Cracolândia acabou como disse Tarcisio em debate com Haddad? Veja o que se sabe sobre a dispersão de usuários no centro de SP
Ações da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar esvaziaram fluxo principal e dividiram dependentes químicos em grupos menores por bairros vizinhos
Como está a região da Cracolândia em São Paulo? Durante debate na Band na noite deste domingo, 9, o governador Tarcisio de Freitas (Republicanos) afirmou o fim do local teria acontecido pela união entre a Prefeitura de São Paulo, o Ministério Público e o Judiciário. Porém, o oponente Fernando Haddad (PT) rebateu que o prefeito "não vai conseguir combater tráfico de droga". "A polícia que tem que combater", disse.
Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos
Mas a Cracolândia realmente acabou? A região no centro de São Paulo encontra-se fragmentada. Após operações da Prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado esvaziarem a Rua dos Protestantes, os dependentes químicos agora circulam divididos em pequenos grupos por bairros como Santa Ifigênia e Santa Cecília.
O que aconteceu com o fluxo principal de usuários?
O fluxo principal da Rua dos Protestantes foi desmobilizado após ações conjuntas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar. A via, que chegou a concentrar centenas de pessoas e recebeu grades e um muro de 40 metros de extensão, amanheceu vazia, surpreendendo moradores e comerciantes da região central.
O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, afirmou que operações com o apoio do Batalhão de Choque retiraram mais de 120 usuários do local. Os dependentes foram encaminhados para unidades de tratamento do município ou buscaram suas famílias.
O secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando, negou o uso de violência nas abordagens. O secretário destacou que o sufocamento do tráfico de drogas na Favela do Moinho dificultou a chegada de entorpecentes à Rua dos Protestantes.
Para onde foram os dependentes químicos?
Os dependentes químicos migraram para outras vias do centro, como a Praça Marechal Deodoro e os baixos do Elevado Presidente João Goulart, conhecido como Minhocão. Sem formar grandes aglomerações, os indivíduos caminham em grupos menores, variando de 15 a 30 pessoas.
O médico psiquiatra Flávio Falcone aponta que as operações policiais provocaram o espalhamento da Cracolândia. Segundo o especialista, o fluxo que antes incomodava apenas um quarteirão passou a afetar três bairros distintos.
Moradores da região relatam a presença constante de usuários na Avenida Duque de Caxias e nos cruzamentos com as ruas Gusmões e General Osório. A instalação de uma base móvel da Polícia Militar inibiu a venda de drogas em pontos específicos, mas não afastou totalmente os grupos.
Como a Prefeitura monitora a região central?
A Prefeitura de São Paulo utiliza o sistema Smart Sampa e drones para vigiar a movimentação no centro em tempo real. As imagens captadas pelos equipamentos aéreos são cruzadas com bancos de dados da Polícia Civil para identificar indivíduos com pendências judiciais.
Cerca de 60% dos frequentadores da cena aberta de uso descumprem determinações da Justiça, de acordo com dados do governo estadual. A presença dos drones altera a dinâmica do fluxo, fazendo com que os usuários cubram os rostos para dificultar a identificação.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.