Entenda os novos parâmetros que estabelecem 12 por 8 como pressão alta
Mudança chancelada por três sociedades visa intensificar a prevenção no Brasil. Cardiologista detalha as implicações do novo patamar
Um marco na cardiologia brasileira foi estabelecido recentemente com a divulgação de novas diretrizes que alteram os parâmetros de classificação da pressão alta. Conforme as normas anunciadas durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em São Paulo, o patamar de 12 por 8 (120/80 mmHg) passa a ser considerado pré-hipertensão.
As diretrizes foram endossadas por um esforço conjunto entre a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH). O médico cardiologista Roberto Secomandi, membro da SBC e atuante no Imot Care de Mogi das Cruzes, esclareceu a relevância da reclassificação.
Segundo o especialista, o principal objetivo da mudança é reforçar a prevenção e, consequentemente, reduzir os riscos de complicações graves. A hipertensão, muitas vezes silenciosa, é responsável pela maioria dos casos de condições como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência renal no Brasil. Estima-se que cerca de 27,9% dos adultos brasileiros vivam com a doença, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão.
Com a inclusão do patamar 12x8 na categoria de atenção, uma parcela significativa da população que estava fora do grupo de risco passará a ser monitorada. A reclassificação abre um debate urgente sobre o estilo de vida, a saúde mental e os hábitos alimentares dos brasileiros.
O Dr. Secomandi enfatiza que o acompanhamento para este novo grupo de pré-hipertensos não deve ser, inicialmente, farmacológico (com uso de medicamentos). A indicação primária é uma intervenção nos hábitos de vida.
"A intenção, com esse novo patamar, é alcançar pessoas com risco maior de desenvolver a hipertensão e fazer o acompanhamento. Pelo contrário [ao uso de medicamentos], a indicação é iniciar uma mudança no hábito de vida, como perda de peso, redução do uso do sal, começar a praticar atividade física e diminuir o álcool", orienta o cardiologista.
Apesar da importância das novas diretrizes, o Dr. Secomandi fez um alerta crucial sobre o autodiagnóstico. Ele destacou que a aferição da pressão arterial deve ser conduzida por profissionais de saúde que utilizem equipamentos devidamente calibrados, garantindo a medição na postura correta para resultados precisos.
O médico também comentou sobre os chamados "picos de pressão", comuns em situações de estresse. Ele explicou que o corpo humano reage a momentos de tensão, mas é fundamental distinguir a causa desse aumento. "O corpo sempre vai reagir em uma situação de estresse. O que temos que ver é se é uma resposta fisiológica, hiper-reativa ou é uma pessoa hipertensa não diagnosticada. Esse é um dos motivos que sempre recomendamos o acompanhamento médico", conclui o especialista.
*Informações da Assessoria de Imprensa Fiamini - Soluções Integradas em Comunicação.
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