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Irã e EUA retomam diálogo em meio ao risco de escalada regional

26 fev 2026 - 20h10
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Teerã e Washington negociam acordo nuclear em Genebra, enquanto os EUA reforçam presença militar no Oriente Médio. Iranianos querem alívio das sanções que paralisam a economia do país.O Irã e os Estados Unidos avançaram em sua mais recente rodada de negociações sobre o programa nuclear de iraniano nesta quinta-feira (26/02), com delegações de ambos os países reunidas em Genebra em meio a um aumento da presença militar americana no Oriente Médio.

Embora as negociações tenham terminado sem um grande avanço, Washington e Teerã relataram "progressos significativos" em sua terceira rodada de negociações, de acordo com o ministro do Exterior de Omã, Badr al-Busaidi. "Retomaremos as negociações em breve, após consultas nas respectivas capitais", acrescentou.

O ministro iraniano do Exterior, Abbas Araghchi, afirmou a repórteres que novos progressos foram feitos e que "conversas técnicas" estão planejadas para começar nesta segunda-feira, antes de serem iniciadas as negociações em torno dos detalhes de um possível acordo.

"Talvez a seriedade em se chegar a um acordo tenha ficado mais visível do que antes", disse Araghchi sobre as negociações. "Esta foi a melhor e mais séria rodada", acrescentou, antes de explicar que será necessário algum tempo para consultas com os governos nas capitais e para preparar alguns documentos.

As negociações dizem respeito ao controverso programa nuclear do Irã, enquanto Washington busca impedir que a República Islâmica desenvolva armas nucleares.

O governo iraniano nega tais intenções, mas está disposto a limitar seu programa nuclear e exige, em troca, que os EUA suspendam as sanções que paralisam a economia do país.

O jornal Wall Street Journal informou nesta quinta-feira que a equipe de negociação de Trump exigiria que o Irã desmantelasse seus três principais locais nucleares e entregasse todo o seu urânio enriquecido restante aos Estados Unidos.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, insistiu antes das negociações que a república islâmica não estava "de forma alguma" buscando uma arma nuclear.

Nesta quarta-feira, o Irã apresentou uma primeira versão de um novo acordo, mas os detalhes não foram divulgados.

Ambiente "construtivo"

As negociações foram novamente mediadas pelo Estado do Golfo de Omã e realizadas na residência omanense em Genebra

Uma equipe liderada por Araghchi negociou pelo Irã, enquanto o lado americano foi representado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.

Al-Busaidi descreveu os participantes como "determinados" e o ambiente como "construtivo".

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, também participou do encontro após realizar conversas preparatórias com Araghchi na semana passada.

Teerã estabeleceu várias linhas vermelhas nas negociações, rejeitando o desmantelamento completo de sua infraestrutura de enriquecimento de urânio e considerando inegociável seu programa de mísseis, visto como sua principal capacidade de dissuasão.

O Irã também rejeita discussões sobre o fim do apoio a grupos militantes regionais, como o Hezbollah, no Líbano.

As severas sanções econômicas impostas pelo Ocidente praticamente isolaram o país dos mercados financeiros globais, desencorajaram investimentos e contribuíram para uma profunda crise econômica que corroeu a classe média e empurrou parte da população para a pobreza.

Risco de guerra regional

Além do alívio das sanções, a liderança iraniana também busca evitar o risco de guerra, após Washington ter aumentado drasticamente sua presença militar na região e Trump ter reiteradamente mencionado a possibilidade de atacar o Irã caso nenhum acordo seja alcançado.

O maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, foi enviado nesta semana pelos EUA ao Mediterrâneo.

Washington atualmente tem mais de uma dúzia de navios de guerra no Oriente Médio: o porta-aviões USS Abraham Lincoln, nove destróieres e três outros navios de combate.

É raro haver dois porta-aviões americanos, que transportam dezenas de aviões de guerra e são tripulados por milhares de marinheiros, na região.

Há uma semana, Trump deu um ultimato a Teerã, estabelecendo um prazo de 10 a 15 dias. "Ou chegaremos a um acordo ou será lamentável para eles", disse, alertando que, caso contrário, "coisas ruins" poderiam acontecer.

Falta de avanço aumenta probabilidade de confronto

O presidente Pezeshkian, ameaçou uma "guerra total" caso o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, seja alvo de ataques. O próprio Khamenei alertou que qualquer conflito iniciado pelos EUA se transformaria em uma guerra regional, embora insista que o Irã não a busca.

Contudo, a falta de um avanço nas negociações pode aumentar a probabilidade de um confronto militar. Nas últimas semanas, Washington enviou dois porta-aviões, dezenas de caças e aeronaves de apoio para o Oriente Médio - supostamente o maior reforço da força aérea americana na região desde a Guerra do Iraque de 2003.

A Suíça, anfitriã das negociações, é considerada por Teerã como um intermediário neutro e representa os interesses dos EUA no Irã, onde Washington não possui missão diplomática.

O governo iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis, citando um decreto religioso do aiatolá Khamenei, que proíbe a construção e o uso de armas de destruição em massa, como bombas nucleares.

Mas críticos temem que o Irã tenha enriquecido urânio a uma pureza de 60% nos últimos anos. Fontes ocidentais afirmam que o Irã é o único país do mundo sem bombas nucleares próprias que possui urânio tão enriquecido. Um enriquecimento adicional para cerca de 90% seria necessário para a construção de armas nucleares.

Grossi também tem criticado o programa nuclear iraniano e defendido um melhor acesso ao país. Suas preocupações incluem o gerenciamento do urânio altamente enriquecido restante no país, o futuro das instalações nucleares centrais bombardeadas no ano passado pelos EUA e as futuras atividades nucleares no Irã, que serão monitoradas pela AIEA.

Trump encerrou acordo anterior em 2018

Trump foi o responsável por enterrar o acordo nuclear anterior com o Irã em 2015, quando Teerã se comprometeu a restringir seu programa nuclear em troca de um alívio nas sanções, no que ficou conhecido como Acordo de Viena.

O acordo foi negociado durante o governo de Barack Obama, antecessor de Trump, e encerrado unilateralmente pelo republicano em 2018, durante seu primeiro mandato. Mais tarde, os EUA imporiam novas e mais duras sanções ao Irã. Teerã, por sua vez, também parou de cumprir os termos do acordo.

Os ataques de Israel ao Irã em 2025 agravaram ainda mais a situação na região. Israel bombardeou alvos em todo o país, e o Irã respondeu lançando mísseis balísticos contra Israel. Áreas civis em ambos os países também foram atingidas.

Os EUA intervieram uma semana depois, bombardeando instalações de enriquecimento iranianas em Natanz e Fordo e uma instalação nuclear em Isfahan. Trump disse que esses locais foram completamente destruídos.

Os acontecimentos seguem protestos massivos no Irã, durante os quais, segundo grupos de direitos humanos, milhares de manifestantes foram mortos.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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