EUA e Irã voltam a se atacar, e cessar-fogo fica por um fio
Confronto volta a se acirrar depois de Trump ter declarado que o Irã "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações para um fim do conflito.Os Estados Unidos e o Irã voltaram a se atacar mutuamente nesta quinta-feira (11/06), pelo segundo dia consecutivo, e o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu novos ataques aéreos caso Teerã não aceite imediatamente um acordo de paz.
O segundo dia consecutivo de ataques de retaliação mútua, com o Irã visando bases dos EUA em toda a região do Golfo, fez os preços do petróleo voltarem a subir. O regime iraniano afirmou ainda que fechou novamente o Estreito de Ormuz.
Esta é a ameaça mais grave ao frágil cessar-fogo acordado em abril e reduz ainda mais as esperanças de um fim rápido para a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos em larga escala dos EUA e de Israel contra o Irã.
Ataque "em defesa própria"
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) anunciou ter feito ataques aéreos "em defesa própria" contra "múltiplos alvos" no Irã sob ordens de Trump e que os "bombardeios são em resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irã". Trump havia advertido horas antes que os EUA atacariam "duramente" o Irã e que o Irã "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações.
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado bases dos Estados Unidos no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Numa série de comunicados divulgados pela agência de notícias iraniana Fars, a Guarda Revolucionária afirmou que mirou 18 alvos em duas ondas de ataques contra as bases aéreas Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber, no Kuwait, e Sheikh Isa, no Bahrein.
As forças iranianas comunicaram também que atacaram com drones a Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e a base aérea de al-Azraq, na Jordânia. O Kuwait fechou temporariamente seu espaço aéreo, enquanto suas forças armadas informavam que os sistemas de defesa aérea estavam atuando para interceptar "alvos aéreos hostis".
O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Majid Mousavi, disse nesta quinta-feira que transformará o Oriente Médio em um "inferno" para os Estados Unidos, em meio aos novos ataques. "Vocês acham que podem transformar o sagrado Estreito de Ormuz em um lugar inseguro? Nós transformaremos toda a região em um inferno para vocês", ameaçou.
Derrubada de helicóptero
A escalada das hostilidades começou nesta semana com a derrubada, na segunda-feira, de um helicóptero Apache dos EUA perto do Estreito de Ormuz, o que desencadeou uma série de ataques mútuos envolvendo o Irã e bases americanas na região.
As Forças Armadas dos EUA afirmaram que seus ataques mais recentes tiveram como alvo infraestrutura de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em todo o Irã. O Centcom anunciou que os ataques haviam sido concluídos cerca de quatro horas após terem começado, logo depois da meia-noite em Teerã (17h30 de quarta-feira em Brasília).
Como resposta aos ataques, Teerã anunciou o fechamento completo do Estreito de Ormuz e advertiu que as embarcações que tentarem cruzá-lo serão consideradas alvos, o que foi contestado pelos EUA, que garantem que a passagem continua aberta. A mídia iraniana informou que dois navios dos EUA foram atacados, o que o Centcom também negou.
A emissora americana Fox News noticiou que Trump afirmou ter recebido uma ligação direta de líderes iranianos na Casa Branca, no momento em que as bombas dos EUA começavam a cair. Em seguida, a Guarda Revolucionária do Irã, por meio da agência de notícias Irna, negou que Teerã tivesse feito tal ligação.
as/cn (Reuters, Efe, Lusa, AFP)
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