Ormuz terá novo mecanismo de gestão, com pedágio e mudança de rotas, diz Irã
Anúncio foi feito pelo representante do Parlamento da república islâmica, Ebrahim Azizi. País também afirmou que nações europeias negociam passagem pelo gargalo marítimo.
Um membro do alto escalão do Parlamento do Irã anunciou que o país projetou um novo mecanismo para gerenciar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz
O Irã também afirmou neste sábado que vários países europeus estão em conversações com Teerã para obter autorização para atravessar o estreito de Ormuz
Representantes de Israel e Líbano concordaram, em Washington, em prorrogar o cessar-fogo em mais 45 dias, anunciaram as autoridades americanas, que mediam as conversas
FMI prevê agravamento da recessão econômica global devido à guerra no Irã
Navio ancorado nos EAU foi apreendido, diz Reino Unido
Irã autoriza passagem de navios chineses em Ormuz
Trump e Xi concordam que Ormuz deve permanecer aberto, diz Casa Branca
Israel continua a lançar ataques mortíferos no Líbano, mesmo sob cessar-fogo
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Ofensivas de Israel no Líbano já mataram mais de 2,9 mil, diz governo libanês
O número de mortos desde o início dos ataques de Israel contra o Líbano, em 2 de março, no âmbito da guerra no Irã, subiu para 2.969, segundo informou neste sábado (16/05) o Ministério da Saúde Pública libanês, enquanto os bombardeios continuam apesar da prorrogação do cessar-fogo.
O Centro de Operações de Emergência de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde Pública, relatou também que o número de feridos aumentou para 9.112.
De acordo com os dados, foram contabilizados 18 mortos e 124 feridos a mais nas últimas 24 horas, período em que Israel e o Líbano concordaram com uma extensão de mais 45 dias do cessar-fogo, após uma nova rodada de negociações nos Estados Unidos, que atuam como mediadores.
Paralelamente, Israel lançou novas ações contra o sul do Líbano, a região mais afetada do país mediterrâneo e onde o Estado israelense realizou e mantém uma invasão, o que causou pelo menos uma morte.
Por sua vez, o grupo xiita libanês Hezbollah, que não participa das negociações de paz, reivindicou um ataque contra tropas israelenses que ocupam a cidade libanesa de Khiam, no sul.
fcl (EFE)
Irã anuncia nova gestão em Ormuz, com pagamento de pedágio e rota alternativa
Um membro do alto escalão do Parlamento do Irã anunciou neste sábado (16/05) que o país projetou um novo mecanismo para gerenciar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, baseado em uma rota específica para navios comerciais e países que cooperem com Teerã, assim como na cobrança de pedágios.
"O Irã, no âmbito de sua soberania nacional e da garantia da segurança do comércio internacional, preparou um mecanismo profissional para gerenciar o tráfego no Estreito de Ormuz ao longo de uma rota designada", afirmou na rede social X o chefe da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi.
O deputado explicou que apenas navios comerciais e as partes que cooperem com o Irã se beneficiarão desse mecanismo, e que "serão cobradas as tarifas necessárias pelos serviços especializados prestados no âmbito deste sistema".
Azizi afirmou que o estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, "permanecerá fechado para os operadores do chamado Projeto Liberdade", lançado pelos Estados Unidos em 4 de maio para escoltar navios retidos na região devido ao bloqueio iraniano imposto desde os primeiros dias da guerra.
No entanto, o presidente americano, Donald Trump, suspendeu a operação no dia seguinte para dar margem às negociações de paz com Teerã, que estão estagnadas no momento depois de Washington ter classificado a última proposta iraniana como "lixo".
A Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano já aprovou, no final de março, um projeto de lei que estabelece o pagamento de pedágios no Estreito de Ormuz, o qual ainda precisa ser debatido e submetido à votação no plenário.
Apesar de a lei ainda não ter sido aprovada pela totalidade do Legislativo, o Banco Central do país anunciou no final de abril que já estava recebendo pagamentos de navios para transitar por Ormuz.
Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm um cerco naval sobre portos e navios iranianos desde 13 de abril em resposta ao bloqueio de Teerã em Ormuz.
Europeus negociam com república islâmica
O Irã também afirmou neste sábado que vários países europeus estão em conversações com Teerã para obter autorização para atravessar o estreito de Ormuz.
"Depois da passagem de navios provenientes de países da Ásia Oriental, sobretudo da China, do Japão e do Paquistão, recebemos hoje informações de que países europeus iniciaram negociações com a marinha dos Guardas da Revolução" para atravessar a passagem marítima, anunciou a televisão estatal iraniana, sem identificar os países.
Na quinta-feira (14/05), o Irã já tinha anunciado que as forças navais autorizaram a passagem de "mais de 30 navios" chineses pelo estreito de Ormuz. A China é o principal importador de petróleo iraniano.
Fcl (Lusa, EFE)
Irã diz que apoio a proposta dos EUA levará mais países ao conflito
O Irã advertiu que os países que apoiarem um projeto de resolução promovido pelos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz compartilharão a responsabilidade internacional por qualquer nova escalada militar na região.
"Nenhuma desculpa política nem cobertura diplomática poderá absolvê-los de sua responsabilidade por facilitar, permitir e legitimar a agressão americana", afirmou na rede social X a representação do Irã perante a ONU em Nova York no final da sexta-feira (15/05).
A missão acusou Washington de utilizar o número de copatrocinadores da iniciativa para projetar uma "falsa imagem" de amplo respaldo internacional às suas ações "ilegais".
"Agora fica absolutamente claro que os Estados Unidos buscam explorar o número de supostos copatrocinadores de seu projeto de resolução, politicamente motivado e unilateral, para fabricar uma falsa imagem de 'amplo apoio internacional' às suas contínuas ações ilegais e abrir caminho para novas aventuras militares na região", criticou.
O esboço do projeto de resolução, apresentado pelos Estados Unidos e pelo Bahrein em 7 de maio, defende a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e exige que o Irã cesse os ataques, a minagem e a cobrança de pedágios aos navios que desejam transitar por essa passagem.
O texto conta com o respaldo de Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Este novo esboço suaviza a versão anterior, apresentada em abril, ao eliminar qualquer referência ao Capítulo VII da Carta da ONU, que permite autorizar o uso da força militar e que foi vetada pela Rússia e pela China.
O Irã mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado desde os primeiros dias da guerra lançada em 28 de fevereiro por EUA e Israel contra o país, razão pela qual Washington reagiu impondo, desde 13 de abril, um cerco naval sobre portos e navios iranianos na estratégica via marítima, por onde passa 20% do petróleo mundial.
md (EFE, AFP)
Israel bombardeia sul do Líbano um dia após extensão da trégua
Militares israelenses informaram ter lançado neste sábado (16/05) novos ataques visando a infraestrutura do Hezbollah em todo o sul do Líbano, um dia após os dois países concordarem em prorrogar um cessar-fogo em vigor.
"As FDI iniciaram ataques contra instalações de infraestrutura do Hezbollah em diversas áreas no sul do Líbano", afirmou o comando das Forças de Defesa de Israel (FDI).
Nesta sexta-feira, pelo menos seis pessoas foram mortas — incluindo três paramédicos — e 22 ficaram feridas em um ataque israelense contra um centro de defesa civil no sul do Líbano, informou a agência estatal de notícias libanesa na madrugada deste sábado.
Também nesta sexta, representantes de Israel e Líbano concordaram, em Washington, em ampliar por 45 dias o cessar-fogo declarado em 16 de abril, anunciou o Departamento de Estado dos Estados Unidos, país que atua como mediador.
Além disso, as delegações de ambos os países concordaram em realizar uma nova rodada de negociações de paz nos dias 2 e 3 de junho, assim como uma reunião em nível militar no Pentágono em 29 de maio.
md (AFP, Reuters)
Israel e Líbano prolongam trégua em 45 dias, anunciam EUA
Representantes de Israel e Líbano concordaram nesta sexta-feira (15/05), em Washington, em ampliar por 45 dias o cessar-fogo declarado em 16 de abril, anunciou o Departamento de Estado dos Estados Unidos, país que atua como mediador.
Além disso, as delegações de ambos os países concordaram em realizar uma nova rodada de negociações de paz nos dias 2 e 3 de junho, assim como uma reunião em nível militar no Pentágono em 29 de maio.
"Esperamos que essas discussões avancem rumo a uma paz duradoura entre os dois países, ao pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e ao estabelecimento de verdadeira segurança ao longo de sua fronteira compartilhada", disse em redes sociais Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado americano.
Representantes de ambos os países realizaram dois dias de negociações no Departamento de Estado americano para tentar salvar o cessar-fogo acertado em abril, que expiraria nesta sexta-feira e foi violado por contínuos ataques israelenses em território libanês no contexto do conflito com o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã.
A delegação israelense foi composta pelo embaixador nos EUA, Yechiel Leiter, e pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional, Yossi Draznin. A delegação libanesa incluía a embaixadora nos EUA, Nada Hamadeh, e o enviado especial Simon Karam.
Os EUA foram representados pelo conselheiro do Departamento de Estado, Michael Needham, pelo embaixador em Israel, Mike Huckabee, e pelo embaixador no Líbano, Michel Issa.
Israel e Líbano, que não mantêm relações diplomáticas, realizaram duas rodadas de negociações na capital americana, em 14 e 23 de abril, que resultaram em um acordo - e posteriormente em uma prorrogação - de cessar-fogo nos ataques israelenses em território libanês.
No entanto, Israel continuou a bombardear o território do Líbano desde a entrada em vigor do cessar-fogo, enquanto o Hezbollah, que não participa das negociações, atacou forças de Israel no Líbano e em território israelense.
O principal objetivo das negociações é consolidar a trégua entre os dois países e estabelecer as bases para um tratado de paz. Beirute exige a retirada das tropas israelenses de seu território, enquanto Israel exige o desarmamento do Hezbollah.
fcl (EFE)
Irã afirma que desconfiança com EUA é principal obstáculo para negociações
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta sexta-feira, em Nova Déli, que a falta de confiança nos Estados Unidos continua sendo o principal obstáculo para avançar nas negociações bilaterais, depois que Washington atacou o território iraniano enquanto as duas partes mantinham contatos diplomáticos.
"O problema mais importante agora é a desconfiança", declarou Araqchi durante uma entrevista coletiva à margem da reunião ministerial do Brics em Nova Déli.
Ainda assim, o chanceler iraniano sustentou que Teerã continua acreditando que não existe uma solução militar para o conflito e defendeu a necessidade de manter as negociações.
"Não há outra solução senão uma solução negociada", afirmou.
Araqchi afirmou que o Irã havia retomado as conversas com os Estados Unidos e apenas dias depois os americanos iniciaram os ataques.
"O último encontro foi em 26 de fevereiro. O negociador nos disse que havia avanços significativos, mas dois dias depois começaram os ataques", declarou.
O ministro iraniano também acusou Washington de enviar "mensagens contraditórias" sobre o processo diplomático e assegurou que isso dificulta qualquer avanço nas conversas.
"A cada dia a mensagem é diferente, e isso é um problema", afirmou.
Araqchi insistiu ainda que o Irã resistirá à pressão ocidental da mesma forma que tem feito durante décadas sob sanções internacionais.
"Resistimos a mais de 40 anos de sanções, mas isso não mudou a nossa determinação", assinalou.
As declarações do chefe da diplomacia iraniana ocorrem em meio a uma frágil trégua no Oriente Médio e durante a reunião de ministros das Relações Exteriores do Brics em Nova Délhi, marcada pelas divisões internas do bloco sobre a guerra e o futuro das negociações com Washington.
jps (EFE)
Reunião de ministros do Brics termina sem posição comum sobre guerra no Oriente Médio
Os ministros das Relações Exteriores do Brics concluíram nesta sexta-feira sua reunião em Nova Déli sem chegar a uma posição comum sobre a guerra no Oriente Médio, depois que a declaração final do bloco reconheceu a existência de "diferentes pontos de vista" entre os seus membros sobre o conflito.
"Houve opiniões diferentes entre alguns membros com relação à situação na região de Ásia Ocidental e Oriente Médio. Os membros do Brics expressaram as suas respectivas posições nacionais e compartilharam uma variedade de perspectivas", assinala o texto divulgado no encerramento da reunião ministerial.
O documento, publicado como uma declaração da presidência indiana do Brics e não como uma declaração conjunta pactuada por todos os membros, evidenciou as dificuldades do bloco ampliado para fixar uma postura comum sobre a crise regional.
O bloco, integrado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, incorporou nos últimos dois anos Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
A declaração acrescenta que, entre as posições expressadas pelos membros, figuraram "a necessidade de uma pronta resolução da crise atual, o valor do diálogo e da diplomacia, o respeito à soberania e à integridade territorial", assim como "a importância de um fluxo seguro e sem obstáculos do comércio marítimo através das vias internacionais".
As diferenças internas ocorrem em um contexto de tensões entre Irã e Emirados Árabes Unidos, ambos recém-incorporados ao grupo, e depois que Teerã pressionou para que o Brics condenasse explicitamente as ações militares de EUA e Israel.
O texto final evitou qualquer condenação direta a Washington e Tel Aviv, embora tenha destacado que "muitos membros destacaram o impacto dos recentes acontecimentos sobre a situação econômica mundial".
As divisões também ficaram refletidas em duas seções relacionadas a Gaza e à situação no mar Vermelho, sobre as quais a presidência indiana adicionou notas esclarecendo que "um membro tinha reservas sobre alguns aspectos deste parágrafo".
Apesar das divergências sobre o Oriente Médio, o Brics manteve consensos em questões econômicas e de governança global.
Os ministros reiteraram seu apoio à reforma das instituições financeiras internacionais e condenaram "a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional".
A reunião ministerial realizada entre 14 e 15 de maio em Nova Déli serviu ainda como preparação para a próxima cúpula de líderes do Brics, prevista para setembro na capital indiana.
jps (EFE)
Ministro russo pede transformação de tréguas em paz definitiva no Oriente Médio
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, pediu nesta sexta-feira (15/05), a partir de Nova Délhi, a transformação das atuais tréguas no Oriente Médio em um "acordo definitivo" de cessação de hostilidades e defendeu a criação de uma estrutura regional "estabilizadora" para evitar novas crises na região.
"O mais importante é deter a guerra atual", segundo a tradução oficial para o inglês de suas declarações em russo em uma entrevista coletiva à margem da reunião ministerial do Brics em Nova Délhi.
Para o chanceler, o propósito neste momento deve ser "converter as tréguas que se respeitam mais ou menos em um acordo definitivo sobre a cessação de qualquer ação militar. Mas, a longo prazo, é claro, é preciso pensar em alguma estrutura regional estabilizadora", disse.
"Contradições" entre Irã e Emirados
Lavrov reconheceu que surgiram "contradições" entre Irã e Emirados Árabes Unidos no contexto do conflito, mas sustentou que as hostilidades começaram por uma "agressão não provocada" de Washington e Tel Aviv contra Teerã.
"Precisamos entender as causas profundas de cada conflito, e a causa raiz aqui é a agressão não provocada de Estados Unidos e Israel contra o Irã", afirmou.
O chefe da diplomacia russa assinalou ainda que o bloco Brics não deve assumir uma mediação direta do conflito, embora tenha defendido um maior papel diplomático de países com influência regional e vínculos com o Irã.
"Espero que o Paquistão esteja ajudando agora a estabelecer um diálogo entre Irã e Estados Unidos para resolver a crise atual. Seria perfeitamente possível aproveitar a Índia, dada a sua ampla experiência diplomática e autoridade, para preparar o terreno e criar um espaço de diálogo entre os vizinhos", acrescentou.
Defesa da posição de Teerã
Lavrov também defendeu a posição iraniana em relação ao Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo. "Agora todo mundo está pedindo ao Irã que abra o Estreito de Ormuz. Gostaria de lembrar que antes de 28 de fevereiro, quando começou esta agressão, não havia nenhum problema", declarou.
O ministro acrescentou que o Irã não foi responsável pela atual crise no golfo Pérsico e vinculou as tensões marítimas ao conflito iniciado após os ataques americanos e israelenses contra o território iraniano.
Suas declarações ocorrem durante a reunião de ministros das Relações Exteriores do Brics em Nova Délhi, marcada pelas divisões internas do bloco sobre a guerra no Oriente Médio e o impacto do conflito sobre o fornecimento energético global.
O grupo, integrado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, incorporou nos últimos dois anos Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, ampliando seu peso político e econômico, mas também as diferenças internas entre alguns dos seus membros.
md (EFE, AFP)
Trump diz ter visão "muito semelhante" com Xi sobre fim do conflito no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (15/05), antes de almoçar com seu homólogo chinês, Xi Jinping, que ambos compartilham uma visão "muito semelhante" sobre como pôr fim ao conflito no Irã, que EUA e Israel iniciaram no final de fevereiro e que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz por parte de Teerã.
"Falamos sobre o Irã. Temos uma opinião muito semelhante sobre o Irã. Queremos que acabe, não queremos que tenham uma arma nuclear e queremos que o estreito seja aberto", indicou Trump em um encontro em Zhongnanhai, o complexo próximo à Cidade Proibida de Pequim que abriga a cúpula do Partido Comunista da China (PCC, governante), ao final de sua visita de dois dias a Pequim.
Trump disse que o Irã decidiu fechar o estreito e explicou que os EUA decidiram então "fechá-lo sobre eles, mas queremos que seja aberto", porque é "algo insano e não é bom".
O mandatário reiterou que o Irã não pode ter uma arma nuclear e que ele e Xi estão "bastante de acordo" nesse e em outros pontos.
md (EFE, AFP)
Trump diz que Xi ofereceu "ajuda" com o Irã durante encontro em Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que seu homólogo chinês, Xi Jinping, ofereceu-lhe "ajuda" com a guerra no Irã e a reabertura do estreito de Ormuz durante o encontro entre os dois em Pequim.
"O presidente Xi gostaria de que se chegasse a um acordo. Ele me disse: 'Se eu puder ajudar de alguma forma, gostaria de ajudar'", declarou Trump em entrevista à rede de televisão "Fox News", direto da China.
De acordo com um trecho da entrevista, que será exibida na íntegra nesta quinta à noite nos EUA, Trump afirmou que Xi "gostaria de ver o estreito de Ormuz aberto".
Segundo ele, Xi também prometeu que não vai fornecer equipamentos militares ao Irã.
"Ele disse que não vai fornecer equipamentos militares, o que é uma declaração significativa. Mas, ao mesmo tempo, afirmou que a China compra muito petróleo de lá (Irã) e gostaria de continuar comprando", acrescentou.
A guerra no Irã ganhou destaque durante a visita de Trump à China porque, nos dias que antecederam a viagem, Washington havia pedido a Pequim para assumir um papel mais ativo na comunicação com Teerã.
Os EUA argumentaram que o bloqueio do estreito de Ormuz impacta diretamente os interesses de energia e comércio da China, já que aproximadamente 45% de suas importações de petróleo e gás passam pela hidrovia.
Xi e Trump concordaram na reunião que o Irã "nunca" deveria possuir armas nucleares e sobre a necessidade de reabrir o estreito de Ormuz ao transporte de hidrocarbonetos sem a cobrança de taxas de trânsito, de acordo com um comunicado da Casa Branca sobre o primeiro encontro entre os dois.
Trump, que está em visita oficial a Pequim pela primeira vez desde 2017, durante seu primeiro mandato, terá outro encontro com Xi amanhã antes de retornar a Washington.
jps (EFE)
FMI prevê agravamento da recessão econômica global devido à guerra no Irã
O Fundo Monetário Internacional (FMI) acredita que o fechamento persistente do estreito de Ormuz está exacerbando a atual recessão, embora considere que os danos no último mês tenham sido relativamente moderados, pois a economia global demonstra certa resiliência.
"Estamos claramente nos afastando do cenário (econômico) base e caminhando para o cenário adverso", afirmou a porta-voz do FMI, Julie Kozak, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, na qual acrescentou que alguns fatores indicam que o ritmo de deterioração econômica está sendo parcialmente contido.
No último relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO), de abril, o FMI delineou três cenários progressivos vinculados à duração do conflito e afirmou que, se o fechamento do estreito de Ormuz persistir até o início do verão (hemisfério norte), os danos se agravarão, levando a uma segunda fase de danos econômicos ainda mais severos.
O FMI acredita que, embora o preço médio do barril de petróleo bruto tenha aumentado cerca de US$ 10 em comparação com o índice de referência de março usado no WEO, os outros dois canais que transmitem os danos econômicos causados pela guerra não sofreram grandes perturbações.
Kozak afirmou que o prolongamento do conflito já piorou desde abril às perspectivas de inflação, embora tenha esclarecido que isso se refere apenas ao curto prazo.
"Quando olhamos para as perspectivas de médio prazo, ainda vemos as expectativas de inflação, especialmente nas economias desenvolvidas, bem ancoradas. E quanto ao terceiro canal, que são as condições financeiras, estas permanecem bastante favoráveis", destacou.
O cenário base delineado pelo FMI em abril projeta um crescimento global de cerca de 3,1% em 2026 (0,2 ponto percentual abaixo da previsão pré-guerra), com a inflação global próxima de 4,4% em 2026.
No entanto, se o estreito de Ormuz permanecer fechado após junho, a organização acredita que o crescimento cairá para cerca de 2,5% e a inflação subirá para 5,4%, a expansão econômica desacelerará para 2% e os aumentos de preços ultrapassarão 6% até 2027, caso a guerra se prolongue ainda mais
jps (EFE)
Irã permite trânsito de navios chineses por Ormuz, diz imprensa iraniana
O Irã está permitindo o trânsito de navios chineses através do Estreito de Ormuz desde a noite de quarta-feira, no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou em visita oficial a Pequim, segundo informou a mídia iraniana nesta quinta-feira.
"Após a decisão da república islâmica, vários navios chineses foram autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz seguindo os protocolos iranianos", indicaram as agências Fars e Tasnim, ambas ligadas à Guarda Revolucionária.
Os dois meios de comunicação citaram fontes informadas sobre a situação, mas não ofereceram mais detalhes.
A república islâmica bloqueou a passagem estratégica pouco depois do início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel no último dia 28 de fevereiro, o que interrompeu a circulação de petroleiros e provocou a subida dos preços dos combustíveis.
Ao mesmo tempo, Teerã insiste que permite a passagem de navios que sigam as rotas estabelecidas pela Marinha iraniana e tem a intenção de formalizar a cobrança pelo trânsito pelo estreito estratégico com a aprovação de um projeto de lei.
Apesar de a lei ainda não ter sido aprovada, o Banco Central do país anunciou no final de abril que já estava recebendo pagamentos de navios para transitar por Ormuz.
Os Estados Unidos reagiram ao bloqueio de Ormuz com o cerco aos portos e navios iranianos.
O anúncio da passagem dos navios chineses coincide com a visita de Trump à China, um dos principais aliados do Irã e que recebe 90% das exportações de petróleo bruto iraniano.
jps (EFE)
Israel critica jogador Lamine Yamal por exibição de bandeira palestina em Barcelona
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, criticou nesta quinta-feira o jogador espanhol Lamine Yamal após a divulgação, nesta semana, de imagens nas quais o atleta do Barcelona aparece segurando uma bandeira palestina durante a celebração do título do Campeonato Espanhol na capital catalã.
"Lamine Yamal escolheu incitar contra Israel e fomentar o ódio enquanto nossos soldados combatem a organização terrorista Hamas, que massacrou, estuprou, queimou e assassinou crianças, mulheres e idosos judeus em 7 de outubro", afirmou o ministro em uma mensagem escrita em espanhol e publicada em sua conta na rede social X.
"Quem apoia este tipo de mensagem deve se perguntar: considera isso humanitário? Isso é moral?", escreveu Katz, acrescentando que não guardará silêncio diante do que classificou como "incitação contra Israel e contra o povo judeu".
Katz também expressou sua expectativa de que o Barcelona se distancie do ocorrido e deixe claro, de forma inequívoca, que não há lugar "para a incitação nem para o apoio ao terrorismo".
As declarações ocorrem após o jogador, de 18 anos, protagonizar nesta semana uma das cenas mais comentadas da festa do título espanhol em Barcelona, ao ondear por vários minutos uma bandeira palestina que lhe foi entregue por um torcedor durante o desfile em carro aberto.
O gesto foi posteriormente compartilhado pelo próprio atleta em sua conta no Instagram, onde possui mais de 42 milhões de seguidores, gerando um amplo impacto nas redes sociais.
jps (EFE)
Brasil se oferece para impulsionar as negociações de paz entre Irã e Estados Unidos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, transmitiu nesta quinta-feira ao seu homólogo do Irã, Abbas Araghchi, que o Brasil está disposto a "contribuir para os esforços de negociação" com os Estados Unidos para alcançar "a paz e a reabertura do Estreito de Ormuz".
Em uma reunião à margem do encontro ministerial do BRICS, em Nova Délhi, o chanceler reforçou que o Brasil apoia uma "solução diplomática" para o conflito iniciado no último dia 28 de fevereiro, que se estendeu a outros países do Oriente Médio.
Vieira também frisou que Ormuz, cenário de graves tensões entre o Irã e os EUA, é "estratégico para o fluxo global de combustíveis e fertilizantes", dos quais depende a potente indústria agropecuária brasileira, conforme apontou o Itamaraty em suas redes sociais.
Por sua vez, Araghchi elogiou a posição brasileira em defesa do "direito internacional" e atualizou seu homólogo em relação aos "esforços diplomáticos em curso com a mediação do Paquistão", a fim de chegar a um acordo que "restabeleça a paz na região".
Além disso, lembrou no encontro desta quinta-feira o "esforço construtivo de Brasil e Turquia" que possibilitou o acordo sobre o programa nuclear iraniano em 2010.
A reunião ministerial dos BRICS ocorre em meio a crescentes divergências internas dentro do bloco, que conta entre seus membros com Irã e Emirados Árabes Unidos - sendo este último alvo de ataques por parte de Teerã no âmbito do conflito.
As tensões entre Irã e Emirados já haviam bloqueado uma declaração conjunta durante a reunião preparatória de vice-ministros e enviados especiais realizada em 26 de abril.
Do lado brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado duramente, desde o início, a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, classificando-a em diversas ocasiões como uma "guerra da insensatez".
A agenda do chanceler em Nova Délhi incluiu uma reunião na quarta-feira com seu homólogo indiano, S. Jaishankar, e um encontro com o primeiro-ministro, Narendra Modi, junto a todos os representantes do bloco.
Vieira também se reuniu, nos bastidores da cúpula, com o chanceler russo, Sergei Lavrov.
jps (EFE)
Ministro israelense de extrema direita força entrada na Esplanada das Mesquitas
O ministro ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, titular da pasta de Segurança Nacional de Israel, entrou nesta quinta-feira com uma bandeira israelense no recinto da Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental ocupada, e reivindicou o controle do seu país sobre o local reservado aos muçulmanos.
"Cinquenta e nove anos após a libertação de Jerusalém, hasteei a bandeira israelense no Monte do Templo e podemos afirmar com orgulho: recuperamos o controle do Monte do Templo", disse Ben-Gvir hoje, coincidindo com a celebração do chamado Dia de Jerusalém.
Nesta jornada, milhares de israelenses radicais - em sua maioria adolescentes e muitos deles colonos da Cisjordânia - costumam comemorar a conquista militar de Jerusalém Oriental na Guerra de 1967 com cânticos anti-árabes e uma marcha que atravessa a Cidade Velha de Jerusalém. Não é raro que a data seja marcada por violência.
"Hoje, mais do que nunca, o Monte do Templo está em nossas mãos! O Dia de Jerusalém é um dia de paz e segurança", acrescentou Ben-Gvir, ele próprio um colono, em publicação compartilhada em sua conta na rede social X.
Os israelenses chamam de Monte do Templo o que os palestinos denominam Esplanada das Mesquitas, onde se encontra a mesquita de Al-Aqsa, o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos depois de Medina e Meca.
Para os judeus, este é também o lugar mais sagrado do judaísmo, pois defendem que, antes da mesquita, o local abrigou o Primeiro Templo, construído por Salomão, e o Segundo Templo (destruído pelos romanos). No entanto, de acordo com as normas religiosas, apenas alguns rabinos podem orar ali.
Nas últimas décadas, em paralelo à ascensão do sionismo religioso simbolizado por Ben-Gvir, cada vez mais rabinos instam os fiéis a entrarem na Esplanada para rezar, violando o "statu quo" estabelecido por Israel com a Jordânia em 1967, segundo o qual apenas os muçulmanos podem orar no recinto.
No ano passado, Ben Gvir já havia realizado uma oração pública na Esplanada das Mesquitas, no que foi visto como um ato de provocação pública. Na ocasião, Ben Gvir ainda sugeriu que Gaza seja integralmente ocupada por Israel.
Tomado como uma provocação pelo mundo muçulmano, o movimento violou um acordo histórico que proíbe orações judaicas no local e desencadeou condenações de diversos países da região.
jps (EFE)
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