Estudantes de direito são investigados por gravarem vídeos dando choques em morador de rua
Alunos são suspeitos de usar armas de choque e extintores para filmar vídeos de "humilhação" no Pará
A tranquilidade do bairro de São Brás, em Belém, deu lugar à indignação após a divulgação de imagens que mostram um homem em situação de rua sendo atacado com uma arma de choque. O caso, que ganhou repercussão nacional nesta semana, envolve dois estudantes de uma faculdade de direito particular. As investigações apontam que a violência não foi um episódio isolado, mas parte de uma sequência de agressões iniciada em janeiro de 2026. Segundo relatos, o que começou como uma suposta "brincadeira" para redes sociais escalou para ataques com extintores de incêndio e garrafas, transformando a vulnerabilidade da vítima em objeto de chacota para grupos de jovens que circulam em carros de luxo pela capital paraense.
Moradora denuncia ataques frequentes com carros de luxo
Uma vizinha da área, que preferiu manter o anonimato por segurança, revelou que as agressões se intensificaram nos últimos meses. Ela descreve um cenário de terror psicológico e físico contra o homem, que possui transtornos mentais. Em seu relato ao g1, ela destaca que "esse comportamento da vida do morador em situação de rua ser tratado como chacota em vídeo é corriqueiro, vem desde janeiro". A testemunha detalhou episódios em que grupos de jovens chegam ao local para arremessar bombinhas e outros objetos. Na madrugada de 16 de fevereiro, o susto foi ainda maior. "Vi um carro branco avançando na via e, em seguida, pessoas no veículo jogando uma garrafa com líquido em direção ao homem em situação de rua", contou a moradora, evidenciando o padrão de violência.
Vídeos mostram estudantes rindo durante as agressões
No dia seguinte ao ataque com a garrafa, o nível de crueldade aumentou. A mesma testemunha descreveu que os agressores retornaram com aparatos para filmagem. "Naquele dia, os carros voltaram e os ocupantes começaram a rir, filmar com celulares e cobrir o rosto com roupas. Um rapaz desceu com um extintor de incêndio e passou a direcionar o jato em cima do homem, enquanto outras pessoas registravam a cena em vídeo", descreve a mulher ao g1. A vítima, embora debilitada mentalmente, é descrita como alguém pacífico que não costuma causar transtornos. A moradora, visivelmente abalada com o que presenciou da janela de sua casa, desabafou sobre o impacto emocional de testemunhar tamanha desumanidade: "Essa situação por completo me deixou muito mal. Muito mal mesmo".
Instituição de ensino afasta alunos e colabora com a polícia
As autoridades identificaram Altemir Sarmento Oliveira Filho como o responsável pelos choques e Antônio Coelho como quem filmava a ação. O Ministério Público Federal e a Prefeitura de Belém acompanham o desdobramento do caso. Em posicionamento oficial, a prefeitura afirmou que "não compactua com qualquer tipo de violação de direitos e reforça que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas pelas autoridades competentes". O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) confirmou o afastamento dos envolvidos. A instituição informou que o Regulamento Geral e o Código de Ética serão rigorosamente aplicados. Enquanto isso, a Polícia Civil segue investigando o caso na Seccional de São Brás para apurar se os estudantes participaram de outros ataques relatados pela vizinhança na região da avenida Alcindo Cacela.