, em geral, proíbe a cobrança de pedágio nessas vias navegáveis.

Enquanto isso, rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram no domingo que haviam atacado uma instalação petrolífera saudita na costa do Mar Vermelho do país, depois que a Arábia Saudita informou ter extinguido um incêndio no local. O Mar Vermelho, que serve de alternativa para as embarcações impedidas de passar por Ormuz, vem sofrendo tentativas de bloqueio pelos houthis.

fcl (dw, afp, dpa, reuters)

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