Esquerda e ultradireita lideram em eleições estaduais na Alemanha
Eleições estaduais na Alemanha registraram recordes para campos opostos: em Berlim, o partido A Esquerda liderou com 25,3% dos votos, impulsionado pela pauta da crise habitacional e por Elif Eralp, que busca uma coalizão com Verdes e SPD para governar. Já em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a ultradireitista AfD venceu com 37,9%, mas deve ficar fora do governo, já que o SPD (35,7%) tende a articular alianças com siglas tradicionais, que rejeitam categoricamente qualquer união com a extrema direita.
Resultados indicam votação recorde na sigla A Esquerda em Berlim, com a candidata carismática Elif Eralp. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, AfD aparece em primeiro lugar, mas governo de ultradireita é improvável.O partido A Esquerda e a legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) obtiveram neste domingo (20/09) uma votação recorde nas eleições estaduais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, respectivamente, segundo resultados provisórios das autoridades locais.
Em Berlim, A Esquerda recebeu 25,3% dos votos, praticamente dobrando a votação obtida pela legenda no pleito estadual anterior. A sigla ficou na frente da conservadora União Democrata Cristã (CDU), que atualmente governa a cidade-estado em uma coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD).
Os resultados provisórios colocam a CDU em segundo lugar, com 19% dos votos, uma queda de nove pontos percentuais em relação à eleição estadual anterior em 2023. Já a AfD aparece em terceiro lugar, com 16,3%, um crescimento de sete pontos percentuais. O resultado da sigla anti-imigração ficou abaixo do previsto em pesquisas antes do pleito.
"Nosso programa venceu a eleição", disse a candidata da A Esquerda ao posto de prefeita de Berlim, Elif Eralp, à emissora pública ARD após a divulgação das primeiras projeções. "As berlinenses e os berlinenses me deram, nos deram, um mandato claro para governar a Prefeitura Vermelha."
Além de A Esquerda, da CDU e da AfD, outros dois partidos asseguraram cadeiras no Parlamento local de Berlim. Os Verdes obtiveram 14,4% dos votos, e o SPD, 12,1%. Esse foi o pior resultado dos social-democratas no estado.
Já a legenda de esquerda populista "antiwoke" Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW) obteve 4,8% dos votos, ficando abaixo da cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento.
Crise habitacional
Quase 2,5 milhões de pessoas estavam aptas a votar na capital federal da Alemanha. O tema dominante na campanha foi a crise habitacional e a expropriação das grandes empresas imobiliárias. Há cinco anos, os berlinenses apoiaram essa medida num referendo não vinculativo.
A Esquerda, com a carismática candidata Elif Eralp, fez uma campanha inspirada no prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Se o resultado se confirmar, Eralp deve buscar uma coalizão com os Verdes, que já declaram ser favoráveis à aliança, e com o SPD. A liderança do diretório estadual dos social-democratas se opõe, porém, aos planos de desapropriar as grandes empresas imobiliárias, o que pode dificultar as conversas.
Em entrevista após a divulgação dos primeiros resultados, Eralp ressaltou que a crise dos aluguéis é a maior questão social da cidade e defendeu, entre outras medidas, a regulamentação dos aluguéis e a expropriação de grandes empresas imobiliárias.
Caso o partido de Eralp consiga formar uma coalizão, essa seria a primeira vez que A Esquerda governaria a capital alemã. Aos 45 anos, Eralp é advogada, deputada e vice-presidente do diretório do A Esquerda em Berlim. Na sua campanha, ela repetidamente mobilizou a sua biografia como mulher e filha de imigrantes para dialogar com diferentes grupos de eleitores.
"A partir de hoje, vamos transformar Berlim juntos e fazer dela um lugar melhor", disse Eralp a apoiadores após a divulgação dos resultados preliminares. "Na nossa cidade, o amor e a justiça venceram o ódio, e essa mensagem ecoa para o mundo."
Ultradireita na liderança em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
Já na eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD aparece em primeiro lugar, com 37,9% dos votos, segundo resultados provisórios das autoridades locais. A sigla mais do que dobrou os 16,7% obtidos pela legenda no pleito estadual anterior.
Esse também é o segundo melhor resultado estadual já obtido pela AfD desde a sua fundação, em 2013, ficando atrás apenas do recorde de 43,8% alcançado no pleito do estado da Saxônia-Anhalt há duas semanas.
A legenda foi seguida de perto pelo SPD, que é liderado no estado pela carismática governadora Manuela Schwesig, que conquistou 35,7% dos votos. A Esquerda aparece em terceiro lugar, com 6,7%.
Além de AfD, do SPD e de A Esquerda, outros dois partidos podem assegurar cadeiras no Parlamento local. Os Verdes obtiveram 5,4% dos votos, e a CDU, 5%. Segundo os resultados provisórios, ambas as siglas ultrapassaram por pouco a cláusula de barreira de 5% para garantir assentos no Parlamento.
O Partido Liberal Democrático (FDP) amargou apenas 1% e assim ficou fora da Assembleia Legislativa. A BSW, com 4,9%, também não conseguiu garantir assentos.
AfD deve ficar fora de governo em Mecklemburgo
Com 1,6 milhão de habitantes e também localizado no Leste alemão, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental foi palco da mesma dinâmica da Saxônia-Anhalt: crescimento robusto da AfD e declínio de conservadores, social-democratas, verdes e liberais.
Mas, ao contrário da Saxônia-Anhalt, apesar da votação expressiva, o cenário se desenhou como mais improvável para um governo da AfD, e os social-democratas, que governam desde 1998, têm maiores chances de permanecer no poder, ainda que na liderança de um governo de minoria. Isso porque os demais partidos rejeitam categoricamente uma coalizão com a ultradireita.
A continuidade da atual coalizão do SPD com A Esquerda é considerada bastante improvável, pois as duas siglas juntas não conseguiram garantir a maioria no Parlamento. Os Verdes podem ser uma opção para se juntar à aliança. O SPD tem ainda a opção de formar um governo com CDU e Verdes.
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