Indicadores da pobreza na Argentina voltam a subir e afetam milhões de crianças
O índice econômico interrompeu a trajetória de queda após nova alta nos primeiros seis meses do ano no país vizinho
A pobreza na Argentina voltou a subir e atingiu 32,3% da população (15,4 milhões de pessoas), interrompendo a queda na gestão Milei. O índice foi impulsionado pela retração de 2,9% na atividade econômica e afetou sobretudo jovens de até 14 anos, cuja taxa chegou a 44,5%. A indigência também cresceu para 7,5%. O governo trata o avanço como efeito temporário do ajuste estrutural e frisa que as taxas atuais seguem bem abaixo do pico de 52,9% registrado no início de 2024.
As estatísticas oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) apontaram dados alarmantes sobre a pobreza na Argentina. Os dados revelaram que alcançou a marca de 32,3% dos habitantes, interrompendo uma trajetória descendente que vinha sendo registrada na gestão do presidente Javier Milei.
O crescimento foi de quatro pontos percentuais na comparação com o encerramento do ano anterior, quando a taxa se fixava em 28,2%. De acordo com mapeamentos elaborados pela consultoria econômica ExQuanti, o contingentem atinge cerca de 15,4 milhões de indivíduos no território argentino, um aumento em relação aos 13,4 milhões contabilizados ao final de 2025.
O cenário macroeconômico e o avanço da pobreza na Argentina
O levantamento baseado na Pesquisa Permanente de Domicílios demonstrou a oscilação do indicador, que registrou 38,1% no segundo semestre de 2024, recuou para 31,6% no período seguinte e chegou a 28,2% na metade posterior, até consolidar o patamar atual. A retração de 2,9% na atividade produtiva no mês de julho contribuiu para o enfraquecimento do desempenho financeiro nacional, figurando como o pior resultado setorial verbido desde a pandemia de covid-19. As autoridades administrativas e analistas do mercado acompanham com atenção os desdobramentos desse quadro sobre a capacidade de consumo da população urbana e rural.
A vulnerabilidade infantil e as projeções da equipe econômica
As populações em idade de desenvolvimento representam a parcela mais atingida por essa oscilação social no território vizinho. O levantamento do órgão estatístico indicou que a proporção de jovens de até 14 anos vivendo abaixo da linha vulnerável subiu de 41,3% para 44,5% nos seis meses iniciais, somando aproximadamente 4,1 milhões de menores.
Ao mesmo tempo, a indigência extrema no país avançou de 6,3% para 7,5% em igual período. Conforme informações veiculadas pelo jornal La Nacion, os integrantes do Poder Executivo interpretam a mudança como um efeito passageiro no processo de ajuste estrutural.
O ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, utilizou o perfil oficial na rede social X para ressaltar a evolução do cenário em um espectro temporal mais amplo. "Embora as taxas de pobreza e de indigência tenham aumentado 4,1 p.p. e 1,2 p.p. em relação ao semestre anterior, ambas as taxas registraram uma forte queda em relação ao primeiro semestre de 2024. Em comparação com esse período, a taxa de pobreza reduziu-se de 52,9% para 32,3%, enquanto a de indigência caiu de 18,1% para 7,5%".
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