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Guerra no Irã desestabiliza internamente países do Oriente Médio

7 mar 2026 - 09h20
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Região lida com níveis crescentes de violência dentro das fronteiras nacionais, enquanto sistemas políticos e relações comunitárias são colocados à prova.À medida que avança a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, aumentam os episódios secundários de instabilidade ao redor do Oriente Médio. Os países da região lidam com níveis crescentes de violência dentro das próprias fronteiras, enquanto sistemas políticos e relações comunitárias são colocados à prova.

Xiitas iraquianos fizeram funeral simbólico em homenagem a Ali Khamenei, líder supremo do Irã
Xiitas iraquianos fizeram funeral simbólico em homenagem a Ali Khamenei, líder supremo do Irã
Foto: DW / Deutsche Welle

"O Oriente Médio está em chamas", escreveu nesta semana Mohamed Chtatou, professor da Universidade Mohammed V, em Rabat, Marrocos, em um artigo publicado no Times of Israel. "Não com um único incêndio, mas com uma constelação de focos simultâneos que respondem, alimentam-se e se espalham com sua própria lógica."

Para vários pesquisadores do European Council on Foreign Relations (ECFR, na sigla em inglês), que assinaram uma análise conjunta nesta semana, "o Oriente Médio e além estão mergulhados em novas convulsões violentas, e uma escalada mais ampla pode estar logo adiante." Eles apontaram que não haverá vitória fácil para nenhuma força política na guerra que se amplifica sobre a região.

A delicada posição do Iraque

Após Israel assassinar o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, houve vários dias de protestos em frente à embaixada dos EUA em Bagdá, no Iraque. Os protestos se tornaram violentos, e observadores acreditam que muitos dos manifestantes foram enviados ou incentivados a comparecer por grupos paramilitares alinhados ao Irã.

As forças paramilitares atacaram bases e aeroportos dos EUA em todo o Iraque, inclusive na região semiautônoma do Curdistão iraquiano. As tensões no Curdistão iraquiano aumentaram ainda mais recentemente, após relatos de que os Estados Unidos planejavam apoiar curdos iranianos em uma possível insurgência dentro do Irã.

Partidos curdos iranianos de oposição mantêm escritórios no Curdistão iraquiano — já bombardeados pelo Irã —, mas esses partidos negaram que combatentes estivessem atravessando a fronteira para dentro do país persa.

"Os ataques em províncias de maioria curda no Oeste, incluindo ataques contra guardas de fronteira e posições de segurança interna, sugerem que uma desestabilização periférica pode estar em andamento", escreveu Muaz al‑Abdullah, gerente de pesquisa sobre o Oriente Médio no projeto Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), nos EUA.

Ele apontou para o risco de instabilidade doméstica prolongada, com possíveis implicações mais amplas para a dinâmica de segurança regional.

Tudo isso coloca os líderes curdos iraquianos em uma posição delicada. Eles têm sido rápidos em afirmar que o Curdistão iraquiano não fará parte desse conflito.

Ainda assim, os rumores sobre uma insurgência curda iraniana só ampliam tensões antigas entre o Curdistão iraquiano e o governo federal em Bagdá. A cooperação entre os dois lados se vê frequentemente atravessada por conflitos sobre temas sensíveis, como receitas do petróleo e direitos curdos.

O governo federal iraquiano tem vários políticos xiitas que apoiam o Irã. Uma percepção das autoridades curdas iraquianas, que têm a própria força militar no Norte, como fonte de apoio a uma insurgência no país vizinho, traria riscos de segurança.

Repressão no Bahrein

No Bahrein, protestos contra os ataques dos Estados Unidos e Israel se tornaram violentos. Civis foram presos por publicar mensagens na internet contra a guerra e supostamente expressar simpatia pelo Irã.

Como outros países do Golfo, a monarquia reprime a maioria das formas de dissenso político. Diferentemente de outros na região, porém, a família real do Bahrein é sunita, enquanto estimativas sugerem que pouco mais de 50% da população seja xiita.

O país viu grandes manifestações pró‑democracia em 2011, durante a Primavera Árabe. As autoridades responderam com repressão severa, e as forças de uma iniciativa de segurança liderada pela Arábia Saudita, hoje conhecida como Comando Militar Unificado, entraram no país para ajudar a conter os protestos.

Não está claro se as mesmas forças atuaram novamente no Bahrein nesta semana, a fim de controlar os protestos.

Tensões comunitárias no Líbano

A guerra também intensifica o impasse entre o governo do Líbano e o Hezbollah, grupo militante armado alinhado ao Irã. Israel bombardeou nesta semana o país vizinho em resposta a ataques lançados pela milícia, que é também uma força política e social no país.

Israel e Estados Unidos exigiram o desarmamento do Hezbollah, que resistiu. O governo libanês também quer que o grupo entregue as armas, em parte para evitar novas incursões ou bombardeios retaliatórios por parte de Israel. No entanto, o exército nacional libanês não tem força suficiente para facilitar o processo.

Após o Hezbollah lançar foguetes contra Israel na segunda-feira, provocando uma grande resposta israelense, o governo libanês proibiu qualquer atividade militar do grupo. Até agora evitado, um confronto direto entre o exército libanês e a milícia parece cada vez mais provável.

Na sociedade, aumentam também as tensões. Observadores relatam que uma porção maior dos libaneses hoje se opõem ao Hezbollah, incluindo na comunidade xiita.

"A solidariedade quase unânime com a 'resistência' (Hezbollah) deu lugar à raiva diante de uma escalada considerada tão inútil quanto suicida", escreveu o jornal libanês L'Orient Today, ao reportar sobre as famílias xiitas forçadas a buscar abrigo em Beirute, depois que Israel ordenou evacuações em uma vasta área do sul do Líbano.

Previstas para maio, as eleições libanesas também poderão ser adiadas por causa da guerra no Oriente Médio.

Mais por vir?

Para o analista Mohammed Albasha, a reação mais forte entre grupos xiitas deverá vir daqueles que viam Khamenei como autoridade religiosa.

"Para muitos, o líder supremo não é apenas uma figura política. Ele está ligado a um sistema sagrado," afirmou, apontando para o peso emocional e religioso da sua morte.

Na sua visão, Hezbollah e algumas milícias iraquianas podem empurrar o Líbano e o Iraque para um confronto regional mais profundo. Já no Bahrein, na Arábia Saudita e no Kuwait, grupos xiitas têm menos probabilidade de desafiar governos diretamente, embora perturbações de pequena escala por elementos marginais não possam ser descartadas.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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