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Grande exposição em Brasília homenageia 50 anos de carreira de Araquém Alcântara, precursor da fotografia de natureza no Brasil

Obras do fotógrafo ocuparão a sede do Superior Tribunal de Justiça, onde haverá também lançamento editorial comemorativo

19 mai 2026 - 12h48
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No próximo dia 01 de junho, o fotógrafo Araquém Alcântara abre exposição e faz noite de autógrafos na sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A exposição reunirá imagens em grandes formatos (2,20 m x 1,50 m), selecionadas para celebrar 50 anos de carreira do artista. Há registros da Amazônia, da Mata Atlântica e de outros biomas, bem como cenas do cotidiano do povo brasileiro.

À esquerda, cartaz da exposição “O Brasil de Araquém Alcântara”. À direita, menina ribeirinha com bicho
À esquerda, cartaz da exposição “O Brasil de Araquém Alcântara”. À direita, menina ribeirinha com bicho
Foto: preguiça - Araquém Alcântara / Perfil Brasil

Dedicado à sensibilização do público em relação a questões ambientais, Araquém Alcântara foi o primeiro fotógrafo a registrar todos os parques nacionais brasileiros, tendo sido também pioneiro na documentação visual dos ecossistemas e unidades de conservação do país.

Araquém Alcântara lança obra-manifesto

Livro de 50 anos de carreira é uma "crônica visual da beleza e do horror"

O fotógrafo Araquém Alcântara comemora, aos 75 anos, cinco décadas de trajetória,  com o lançamento de um livro seminal que, segundo o curador Eder Chiodetto,  pontua imagens de flagrante beleza do povo brasileiro, o desmatamento das florestas e os efeitos das mudanças climáticas nos biomas nacionais.

Reunindo 220 imagens em mais de 500 páginas, o volume sintetiza um percurso que começou em Santos, no litoral paulista, nos anos 1970, e atravessa florestas, rios e serras, em um projeto de vida dedicado à documentação e à defesa da natureza brasileira.

Araquém construiu um acervo com cerca de 500 mil imagens, que forma hoje um dos mais importantes patrimônios visuais da biodiversidade do país, desvendando a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga, o Pantanal, os Pampas, a Amazônia e seus povos.

Com 62 livros autorais, 75 exposições individuais,  mais de 40 prêmios nacionais e internacionais, obras nos acervos do Masp, Pinacoteca de São Paulo, MAM-SP, Centro Georges Pompidou e Museu Britânico, o inquieto artista consolidou a dimensão ética e estética rara de seu trabalho — um manifesto pela vida, que se mantém pulsante e necessário.

"O verdadeiro fotógrafo deve escolher o caminho com o coração e nele viajar incansavelmente", escreveu Araquém em um de seus textos. "Só na Amazônia, estive mais de 100 vezes, desde 1971." Todo esse movimento se tornou o eixo espiritual de sua produção, marcada pela devoção à luz, à paisagem e à consciência.

Da epifania à insurgência: as origens de um olhar

O livro revisita as primeiras imagens feitas no cais de Santos, onde prostitutas, marinheiros e estivadores inauguraram o universo do fotógrafo, e avança até as fotos mais recentes das queimadas na Amazônia e no Pantanal. Entre esses extremos, destaca-se a fotografia que se tornaria um ícone — a foto de capa feita em 1980, retratando seu pai, Manoel Alcântara, em protesto contra a instalação de usinas nucleares na Juréia.

A imagem — hoje símbolo da crítica à política energética e à destruição ambiental — marca o início da fase autoral de Araquém, que revela sua vocação para a fotografia como ato de combate e gesto poético.

A cena, descrita por Chiodetto como "um instante de epifania e insurgência", foi o ponto de inflexão que transformou o repórter em um "andarilho da luz". "Ali se consolidou o caminho a ser seguido — investir toda sua energia de artista em nome de uma causa que, mesmo quando parece fadada ao fracasso, segue ecoando nas elipses do tempo", escreve o curador.

A obra-manifesto

"Entre epifanias e apocalipses", como resume um dos textos críticos, o livro revela a grande travessia de Araquém — 50 anos de fotografia para iluminar os 500 anos da terra chamada Brasil. São imagens que registram a beleza da flora e fauna e também a miséria, o terror causado pela poluição em Cubatão, a devastação das matas e dos biomas.

Fotografias que impõem a reflexão: "Sou um artista de combate, cúmplice dos injustiçados. Minhas fotos são um canto de amor à natureza e ao povo brasileiro", escreve Araquém.

Adolescente nos final dos anos 1960, quando leu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, Araquém gravou na memória um dos trechos, que norteou seu foco: "Como é que posso com este mundo? A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo no meio do fel do desespero." O escritor forjou o percurso do fotógrafo, que transformou sua câmera em instrumento de resistência.

SERVIÇO:

Inauguração da exposição "O Brasil de Araquém Alcântara" e lançamento do livro  "50 anos de fotografia"

Data: 1º/06/2026

Horário: 19h

Local: Mezanino do Edifício dos Plenários - Superior Tribunal de Justiça

Perfil Brasil
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