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Espanha vive protestos massivos por crise habitacional

3 out 2026 - 18h17
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Resumo
Milhares de pessoas protestaram em Madri e outras cidades espanholas contra a crise habitacional e a alta dos aluguéis, amplificadas pela rejeição de decretos governamentais pelo Parlamento. Mobilizados após o despejo de uma idosa, manifestantes exigem medidas urgentes, enfrentando tensões com grupos de ultradireita e a polícia. A pressão popular e a crise política colocam o premiê Pedro Sánchez sob ameaça de antecipar as eleições gerais, diante de fortes cobranças da oposição conservadora.

A rejeição de propostas do governo no Parlamento ampliou a pressão política sobre Pedro Sánchez. Mobilização ganha força com milhares nas ruas em diferentes regiões do país.Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de Madri e de outras cidades espanholas neste sábado (03/10) para exigir medidas diante da crise habitacional, um dia após o Congresso rejeitar propostas do governo do premiê Pedro Sánchez voltadas a aliviar a situação dos inquilinos.

"Todos temos direito à moradia e não há justificativa para o que está acontecendo", afirmou à AFP Adhara Freile, jardineira de 41 anos que participou do protesto na capital espanhola.

Segundo a Delegação do Governo em Madri, cerca de 70 mil pessoas participaram da manifestação. Já o Sindicato de Inquilinas, um dos organizadores, estimou o público em 500 mil manifestantes.

Marcha nacional por moradia

As manifestações ocorreram em meio ao agravamento da crise habitacional na Espanha, tema que há anos figura entre as principais preocupações sociais do país.

Em Madri, diferentes colunas de manifestantes convergiram para a Praça de Cibeles sob o lema "Rumo à greve geral". Para os organizadores, os protestos refletem a insatisfação com o aumento dos aluguéis e a dificuldade de acesso à moradia.

"O que se respira nas ruas é uma nova energia", afirmou Valeria Racu, porta-voz do Sindicato de Inquilinas, em referência à mobilização iniciada após o despejo de uma idosa de 87 anos que se transformou em símbolo da crise habitacional espanhola.

Centenas de pessoas também protestaram em cidades como Palma de Mallorca, Santander, Segóvia e Toledo. Em Barcelona, a manifestação foi cancelada devido ao mau tempo.

Em Valência, o ato terminou em confrontos entre policiais e alguns manifestantes. Segundo a imprensa local, nove agentes ficaram levemente feridos e cinco pessoas foram detidas.

Acampamento no centro de Madri

Os protestos ganharam força após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, ocorrido há cerca de dez dias. Desde então, manifestantes mantêm um acampamento na Puerta del Sol, um dos pontos mais movimentados e turísticos da capital espanhola.

O encerramento da jornada foi marcado por momentos de tensão em Madri. Integrantes de grupos de ultradireita se concentraram no centro da cidade e tentaram se aproximar do acampamento por moradia instalado na Puerta del Sol.

Jornalistas da AFP testemunharam a ação policial para impedir o avanço do grupo. Alguns participantes fizeram saudações nazistas e precisaram ser contidos pelas forças de segurança.

Um vídeo publicado pelo jornal El País mostrou policiais perseguindo integrantes do grupo pelas ruas após tentativas de alcançar a área ocupada pelos manifestantes.

Aluguéis em alta

Como em outros países europeus, a falta de moradias acessíveis se tornou uma questão central na Espanha. Críticos apontam plataformas de aluguel turístico, como o Airbnb, e fundos de investimento imobiliário como fatores que contribuem para a alta dos preços e a redução da oferta para moradores locais.

Marcos Sainz, livreiro de 26 anos que participou da manifestação em Madri, relatou que antes dividia com amigos um apartamento de três quartos alugado por 900 euros. Recentemente, mudou-se para outro imóvel de dois quartos que custa quase 1.000 euros por mês.

"E me considero privilegiado porque consigo pagar", disse à AFP. "Vamos acabar tendo que deixar Madri, e isso me entristece porque sou daqui."

A rejeição, pelo Parlamento, de dois decretos relacionados à moradia colocou novamente em discussão a possibilidade de antecipação das eleições gerais, atualmente previstas para meados de 2027.

Segundo a imprensa espanhola, Sánchez reservou alguns dias para avaliar o cenário político e decidir se convocará eleições antecipadas.

Neste sábado, o líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, pediu que o premiê deixe de "ameaçar" com a possibilidade de eleições e convoque o pleito. Segundo ele, o país "não aguenta mais" a atual situação política.

gq (AFP, AP)

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