Gabinete de pastores faz MEC virar balcão de interesses privados no governo Bolsonaro; leia análise
Um novo agente privado vem atuando tanto em Brasília, como pelo País, levando a pregação de que para conseguir recursos da educação há uma nova regra: recorra ao pastor que ele dá um jeito
Reduto da ala mais radical e ideológica no início da gestão do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Educação (MEC) ganhou novo rumo. Como mostra o Estadão, agora, quem dá as cartas são pastores evangélicos. Eles têm passe livre para atuar nos escaninhos do MEC como representantes diretos e autorizados do ministro Milton Ribeiro, mesmo que não tenham cargo algum para isso. A estratégia pode dar ares de um balcão de interesses e negócios privados ao ministério.
Vem do pastor Gilmar Santos a melhor definição para o modelo de gestão que o também pastor Ribeiro está adotando no governo federal: "Estamos fazendo o que ninguém nunca fez", explicou Santos. De fato. Diz a lei que quem deve atuar na administração pública são servidores concursados ou pessoas nomeadas. Mas na cartilha informal do poder federal acostumou-se a ver que parlamentares conseguem furar fila em agendas de ministros, levando consigo prefeitos e até empresários interessados em obter alguma coisa do Estado.
Mas no MEC de Ribeiro, quem abre as portas são pastores. Não que deputados e senadores venham sendo barrados na agenda do ministro. Mas um novo agente privado, no caso pastores, vem atuando tanto em Brasília, como pelo País, levando a pregação de que para conseguir recursos da educação há uma nova regra: recorra ao pastor que ele dá um jeito.
E o próprio ministro faz questão de destacar publicamente sua inovação administrativa. Em reuniões com prefeitos e gestores municipais enaltece uma atuação "sem política, sem discurso de parlamentar nenhum".
A atuação dos pastores ungidos à condição de gabinete paralelo do MEC levanta a dúvida se o trabalho que fazem é remunerado, seja pessoalmente, ou para as igrejas que representam.