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Exposição gratuita em São Paulo apresenta novas possibilidades da arte têxtil

O evento 'A Fibra que Conduz ao Significado' aproxima técnicas ancestrais da produção contemporânea em mostra no Espaço República, com encontros, conversas, oficinas e visitas guiadas

26 ago 2026 - 15h34
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Resumo
O Espaço República, em São Paulo, recebe a exposição gratuita "A Fibra que conduz ao significado", com curadoria de Liliam Barboza. A mostra reúne 56 artistas e quatro coletivos que exploram a arte têxtil contemporânea por meio de tapeçarias, bordados, esculturas e experimentações materiais. Unindo saberes ancestrais a linguagens modernas, o evento promove o diálogo entre passado e presente, além de oferecer uma programação integrada com oficinas, visitas guiadas e palestras com os criadores.

O Espaço República, no centro de São Paulo, estreou neste sábado (22), a exposição 'A Fibra que conduz ao significado', que reúne 56 artistas em torno das diferentes possibilidades da arte têxtil contemporânea. Com curadoria de Liliam Barboza, a mostra apresenta artistas com participação individual e integrantes de quatro coletivos, em trabalhos que transitam entre tapeçaria, bordado, escultura, objeto e experimentação com diferentes materiais.

A exposição aproxima técnicas ancestrais da produção contemporânea em mostra no Espaço República, com encontros e oficinas
A exposição aproxima técnicas ancestrais da produção contemporânea em mostra no Espaço República, com encontros e oficinas
Foto: Divulgação/Obras Anna Guerra / Perfil Brasil

Arte como metáfora

A exposição parte da fibra como matéria e também como metáfora para os caminhos percorridos pelo artista. Fios, tecidos, bordados e tramas carregam técnicas transmitidas ao longo de gerações, mas aparecem na mostra associados a novas linguagens, materiais e questões contemporâneas.

Esse diálogo entre passado e presente está no centro da exposição. De um lado, técnicas manuais e saberes que atravessaram séculos e diferentes culturas. De outro, artistas que incorporam essas referências a pesquisas próprias, ampliando os limites tradicionalmente associados à arte têxtil.

Referências históricas

O percurso reúne tapeçarias produzidas em teares manuais, tapeçarias bordadas e tramas experimentais. As referências passam pelas tradições têxteis da América Andina, pela produção europeia ligada aos Gobelins e pelas transformações introduzidas pela Bauhaus no início do século XX. A intenção, no entanto, não é construir uma linha histórica, mas mostrar como conhecimentos, técnicas e memórias continuam sendo transformados pela produção contemporânea.

"A fibra representa o artista que processa a sua obra e a transforma em sentimentos e mensagens para a humanidade. O artista liga pontos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano e abre caminhos para novas experiências", afirma a curadora Liliam Barboza.

Diferentes materiais

Essa diversidade pode ser percebida no trabalho de Anna Guerra, uma das artistas participantes. Nascida no Recife e radicada em São Paulo, ela utiliza resíduos têxteis, fios, tecidos, madeira e metal em trabalhos que transitam entre pintura, bordado, objeto, instalação e escultura. "O tecido deixa de ser superfície e torna-se corpo. O metal age como nervura. A madeira ancora", afirma a artista.

Em 2026, Anna realizou a exposição individual 'Sustento Insisto', no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), com curadoria de Valquiria Prates e Nilton Campos. Além das participações individuais, a exposição reúne quatro coletivos. Fios Condutores, Raízes e Espelho d'água foram idealizados por Liliam Barboza e desenvolvem diferentes pesquisas a partir da arte têxtil. A mostra recebe ainda As Catarinas, coletivo de Santa Catarina, ampliando o encontro entre artistas, experiências e formas de trabalhar a fibra.

Exposição proporciona encontra com artistas

Ao longo do período expositivo, o público também poderá participar de uma agenda de encontros e atividades com artistas e a curadora. A programação inclui conversas sobre processos criativos, palestra, oficina de composição e bordado, encontro sobre os coletivos participantes e visita guiada com Liliam Barboza. A proposta é aproximar o visitante não apenas das obras prontas, mas também das pesquisas, técnicas e experiências envolvidas em sua criação.

'A Fibra que conduz ao significado' dá continuidade à presença da arte têxtil na programação do Espaço República, que em 2024 apresentou a exposição 'Do Casulo à Borboleta'. A nova mostra amplia essa investigação ao reunir diferentes gerações, técnicas e maneiras de pensar uma linguagem que parte de práticas ancestrais, mas encontra novas possibilidades na arte contemporânea.

Perfil Brasil
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