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Formação "Express": Recorde de novas CNHs em 2026 acende alerta para o despreparo de condutores no RS

Com carga horária reduzida e fim da obrigatoriedade de autoescolas, pedidos de habilitação saltaram 360% no início do ano. Especialistas alertam que a facilidade na obtenção do documento coloca motoristas sem vivência real nas vias.

23 abr 2026 - 07h30
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O Rio Grande do Sul e o Brasil vivem, em 2026, uma transformação radical no perfil de quem assume o volante. Se por um lado a modernização da legislação — consolidada pela Resolução CONTRAN nº 1.020/2025 — democratizou o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH), por outro, criou um cenário de incertezas para a segurança viária. O contraste é nítido: enquanto o número de processos para a primeira habilitação explodiu, a profundidade do treinamento técnico encolheu, expondo o despreparo de uma nova geração de motoristas.

Foto: Freepik/Reprodução / Porto Alegre 24 horas

A mudança nas regras permitiu que o curso teórico fosse realizado de forma remota e gratuita pelo aplicativo CNH do Brasil, além de autorizar o treinamento com instrutores autônomos. A alteração mais polêmica, contudo, foi a redução da carga horária prática mínima: o que antes exigia 20 horas de volante agora pode ser concluído com apenas duas horas.

O impacto foi imediato. Somente em janeiro de 2026, o Brasil registrou 1,7 milhão de novos processos de habilitação, um aumento de 360% em relação ao mesmo período de 2025. No Rio Grande do Sul, o movimento reflete essa corrida pelo documento mais barato e rápido, gerando filas históricas nos exames práticos.

A preocupação de órgãos de segurança e entidades médicas, como a Abramet, reside na fragilidade dessa formação acelerada. Com apenas duas horas de prática, o novo condutor é preparado apenas para ser aprovado em um exame de manobras básicas, mas raramente é exposto à complexidade do trânsito real.

"Estamos colocando nas ruas motoristas que sabem fazer uma baliza, mas que nunca enfrentaram uma rodovia em alta velocidade, uma chuva torrencial ou uma situação de frenagem de emergência", alertam especialistas do setor. Esse despreparo — a ausência de habilidade prática para reagir a imprevistos — é apontado como o principal gatilho para o aumento de colisões e saídas de pista envolvendo recém-habilitados.

Apesar da facilitação para obter a Permissão para Dirigir (PPD), o rigor na fiscalização permanece. No Rio Grande do Sul, o DetranRS mantém o monitoramento estrito: qualquer infração grave ou gravíssima durante o primeiro ano de direção resulta no cancelamento da permissão.

Entretanto, o mercado de segurança viária questiona se a punição administrativa é suficiente para compensar a falta de vivência ao volante. No primeiro trimestre de 2026, o RS conseguiu reduzir em 15,4% os acidentes fatais graças a operações de fiscalização, mas o desafio agora é manter esses índices diante de uma massa de novos motoristas que chega às ruas com uma bagagem técnica mínima.

O governo federal defende que a medida reduz custos e desburocratiza o direito de ir e vir. Já as autoridades estaduais focam em campanhas educativas, tentando suprir a lacuna deixada pela formação "express".

A orientação para os novos condutores é clara: a CNH na mão não anula a necessidade de buscar prática extra e cautela redobrada antes de enfrentar vias de alta complexidade.

Porto Alegre 24 horas
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