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Estudo revela como canetas para diabetes podem tratar vícios em álcool e tabaco

Pesquisas coordenadas pela Universidade Case Western Reserve indicam que medicamentos para diabetes podem ser a chave para reduzir o consumo excessivo de álcool e cigarros

5 abr 2026 - 11h27
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O que começou como um tratamento com as famosas canetas para o diabetes tipo 2 e se transformou em um fenômeno global. Primeiro,  para a perda de peso. Agora, está abrindo as portas de uma nova era na psiquiatria e no tratamento de vícios. Um estudo robusto publicado na prestigiada revista Nature Communications revelou que o princípio ativo semaglutida (conhecido comercialmente como Ozempic e Wegovy) pode reduzir significativamente o desejo por álcool e tabaco em pacientes que utilizam a medicação. O impacto foi tão expressivo que os pesquisadores observaram uma redução de até 50% na probabilidade de recorrência de transtornos por uso de substâncias.

Canetas para diabetes podem ajudar a combater vícios
Canetas para diabetes podem ajudar a combater vícios
Foto: Canva / Perfil Brasil

O mecanismo por trás dessa "cura do desejo" reside na forma como os análogos de GLP-1 interagem com o sistema de recompensa do cérebro. Ao imitar o hormônio que sinaliza saciedade ao corpo, a medicação não apenas retarda o esvaziamento gástrico, mas também modula a liberação de dopamina no estriado ventral, a área cerebral responsável pela sensação de prazer imediato vinculada a vícios.

De acordo com o Dr. Rong Xu, diretor do Centro de Inteligência Artificial em Descoberta de Medicamentos da Case Western Reserve University, em entrevista exclusiva à BBC News, os dados são reveladores. "A semaglutida está associada a reduções significativas no desejo e no consumo de álcool em pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 em comparação com outras medicações", afirma o pesquisador. Segundo ele, essa descoberta abre precedentes para testes clínicos focados exclusivamente em dependência química: "O potencial desses medicamentos para tratar transtornos crônicos de uso de substâncias é uma das descobertas mais promissoras da farmacologia moderna nos últimos anos", completa Xu.

Canetas para diabetes podem ajudar a tratar vícios em álcool e tabaco

A tendência de "silenciamento de ruído" mental sobre substâncias foi notada primeiramente em fóruns de pacientes, mas agora ganha respaldo acadêmico e clínico. Para a médica Nora Volkow, diretora do National Institute on Drug Abuse (NIDA) dos Estados Unidos, em declaração ao jornal The New York Times, o fenômeno é consistente. "Estamos ouvindo pacientes dizerem que perderam o interesse no álcool e nos cigarros quase da noite para o dia após começarem o tratamento com análogos de GLP-1. Existe um interesse que vai além da perda de peso; o que estamos vendo é uma mudança profunda na neurologia do vício", explica a especialista.

Para o setor de saúde, esse movimento representa uma mudança estrutural na forma como a obesidade e as dependências são tratadas. Volkow (citada anteriormente) reforça que o medicamento atua na base biológica da vontade. "Esses medicamentos estão nos mostrando que o controle do desejo não é apenas uma questão de força de vontade, mas de biologia cerebral que agora podemos modular de forma segura", diz a diretora.

Apesar do otimismo, os especialistas alertam que a medicação ainda não foi aprovada formalmente para o tratamento de vícios pelas agências reguladoras como a Anvisa ou o FDA. Contudo, com a publicação de estudos em veículos de alto impacto como a Nature, a expectativa é que novas diretrizes clínicas surjam em breve, transformando o Ozempic (mencionado no início) em uma ferramenta multifacetada para a saúde pública global.

Perfil Brasil
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