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Emprego na indústria automotiva alemã atinge mínima histórica

14 ago 2026 - 16h51
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Setor registrou o menor nível de emprego desde 2005, com 42,4 mil vagas eliminadas em um ano. Montadoras e fornecedores ampliam programas de corte de custos.A indústria automobilística da Alemanha perdeu 42,3 mil empregos em um ano e opera com o menor contingente de trabalhadores desde o início da série histórica, em 2005. Nos últimos 6 anos, um em cada seis postos de trabalho do setor foi eliminado. O enfraquecimento da principal indústria do país também afeta fornecedores e outros segmentos da economia.

Dados divulgados pelo Escritório Federal de Estatísticas (Destatis) nesta sexta-feira (14/08) mostram que a indústria automotiva empregava 691,5 mil pessoas ao fim do primeiro semestre de 2026. O número representa uma queda de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A retração não se limita ao setor automotivo. Em toda a indústria de transformação, 144 mil empregos foram extintos nos últimos 12 meses. O total de trabalhadores caiu 2,7%, para 5,29 milhões

Segundo levantamento da consultoria EY, porém, a indústria automobilística responde por quase 30% de todos os empregos perdidos no último ano. Se considerado desde 2019, foram 142,4 mil empregos cortados no setor, o equivalente a 16% da força de trabalho. Segundo o jornal alemão Handelsblatt, especialistas projetam que o número de trabalhadores poderá cair para cerca de 500 mil até 2030.

Os cortes foram especialmente intensos entre fabricantes de peças e acessórios para veículos.

O especialista Jan Brorhilker, da EY, avalia que o movimento deve continuar. Segundo ele, muitas empresas ainda não concluíram seus programas de reestruturação e, diante dos altos custos trabalhistas, da baixa evolução da produtividade e da crescente concorrência internacional, tendem a acelerar novos cortes.

Novos cortes nas grandes empresas

Os números do Destatis ainda não refletem os planos de demissões mais recentes anunciados pelas grandes empresas do setor.

A BMW informou a intenção de eliminar cerca de 8 mil postos de trabalho em todo o mundo. Em outras companhias, os cortes podem ser ainda maiores. No grupo Volkswagen, que inclui Porsche e Audi, se prevê a eliminação de 50 mil empregos. A Bosch planeja cortar até 22 mil vagas em suas operações de autopeças, enquanto a ZF pretende eliminar 14 mil postos na Alemanha. A Mercedes-Benz também já reduziu milhares de empregos.

Para o especialista Ferdinand Dudenhöffer, do Center Automotive Research, a tendência é de continuidade da retração. Segundo ele, os elevados custos de produção têm reduzido a atratividade da Alemanha para novos investimentos industriais.

De acordo com sua avaliação, novos investimentos estão sendo direcionados para países como Hungria, Romênia e Espanha, onde os custos trabalhistas são menores, a carga tributária é mais baixa e a energia é mais barata. A Turquia também vem atraindo fabricantes.

Indústria reclama de perda de competitividade

A presidente da Associação da Indústria Automobilística Alemã (VDA), Hildegard Müller, afirma que um número crescente de empresas tem optado por investir fora da Alemanha por razões econômicas.

Segundo ela, empregos e investimentos estão migrando para outros países devido aos altos custos de mão de obra e energia, à burocracia, à lentidão dos processos administrativos e aos problemas de infraestrutura. Müller defende que os governos em Berlim e Bruxelas priorizem medidas capazes de fortalecer a competitividade e preservar empregos.

O economista Sebastian Dullien, do Instituto de Macroeconomia e Pesquisa Econômica (IMK), ligado ao movimento sindical, discorda da ideia de que a solução esteja em reduzir salários ou benefícios sociais.

Para ele, fatores geopolíticos e estratégicos exercem influência maior sobre a competitividade. Dullien defende cláusulas de conteúdo local, tarifas seletivas para setores considerados estratégicos e incentivos direcionados a tecnologias do futuro.

Já o sindicato IG Metall atribui parte da crise às decisões tomadas pela gestão das empresas ao longo das últimas décadas.

Efeitos sobre toda a indústria

Para a EY, a importância da indústria automobilística para a economia alemã permanece central. Quando o setor desacelera, os impactos se espalham para fornecedores e para diversos segmentos industriais dependentes de suas encomendas.

Entre os setores mais afetados estão a indústria química, a produção de metais e o setor de máquinas e equipamentos.

gq (dpa, OTS)

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