Estimativas indicam crescimento na incidência de câncer entre mulheres no Brasil
Entidades médicas promovem evento em São Paulo para discutir diagnóstico precoce e fatores de risco de tumores de mama, colo do útero, colorretal e pulmão
Estimativas indicam um aumento na incidência de câncer entre mulheres no Brasil para o triênio 2026-2028. Diante desse panorama, diversas sociedades médicas realizam nesta sexta-feira (06) em São Paulo, a segunda edição do seminário "Mulheres em AntecipAÇÃO - Autoconhecimento é poder!". O encontro reúne especialistas da SBOC, EVA, GBECAM, GBOT e GTG para tratar de estratégias de prevenção e detecção de tumores.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) detalham a expectativa de novos casos anuais para o próximo triênio. O câncer de mama permanece como o mais frequente, com 78.610 casos estimados, o que representa uma elevação de 6,8% em comparação ao período anterior.
Outras patologias também registram tendência de alta:
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Câncer colorretal: 27.540 novos casos (aumento de 16,4%).
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Câncer do colo do útero: 19.310 novos casos (aumento de 13,5%).
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Câncer de pulmão: 16.650 novos casos (aumento de 14,5%).
A Dra. Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), relaciona o aumento dos índices ao envelhecimento da população e a dificuldades no acesso ao rastreamento. Segundo a especialista, a identificação da doença em fases iniciais eleva as possibilidades de cura.
No caso do câncer de mama, a mamografia é a principal ferramenta de detecção. Embora o Ministério da Saúde recomende o exame bienal a partir dos 50 anos, sociedades médicas orientam a realização anual a partir dos 40 anos. Quando diagnosticado no início, a taxa de cura para esse tumor chega a 95%.
O câncer do colo do útero, passível de prevenção via vacinação contra o HPV e exames de Papanicolau ou teste de HPV-DNA, ainda apresenta crescimento. Médicas das entidades organizadoras apontam que a cobertura vacinal e o acesso a exames preventivos são desafios estruturais que impactam a mortalidade.
Quanto ao câncer colorretal, a colonoscopia é indicada para detectar e remover lesões antes que se tornem malignas. Já para o câncer de pulmão, cerca de 85% dos casos estão vinculados ao tabagismo, mas fatores como poluição e tabagismo passivo também contribuem para os 16.650 novos diagnósticos anuais previstos entre mulheres.
O seminário aborda temas como fatores de risco, disparidades entre o sistema público e privado, e o papel do advocacy nas políticas de saúde. O cronograma inclui debates sobre o rastreamento e a participação social no enfrentamento das doenças oncológicas.