Em meio a greve de funcionários, Correios preparam novo empréstimo de R$ 7 bilhões para enfrentar crise financeira
Estatal acumula prejuízos bilionários e negocia crédito com quatro bancos privados, com garantia do Tesouro Nacional.
Em meio a uma greve e após acumular prejuízos de R$ 14 bilhões entre 2025 e meados de 2026, os Correios preparam um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados, sob aval do Tesouro Nacional. A captação soma-se aos R$ 12 bilhões já obtidos em 2025 e integra o plano de reestruturação da estatal para recuperar a liquidez, que também prevê venda de ativos, corte de custos e planos de demissão voluntária para tentar reverter a severa crise financeira.
Os Correios devem concluir na próxima semana a contratação de um novo empréstimo de aproximadamente R$ 7 bilhões. A operação faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal, que busca recompor o caixa da empresa diante de uma sequência de prejuízos bilionários.
O financiamento está sendo estruturado por meio de um consórcio formado por quatro bancos privados: Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan.
Para que a operação seja concluída, ainda é necessário o aval do Tesouro Nacional, que deverá atuar como garantidor da dívida.
A expectativa é que o novo crédito tenha prazo de até 15 anos. A operação também prevê um período de carência de três anos, enquanto o custo do financiamento ficará atrelado a aproximadamente 114% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
Correios acumulam prejuízos bilionários
A nova captação ocorre em um cenário de forte deterioração das contas dos Correios. Em 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Já nos primeiros seis meses de 2026, o resultado negativo ultrapassou R$ 5,5 bilhões.
Diante desse quadro, a empresa vem buscando alternativas para recuperar a capacidade financeira e reforçar a liquidez. O novo empréstimo integra um plano mais amplo que previa, originalmente, a contratação de até R$ 20 bilhões em operações de crédito.
A estratégia de financiamento não começou agora. Em dezembro de 2025, os Correios contrataram uma primeira operação de R$ 12 bilhões com garantia da União.
Na ocasião, os recursos foram destinados ao reforço da liquidez da estatal e ao cumprimento de compromissos financeiros, incluindo o pagamento de salários e fornecedores.
Com o novo empréstimo, a empresa dá continuidade à estratégia de recomposição do caixa. A operação, no entanto, está inserida em um conjunto mais amplo de medidas destinadas a melhorar o desempenho financeiro da estatal.
Plano prevê corte de despesas e venda de ativos
Além da contratação de novas dívidas, o plano de reestruturação dos Correios prevê ações voltadas à redução de despesas e ao aumento das receitas. A empresa também pretende avançar na venda de ativos como parte da estratégia para melhorar sua situação financeira.
Entre as medidas previstas estão ainda programas de desligamento voluntário e a revisão de contratos. A expectativa é que essas iniciativas contribuam para reduzir custos e melhorar o resultado operacional da estatal.
O novo financiamento, portanto, representa uma das frentes do processo de recuperação financeira. Ao mesmo tempo em que busca recursos para reforçar o caixa e manter o cumprimento de compromissos, a empresa trabalha em medidas destinadas a reduzir despesas e ampliar receitas.
A contratação do crédito de cerca de R$ 7 bilhões ocorre após um período marcado por perdas expressivas.
Com prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e resultado negativo superior a R$ 5,5 bilhões somente no primeiro semestre de 2026, os Correios enfrentam o desafio de equilibrar a necessidade de liquidez imediata com a adoção de medidas capazes de melhorar o desempenho da estatal no longo prazo.
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