Entenda por que o ex-presidente do BRB foi preso em operação da PF; defesa alega inocência
Ação autorizada pelo STF investiga crimes financeiros e lavagem de dinheiro envolvendo contratos com banco privado.
A Polícia Federal deflagrou uma etapa decisiva na manhã desta quinta-feira ao colocar em curso a nova fase da Operação Compliance Zero. O principal alvo da ação foi o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que acabou preso preventivamente pelos agentes. A operação concentra seus esforços na apuração de um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria como finalidade o pagamento de vantagens indevidas a diversos agentes públicos em cargos estratégicos. Além da prisão de Paulo Henrique, os policiais federais estão empenhados no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e outros sete mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal e os trabalhos ocorrem simultaneamente em endereços situados no Distrito Federal e no estado de São Paulo.
Entenda os detalhes da nova fase da operação Compliance Zero
Os investigadores focam agora na suspeita de que o executivo tenha permitido a realização de negócios entre o BRB e o banco Master sem que houvesse o lastro financeiro necessário para tais operações. Essa conduta levanta sinais de alerta sobre a gestão de ativos e a integridade das transações efetuadas durante o período em que o ex-presidente comandava a instituição. Em depoimento prestado anteriormente à Polícia Federal no mês de dezembro, Paulo Henrique Costa tentou se distanciar das irregularidades ao afirmar que "não tinha clareza" sobre o esquema de fraude do Banco Master. Na ocasião, o executivo também declarou que os arquivos recebidos pelo Banco de Brasília não indicavam qualquer falta de saúde financeira da empresa parceira, justificando assim a continuidade das relações comerciais.
Defesa de Paulo Henrique Costa questiona mandado de prisão
A situação jurídica do ex-gestor ganhou novos contornos com a manifestação oficial de seus representantes legais logo após o cumprimento do mandado. O advogado Cleber Lopes, que representa a defesa de Paulo Henrique, confirmou a operação ao site Correio e trouxe uma interpretação técnica sobre a medida restritiva de liberdade. Segundo o defensor, o mandado de prisão em questão "tem natureza processual, e não de responsabilidade penal", o que sugere uma estratégia de contestação baseada nos fundamentos que levaram à detenção preventiva. É importante ressaltar que Paulo Henrique foi demitido do cargo de presidência em novembro do ano passado, momento em que as suspeitas começaram a ganhar maior corpo dentro das instâncias de controle e fiscalização.
Crimes de corrupção e organização criminosa são investigados
O escopo da investigação é amplo e abrange uma série de delitos graves que comprometem a administração pública e o sistema financeiro nacional. Estão sendo investigados formalmente os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e a formação de organização criminosa. A Polícia Federal busca agora consolidar as provas obtidas nas buscas e apreensões para identificar outros possíveis beneficiários do esquema de propinas. O material coletado nas residências e escritórios deve passar por uma perícia detalhada nos próximos dias. Enquanto isso, o sistema bancário observa com atenção os desdobramentos de um caso que envolve uma das maiores instituições financeiras regionais do país e sua relação com o mercado privado de capitais.
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