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Ex-padre troca celibato pelo poliamor e vive trisal: "Cristo em momento algum proibiu nada"

Emerson Rogério de Souza, de 51 anos, mora em Araçatuba (SP) e há dois anos divide a vida com Daniela, sua esposa há 26 anos, e com Camila.

1 out 2025 - 15h53
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Emerson Rogério de Souza, de 51 anos, mora em Araçatuba (SP) e há dois anos divide a vida com Daniela, sua esposa há 26 anos, e com Camila, em uma relação a três. Antes de viver o poliamor, ele seguiu a vida religiosa como padre.

Ex padre vive trisal.
Ex padre vive trisal.
Foto: Reprodução/G1 / Portal de Prefeitura

"A gente está falando de amor. Cristo em momento algum proibiu nada, desde que você ame o próximo como a ti mesmo"

O ex-sacerdote, que já atuou como Irmão do Sagrado Coração de Jesus, afirma que não rompeu com a espiritualidade, mas com os dogmas que, segundo ele, limitavam sua vida afetiva.

"Chegou um momento da minha vida em que eu comecei a questionar algumas coisas, principalmente sobre o casamento. Por que a Igreja proíbe o padre de se casar?", relata. Ele lembra que esperava mudanças ainda no papado anterior, mas reforça que acredita que o futuro pode trazer novas interpretações sobre o tema.

Questionamentos sobre a monogamia

Durante o período em que atuou como padre, Emerson ouviu diversas confissões. Esse contato o levou a refletir sobre relacionamentos e fidelidade.

"Nunca acreditei que a espécie humana seja monogâmica. Se fosse, a primeira namorada seria a única companheira para o resto da vida. Não é o que acontece. Na igreja, 90% das confissões que ouviam tinham relação com traições ou casamentos falidos", explica.

Para ele, essas experiências reforçaram a convicção de que não existe uma única forma de viver o amor e as relações afetivas.

Como conheceu Daniela

Natural de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Emerson tinha pouco mais de 20 anos quando conheceu Daniela, então adolescente, durante um retiro de Semana Santa em Araçatuba. Ele atuava na época como missionário em Campanha, no estado de Minas Gerais.

O reencontro ocorreu dois anos depois, quando ele voltou à cidade para novas atividades religiosas. Foi então que os dois se aproximaram. Daniela sofreu um grave acidente de bicicleta e o contato de emergência disponível era o telefone de Emerson, que passou a acompanhá-la durante a recuperação. A partir dessa convivência nasceu o relacionamento, que enfrentou resistência da família dela.

"Quando começamos a nos relacionar, o pai dela a pôs para fora de casa, queimou as roupas e não aceitou", lembra o ex-padre.

Abertura para o poliamor

O casal viveu mais de uma década em casamento monogâmico antes de abrir espaço para novas possibilidades. Emerson relata que sempre soube da bissexualidade de Daniela, mas que ela mesma relutava em aceitar por conta da religiosidade. A mudança aconteceu após uma conversa em que Daniela contou ao marido sobre uma aproximação que recebeu.

"Eu disse a ela: esqueça a razão, pense no sentimento. E isso abriu caminho para que tentássemos", afirma.

Foi nesse momento que os dois começaram a vivenciar relações poliafetivas, que ao longo dos anos levaram à configuração atual do trisal com Camila.

Vida a três em Araçatuba

Hoje, o relacionamento é vivido em forma de triângulo, com os três envolvidos igualmente. Emerson descreve a experiência como uma parceria fortalecida pelo diálogo.

"Quando dois têm um atrito, o terceiro ajuda a mediar. É uma parceria verdadeira", diz.

Daniela prefere se manter mais reservada, mas participou ao lado do marido e de Camila do 1º Encontro de Trisais do Brasil, realizado recentemente. O trio reforça a importância de debater o reconhecimento jurídico das famílias poliafetivas.

"Na sociedade, trisais existem muitos. O problema é que, em alguns casos, um dos envolvidos não sabe que faz parte da relação. O nosso é diferente, transparente e verdadeiro", destaca Emerson.

Mesmo afastado da vida da igreja, Emerson acredita que sua experiência poderia ajudar casais que ainda buscam conselhos religiosos.

"Hoje eu teria condições de orientar tanto casais monogâmicos quanto aqueles que vivem outras formas de relação. A sociedade já vive essas experiências, mas muitas vezes finge que não vê. A Igreja poderia acolher em vez de apenas condenar", avalia.

Portal de Prefeitura
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