Esquema de R$ 6,3 bilhões no INSS: PF aponta deputada do CE como articuladora política
Investigação revela que parlamentar utilizava influência para pressionar servidores e teria recebido mais de R$ 780 mil em propina, além de ocultar patrimônio em nome de familiares
A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta terça-feira (17) que aponta a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) como a articuladora política de um esquema bilionário de fraudes no INSS. Enquanto outros acusados tiveram a prisão preventiva decretada, a parlamentar passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica. As investigações indicam que desvios em aposentadorias e pensões podem ter atingido a marca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
De acordo com o relatório da PF citado na decisão judicial, no caso de "Maria Gorete Pereira, deputada federal em exercício, o MPF afirmou haver elementos de que teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos, além de ter recebido valores por meio de interpostas pessoas e empresas de fachada". A congressista é acusada de exercer forte pressão nos bastidores, já que ela "utilizava influência política [como deputada] para viabilizar acordos com o INSS e manter contato direto com autoridades administrativas, bem como pressionava servidores públicos para acelerar processos".
Acusações contra a deputada Maria Gorete Pereira
A PF ainda destaca que a parlamentar frequentemente contatava servidores do INSS, dentre eles Stefanutto, para, mediante pagamento de propina, viabilizar o credenciamento e ativação de entidades associativas de aposentados com as quais tinha relação.
A investigação detalha ainda o uso de estruturas familiares para a lavagem de dinheiro. "Maria Gorete controlava efetivamente essas entidades por meio de procuração que lhe fora outorgada com amplos poderes. Há, ainda, indícios robustos de que Maria Gorete recebia, em sua própria conta bancária, vultosas quantias de recursos ilícitos de empresas de fachada administradas por ela e por seus familiares. Essas empresas de fachada, por sua vez, recebiam os recursos ilícitos descontados dos beneficiários do INSS", afirma a PF.
Além da deputada, foram presos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota. Em nota, a defesa de Natjo Pinheiro afirmou que "considera a prisão preventiva decretada medida desnecessária e desproporcional", argumentando que medidas anteriores já eram satisfatórias. As defesas de Maria Gorete e Cecília Mota ainda não se manifestaram sobre as acusações.