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EUA e Irã voltam a se atacar, e cessar-fogo fica por um fio

11 jun 2026 - 06h30
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Confronto volta a se acirrar depois de Trump ter declarado que o Irã "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações para um fim do conflito.Os Estados Unidos e o Irã voltaram a se atacar mutuamente nesta quinta-feira (11/06), pelo segundo dia consecutivo, e o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu novos ataques aéreos caso Teerã não aceite imediatamente um acordo de paz.

Colunas de fumaça na cidade de Caraje, no Irã, após ataques aéreos dos EUA na madrugada
Colunas de fumaça na cidade de Caraje, no Irã, após ataques aéreos dos EUA na madrugada
Foto: DW / Deutsche Welle

O segundo dia consecutivo de ataques de retaliação mútua, com o Irã visando bases dos EUA em toda a região do Golfo, fez os preços do petróleo voltarem a subir. O regime iraniano afirmou ainda que fechou novamente o Estreito de Ormuz.

Esta é a ameaça mais grave ao frágil cessar-fogo acordado em abril e reduz ainda mais as esperanças de um fim rápido para a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques aéreos conjuntos em larga escala dos EUA e de Israel contra o Irã.

Ataque "em defesa própria"

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) anunciou ter feito ataques aéreos "em defesa própria" contra "múltiplos alvos" no Irã sob ordens de Trump e que os "bombardeios são em resposta às agressões injustificadas e contínuas do Irã". Trump havia advertido horas antes que os EUA atacariam "duramente" o Irã e que o Irã "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações.

Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado bases dos Estados Unidos no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia. Numa série de comunicados divulgados pela agência de notícias iraniana Fars, a Guarda Revolucionária afirmou que mirou 18 alvos em duas ondas de ataques contra as bases aéreas Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber, no Kuwait, e Sheikh Isa, no Bahrein.

As forças iranianas comunicaram também que atacaram com drones a Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein e a base aérea de al-Azraq, na Jordânia. O Kuwait fechou temporariamente seu espaço aéreo, enquanto suas forças armadas informavam que os sistemas de defesa aérea estavam atuando para interceptar "alvos aéreos hostis".

O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Majid Mousavi, disse nesta quinta-feira que transformará o Oriente Médio em um "inferno" para os Estados Unidos, em meio aos novos ataques. "Vocês acham que podem transformar o sagrado Estreito de Ormuz em um lugar inseguro? Nós transformaremos toda a região em um inferno para vocês", ameaçou.

Derrubada de helicóptero

A escalada das hostilidades começou nesta semana com a derrubada, na segunda-feira, de um helicóptero Apache dos EUA perto do Estreito de Ormuz, o que desencadeou uma série de ataques mútuos envolvendo o Irã e bases americanas na região.

As Forças Armadas dos EUA afirmaram que seus ataques mais recentes tiveram como alvo infraestrutura de vigilância militar, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea em todo o Irã. O Centcom anunciou que os ataques haviam sido concluídos cerca de quatro horas após terem começado, logo depois da meia-noite em Teerã (17h30 de quarta-feira em Brasília).

Como resposta aos ataques, Teerã anunciou o fechamento completo do Estreito de Ormuz e advertiu que as embarcações que tentarem cruzá-lo serão consideradas alvos, o que foi contestado pelos EUA, que garantem que a passagem continua aberta. A mídia iraniana informou que dois navios dos EUA foram atacados, o que o Centcom também negou.

A emissora americana Fox News noticiou que Trump afirmou ter recebido uma ligação direta de líderes iranianos na Casa Branca, no momento em que as bombas dos EUA começavam a cair. Em seguida, a Guarda Revolucionária do Irã, por meio da agência de notícias Irna, negou que Teerã tivesse feito tal ligação.

as/cn (Reuters, Efe, Lusa, AFP)

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