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Guilherme Mazieiro

Entenda os sinais dados por Lula e Campos Neto para melhoria da relação

À coluna, Haddad diz que encontro é “institucional”; reunião é tentativa de melhorar relação e alinhar visões do governo e Banco Central

27 set 2023 - 11h59
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O presidente da República, Lula (PT), e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O presidente da República, Lula (PT), e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Foto: Veja

Foi quando o presidente da República, Lula (PT), diminuiu as críticas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ajudou a baixar os juros que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viu uma oportunidade de colocar os dois para conversar. Com duas quedas seguidas de 0,5 na taxa de juros (hoje em 12,75%), os dois presidentes terão o primeiro encontro desde o início do governo. Essa agenda que vinha sendo trabalhada há alguns meses está marcada para às 17h30, desta quarta, 27, no Palácio do Planalto.

Procurado pela coluna pela manhã de hoje, Haddad apenas disse que o encontro é “institucional”. A reunião não tem pauta anunciada publicamente - e nem mesmo internamente. O que reforça o tom de aproximação e uma tentativa de alinhamento nas perspectivas econômicas entre Lula e Campos Neto.

Um dos pontos que é discutido internamente pelo governo e pelo Banco Central é o ritmo de queda dos juros. O Planalto espera uma queda mais acelerada do que o BC indica, seguindo os 0,5.

Haddad e Campos Neto mantêm uma relação mais próxima desde o início do governo e se encontram com frequência. O convite para reunião desta quarta, 27, surgiu após um almoço de 1h30 entre os dois, na quinta passada, 28. O encontro aconteceu na Fazenda, um dia após a segunda queda de juros.

Desde o início do governo, Lula criticou Campos Neto por entender que a manutenção dos juros em 13,75% dificultaria a retomada do crescimento. As falas do presidente da República foram apoiadas por diferentes setores da economia, como por exemplo, associações de varejistas, montadoras e indústria.

Presidente do Banco Central se encontrará com Lula nesta quarta, pela primeira vez desde o início do governo.
Presidente do Banco Central se encontrará com Lula nesta quarta, pela primeira vez desde o início do governo.
Foto: Poder360

Voto desempate

Em agosto, quando o BC baixou os juros pela primeira vez neste ano. O voto que permitiu o desempate de 4 a 4 no Comitê de Política Monetária (Copom) veio de Campos Neto. À época, Haddad exaltou a decisão e disse que o voto do presidente foi “técnico, calibrado, à luz de tudo que ele conhece da realidade do país”. Já a segunda redução foi por decisão unânime do Copom.

Na construção dessa boa relação entre os dois presidentes pesou também a indicação de Gabriel Galípolo à diretoria Política Monetária do BC. O ex-secretário-executivo de Haddad foi elogiado por Campos Neto.

A última conversa entre Lula e Campos Neto foi no final de dezembro, às vésperas do início do governo. No primeiro semestre, com as decisões do BC de manter os juros em 13,75%, Campos Neto foi alvo de críticas de Lula. Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente do BC causa desconfiança entre os petistas por ter trabalhado indiretamente na campanha de Bolsonaro, como revelou a revista Piauí, e participar de grupos de WhatsApp com ex-ministros e lideranças bolsonaristas.

Haddad é um dos mais hábeis articuladores do governo. Integrantes do governo e do Congresso veem no ex-prefeito de São Paulo a liderança em negociar e aprovar pautas econômicas que são prioritárias para o governo, como o arcabouço fiscal, a mudança nos votos do Carf e aprovação da reforma tributária.

Homem da confiança do presidente, Haddad foi escolhido pelo petista para o substituí-lo na campanha presidencial de 2018, quando estava preso. Nas eleições seguintes, trabalhou para botar à mesa Lula e Geraldo Alckmin (PSB) para discutir uma chapa à Presidência, em 2021.

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
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