Exército instaura inquérito para investigar agressão contra soldado em quartel de Sant'Ana do Livramento
Recruta relata ter sido espancado por colegas com chutes e socos após ordens de um cabo por atraso em formatura; comando do 7º RC Mec abriu investigação interna
O Exército Brasileiro instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar uma denúncia de agressão física contra um soldado do Efetivo Variável dentro das dependências do 7º Regimento de Cavalaria Mecanizado, localizado no município de Sant'Ana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em seu depoimento oficial, a vítima relatou que os ataques começaram após ele ter chegado atrasado para uma formatura da unidade. Como uma primeira medida de punição, o jovem foi obrigado a dar cinco voltas correndo ao redor do pátio do esquadrão e, logo na sequência, acabou conduzido por superiores até o interior de um galpão junto com outros recrutas que também serviam na localidade.
De acordo com o relato do soldado que consta na investigação, um cabo da unidade ordenou que os militares presentes no galpão formassem um semicírculo. Após um comando verbal emitido por esse superior, o recruta foi derrubado no chão e passou a ser alvo de uma série de socos, chutes e golpes desferidos com gorros militares pelos próprios colegas de farda. O jovem apresentou lesões corporais visíveis na região das costas, nos joelhos e nas pernas, e enfatizou aos investigadores que em nenhum momento encarou o episódio como um trote ou uma brincadeira, rebatendo diretamente a linha de defesa e a versão apresentada inicialmente pelos militares que estão sendo investigados.
Em manifestação oficial emitida por meio de sua Assessoria de Comunicação, o comando do 7º Regimento de Cavalaria Mecanizado confirmou a abertura formal do procedimento investigatório e assegurou que todas as pessoas envolvidas no episódio estão sendo ouvidas pelas autoridades competentes para esclarecer a dinâmica dos fatos. O quartel informou ainda que o pai do soldado, identificado pelas iniciais C.M.R.M., compareceu pessoalmente à unidade em busca de explicações sobre o ocorrido e foi acolhido pelo setor jurídico, pelo oficial de Relações Públicas e pelo comandante do pelotão. Diante da gravidade da situação, a família da vítima decidiu constituir um advogado particular para acompanhar de perto todos os desdobramentos jurídicos e depoimentos do caso.
A instituição militar fez questão de reforçar publicamente que não compactua com nenhum tipo de violência ou conduta que fira os regulamentos internos e os direitos humanos. O comando destacou que realiza orientações constantes e rigorosas com as tropas a respeito da proibição desse tipo de comportamento e que aplica sanções disciplinares severas sempre que desvios dessa natureza são comprovados. O Inquérito Policial Militar segue em andamento na guarnição gaúcha para colher novas provas técnicas e depoimentos antes de ser relatado e encaminhado para a Justiça Militar da União, que dará a palavra final sobre a responsabilização criminal dos envolvidos.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.