EUA fecham a polêmica "Alcatraz dos Jacarés"
Menos de um ano após inauguração, centro de detenção promovido por Trump é desativado em meio a denúncias de abusos, alto custo e decisões judiciais por impacto ambiental.Símbolo da política agressiva de deportação do governo do presidente americano, Donald Trump, a prisão conhecida como "Alcatraz dos Jacarés" foi fechada menos de um ano após ser inaugurada. O anúncio foi feito pelo governador republicano da Flórida,Ron DeSantis, nesta quinta-feira (25/06).
Desde sua inauguração, a instalação vinha sendo criticada pelas más condições de detenção e sempre esteve envolta em polêmicas e disputas judiciais. O centro de detenção ficava na Flórida e foi promovido por DeSantis e Trump.
DeSantis, em visita ao remoto local nos Everglades ao lado do encarregado da política de fronteiras da Casa Branca, Tom Homan, afirmou que a unidade já não abriga detentos e cumpriu o papel emergencial para o qual foi criada. Ele ressaltou que a prisão sempre foi pensada como uma solução temporária para a detenção de imigrantes, até que centros permanentes pudessem ser concluídos.
Erguido no tempo recorde de apenas oito dias, "Acatraz dos Jacarés" foi inaugurada em julho de 2025. Em maio, DeSantis afirmou que mais de 22 mil pessoas haviam sido detidos no local.
Centro controverso desde a inauguração
"Acatraz dos Jacarés" tornou-se rapidamente um símbolo da linha dura migratória de Trump. Construído com tendas, contêineres e cercas de arame farpado em um antigo aeroporto, o centro foi projetado para abrigar milhares de detentos, com custos operacionais que chegavam a centenas de milhões de dólares por ano.
O centro de detenção fica a 60 quilômetros de Miami, dentro do Parque Nacional dos Everglades - uma região pantanosa que é lar de jacarés, crocodilos e pítons. O apelido "Alcatraz dos Jacarés" é uma referência à famosa prisão que ficava em uma ilha na Califórnia e foi desativada em 1963.
Autoridades chegaram a destacar que a presença de jacarés e outros predadores funcionaria como barreira natural contra fugas.
Denúncias de condições precárias
Desde o início, o centro enfrentou forte oposição de organizações de direitos humanos, advogados e ambientalistas. Detentos relataram condições consideradas degradantes, incluindo alimentos com vermes, falta de higiene, banheiros quebrados, pisos cobertos de fezes e infestação de insetos.
Também foram denunciadas dificuldades de acesso a advogados e assistência médica, além de longos períodos sem contato com familiares. Em alguns casos, segundo advogados, transferências repentinas para outros estados deixaram detentos temporariamente com o paradeiro desconhecido por familiares e defensores legais.
Em agosto de 2025, poucas semanas depois da inauguração, uma juíza federal determinou a suspensão da expansão do centro e proibiu a entrada de novos detentos, em resposta a uma ação de ambientalistas. A magistrada apontou que a obra foi realizada sem as devidas avaliações de impacto ambiental e poderia causar danos irreparáveis ao ecossistema dos Everglades, incluindo perda de habitat e riscos a espécies ameaçadas.
A ordem judicial também exigiu a remoção de estruturas instaladas no local, como cercas, geradores e sistemas de esgoto, reforçando a pressão para o desmantelamento da instalação.
Fechamento após temporada de furacões
O esvaziamento do centro começou no início de junho deste ano, quando autoridades anunciaram o fechamento temporário da unidade devido à temporada de furacões na Flórida. Todos os detentos foram transferidos para outras instalações nos Estados Unidos.
Além das condições climáticas, fatores como alto custo operacional, pressão judicial e críticas contínuas contribuíram para a decisão de fechamento definitivo.
Agora, apesar do fechamento, organizações de defesa dos imigrantes afirmam que os problemas persistem no sistema de detenção como um todo. Segundo esses grupos, o fim da "Alcatraz dos Jacarés" não elimina o sofrimento de imigrantes mantidos sob custódia por longos períodos longe de suas famílias.
De acordo com as autoridades, o complexo, que deveria servir de modelo para outros centros de detenção, tinha um custo estimado de 450 milhões de dólares anuais (cerca de R$ 2,4 bilhões) e podia abrigar 5 mil detentos. Ele foi construído pelo governo da Flórida em parceira como o governo federal americano.
le/cn (Lusa, ots)
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