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Grupo 'Derrubando Muros' reúne empresários e prega união da oposição

Parte deles esteve na Avenida Paulista no domingo, 12, mas optou por não subir no palanque

14 set 2021 05h10
| atualizado às 07h21
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Enquanto organizações e partidos de esquerda e direita disputam nas ruas o protagonismo na oposição ao presidente Jair Bolsonaro, um movimento formado por empresários, investidores, banqueiros, políticos e intelectuais atua nos bastidores para unificar a oposição ao governo federal. Batizado como "Derrubando Muros", o grupo se intitula uma "iniciativa cívica" e conta com 92 membros.

Parte deles esteve na Avenida Paulista no domingo, 12, mas optou por não subir no palanque por onde passaram Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Simone Tebet (MDB). O foco principal da iniciativa é buscar uma terceira via nas eleições de 2022, mas o "Derrubando Muros" tem mantido conversas também com o PT e maioria dos membros não descarta apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual 2.° turno se o adversário for Bolsonaro. "Estamos em um regime fascista e o inimigo está na sala. Nossa prioridade é criar uma alternativa no centro moderno e que haja o menor número de candidatos possível", disse o sociólogo e empresário José César Martins, coordenador do coletivo.

A lista de empresários do grupo, segundo Martins, conta com nomes como Horácio Lafer Piva (da Klabin), José Olympio Pereira (do banco Credit Suisse), Antonio Moreira Salles (filho do presidente do conselho de administração do Itaú, Pedro Moreira Salles), Marcelo Britto, da Associação Brasileira do Agronegócio, e os economistas Pérsio Arida, Armínio Fraga, André Lara Rezende e Elena Landau. Os quatro últimos iniciam na quarta-feira um ciclo de debates sobre a reforma do Estado com a participação de Fernando Haddad, ex-presidenciável petista em 2018. "Mas essa não é uma iniciativa empresarial, mas cívica", disse o coordenador.

O Derrubando Muros começou a se articular há um ano no Rio Grande do Sul. O grupo se expandiu e já se reuniu com todos os presidenciáveis, menos Lula, o que não está descartado.

A iniciativa atua em várias frentes. Na Educação, por exemplo, os representantes são o ex-ministro Cristovam Buarque e Priscila Cruz, do Todos pela Educação.

Em agosto, centenas de empresários, economistas, diplomatas e representantes da sociedade civil divulgaram um manifesto em defesa do sistema eleitoral brasileiro, destacando que "o princípio-chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos".

O comunicado não citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, mas foi categórico ao dizer que o País "terá eleições e seus resultados serão respeitados" e ao afirmar que "a sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias". O documento foi divulgado no mesmo dia em que Bolsonaro passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news.

Fábio Alperowitch, fundador e gestor da Fama, um dos precursores de investimentos "ESG" no Brasil, esteve na manifestação na Avenida Paulista no último domingo, mas se disse decepcionado. "Independente do número de pessoas, acho que o evento não foi contra o Bolsonaro, como deveria ser, mas cheio de agendas e se esvazia na sua natureza", afirma.

Segundo ele, por conta disso, não se pregou união, visto que no evento também foi contra o ex-presidente Lula, o que afastou a esquerda da manifestação. "Um evento democrático deveria abarcar todos os tipos de pessoas, na minha visão", frisando que a manifestação não foi de oposição, mas da "terceira via".

Estadão
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