PUBLICIDADE

Guilherme Mazieiro

Dino mostra confiança e Gonet discrição em 'beija-mão' ao presidente em exercício do Senado

Indicados por Lula ao STF e à PGR estiveram com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) nesta quarta, 29, em busca de apoio

29 nov 2023 - 22h00
Compartilhar
Exibir comentários
Dino e Gonet foram ao Senado nesta quarta, 29, pedir apoio ao presidente em exercício, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
Dino e Gonet foram ao Senado nesta quarta, 29, pedir apoio ao presidente em exercício, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
Foto: Poder360

De perfis opostos, mas com a mesma necessidade de ter apoio dos senadores, os dois indicados pelo presidente Lula (PT) à vaga de ministro Supremo Tribunal Federal (STF) e ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR) bateram à porta do presidente em exercício do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), nesta quarta, 29. O senador está no comando do Congresso em razão da viagem do titular, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ao Oriente Médio, junto à comitiva do presidente Lula (PT).

Flávio Dino, indicado ao STF, e Paulo Gonet, indicado à PGR, seguirão fazendo o 'beija-mão', ou seja, buscando apoio dos congressistas até dia 13 de dezembro, quando passarão por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Caso sejam aprovados, vão para votação em plenário, onde são necessários 41 votos favoráveis dos 81 senadores.

Dino esteve na sala da Presidência pela manhã, acompanhado do relator de sua indicação, Weverton Rocha (PDT-MA). Ainda que ambos representantes do Maranhão tivessem rompido, o senador já indicou que trabalhará para aprovar a ida de Dino à corte.

Segundo o relato de Vital do Rêgo à coluna, o ministro da Justiça fez uma visita protocolar: pediu apoio, disse que está confiante na aprovação e que na função de membro do STF terá uma postura neutra, “despido da causa do governo”, para realizar julgamentos independentes.

“O que disse a ele, ele bem sabe, ficou super exposto no ano, tem estilo próprio e incisivo de enfrentar o debate e ao fazê-lo em defesa de suas convicções e do governo que representa, terminou tendo granjeando [cultivando] por parte dos seus opositores uma indisposição maior. Ele vai enfrentar resistência no Senado, da parte dos companheiros que ele bem conhece, ligados a Bolsonaro", contou o presidente em exercício.

Já Gonet tem um perfil totalmente oposto. Chegou ao Senado sozinho, sem marcar horário e sem a condução de algum líder do governo ou senador da base, como acontece em situações assim. Foi apenas acompanhado de uma assistente.

“Muito assertivo na disposição de estabelecer institucionalidades [da PGR] com a Casa, arejar. Louvei essa disposição dele, porque acho que precisa superar a fase que foi tão prejudicial, sem desconhecer a necessidade, exageraram no tom”, disse Vital do Rêgo fazendo críticas às ações da Lava Jato.

O procurador, segundo o senador, fez questão de mostrar que é avesso a holofotes e vai cumprir seu papel institucional, sem querer “virar notícia” por sua atuação. 

“Disse a ele: dr. Paulo, nunca valeu tanto como agora de cada qual fazer o seu papel. O Ministério Público faça o seu, independentemente de quem seja, o Judiciário faz o dele. O Congresso faz o seu. Quando há exageros, extrapolamentos, aí começa a desandar”, relatou o senador.

Nos últimos meses, projetos que limitam a atuação do STF, como em decisões individuais, ganharam força e começaram a tramitar no Congresso, provocando atritos com os ministros do STF.

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
Compartilhar
Publicidade
Publicidade