Qual é o nível de educação de São Paulo? Números geraram discordâncias entre Tarcísio e Haddad no 1º debate
Candidatos divergiram sobre a posição do estado no ranking de educação e apresentaram números diferentes
A educação foi o tema que gerou a primeira divergência entre os candidatos ao governo do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), durante o debate realizado neste domingo, 9, pela Band.
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Ao abrir o confronto, o mediador Rodolfo Schneider citou resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e questionou os candidatos sobre o desempenho de São Paulo, que, segundo ele, estava próximo da média nacional. "Quando a gente olha para o cenário nacional e estadual, a gente vê que essa é uma situação semelhante, o Brasil não é uma referência na educação", afirmou Schneider, antes de perguntar quais propostas poderiam fazer o estado avançar na área.
Na última quarta-feira, 5, o Ministério da Educação (MEC) divulgou os dados mais recentes do Ideb, indicador mais importante da educação brasileira. Neles, a rede estadual de São Paulo apresentou melhora em 2025 no seu desempenho no ensino médio, mas consta fora dos cinco primeiros colocados no ranking nacional.
Os dados do MEC apontam que outros Estados cresceram em ritmo mais acelerado na última década e passaram a integrar o top 5 do Ideb. Os índices são calculados com base na nota dos estudantes em provas do Sistema Nacional de Educação Básica (Saeb), de Português e Matemática, e o fluxo escolar, medido pela taxa de aprovação dos alunos.
Ao responder a pergunta de Schneider, Tarcísio defendeu os resultados de sua gestão e apresentou ações voltadas à alfabetização, ao ensino integral e à formação profissional. O governador afirmou que São Paulo avançou nos três ciclos avaliados e na ampliação das escolas de tempo integral e do ensino técnico. "A gente está com um bom estágio no ensino médio, crescemos nos três ciclos", disse. Segundo ele, a próxima etapa será concentrada na recuperação da aprendizagem, na formação continuada de professores e na expansão da educação tecnológica.
A avaliação foi contestada por Haddad, que apresentou outro recorte dos dados para criticar a gestão de Tarcísio. "O Tarcísio herdou o estado de São Paulo na terceira colocação em termos de qualidade do ensino médio e está entregando o estado na décima posição", afirmou. O petista também citou a alfabetização e disse que São Paulo estaria abaixo da média nacional, com 61% das crianças alfabetizadas na idade certa, ante 66% no país. Haddad atribuiu parte do resultado ao modelo pedagógico adotado pelo governo estadual e criticou a substituição de materiais didáticos por plataformas digitais.
Em um segundo momento, Tarcísio contestou a comparação apresentada de Haddad e afirmou que era necessário "restabelecer a verdade". O governador disse que, em 2023, São Paulo ocupava a terceira posição no ensino fundamental 1, a quinta no fundamental 2 e a oitava no ensino médio. Para o ensino médio, ele argumentou que a inclusão dos resultados do ensino profissionalizante deveria ser considerada.
"Quando a gente considera a nota dos alunos que estão no ensino profissional, a gente vai para 4,5, o que significa que a gente continua no oitavo lugar", afirmou. Tarcísio também destacou que a participação dos estudantes na formação profissional teria passado de 12% para 42%.
Haddad voltou a contestar os números e afirmou que São Paulo teria perdido posições nos últimos anos. "Consulte as manchetes dos jornais dessa semana: várias manchetes vão dar conta de que o estado caiu da oitava para a décima posição", disse. O candidato também questionou a expansão do ensino integral apresentada pelo governador.
Segundo Haddad, cerca de 24% dos alunos do ensino médio estão atualmente nesse modelo, percentual que, de acordo com ele, fica abaixo dos registrados por Piauí, Pernambuco e Ceará.


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