Feminicídio: No mês da mulher, índices continuam em alta
Em pleno mês da mulher, elas seguem sendo mortas todos os dias no Brasil. Advogada alerta para a importância de dar visibilidade aos casos e romper o silêncio em torno da violência de gênero
Em mais um 08 de março, de nada adiantam as flores e chocolates enquanto as mulheres continuam virando estatística. Na segunda hora de 2026, o país já registrava uma nova ocorrência de feminicídio. Bruna Aline Rodrigues de Souza, de 27 anos, foi surpreendida por seu ex-marido, que invadiu a residência onde a vítima estava, a agrediu e a esfaqueou, na frente de sete menores. Dois destes, filhos da vítima. O crime aconteceu em Bom Repouso, Minas Gerais. O homem fugiu do local. Embora o socorro tenha sido acionado, Bruna Aline não resistiu.
No dia 25 de fevereiro a jovem Beatriz Benevides, de 18 anos, foi enforcada dentro do apartamento em que morava com o parceiro. O homem confessou o crime. O crime aconteceu na cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O casal partilhou o mesmo teto por apenas três dias. Em Itumbiara, no estado de Goiás, Valdirene dos Santos Ferreira, de 39 anos, foi morta a facadas pelo namorado. Momentos após o crime, o homem cometeu suicídio. O aumento expressivo de casos, como os citados, assombra mulheres e autoridades, e este é apenas um recorte de notícias registradas nos últimos três meses.
Feminicídio:
Assim é chamado o crime cometido em razão do gênero, quando a vítima é morta pelo fato de ser mulher. Os dados mais recentes, divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, são de 2025. A média de 4 mulheres assassinadas diariamente atingiu o número recorde já registrado, totalizando 1.518 vítimas. O número é expressivo, mas ainda supera o ano anterior, de 2024, onde outras 1.458 mulheres foram vitimadas.
Para além das atualizações anuais, é necessário combater e informar diariamente mulheres e meninas. Com o avanço do alcance das redes sociais, a internet se tornou também uma ferramenta de alerta.
Encarregada deste papel, se viu a advogada Maria Beatriz da Fonseca, de 26 anos. A ativista encontrou em suas redes pessoais, instrumentos para alertar contra o público contra a violência de gênero. Em entrevista ao site Perfil Brasil, Maria Beatriz da Fonseca foi clara sobre o recorte de casos que são ou não noticiados:
"As mortes dessas mulheres… elas são divulgadas! Elas só não são divulgadas por grandes mídias, por portais de relevância. Não são divulgadas de forma que chegue, de fato, ao público" Sobre a importância da visibilidade e alertas, Maria comentou: "A gente vive em uma sociedade que quer manter as mulheres cegas, com o objetivo de as mulheres se mantenham quietas"
Questionada sobre a criação de meninos, que podem se tornar homens agressores, a advogada alertou sobre a importância de não culpabilizar mães: "Quando a gente critica as mães dos meninos por criarem assim os meninos, a gente não critica o indivíduo, aquela mulher, a dona Neiva, a dona Neide, a dona Paula. A gente critica uma estrutura social, que criou essas mulheres para fazer com que elas acreditem nas coisas que elas passaram ou deixaram de passar, nos limites que elas impuseram ou que deixaram de impor".
Para além das estatísticas, é preciso dar nome às vítimas. É preciso reconhecer histórias e humanizar sonhos e projetos inacabados. A cada feminicídio noticiado, outros três ainda estão fora do radar midiático.
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